Crepúsculo civil, náutico e astronômico: o que é cada um
O céu passa por estágios de claridade entre o pôr do sol e a noite fechada, cada um com uso próprio na navegação e na astronomia.
Ler artigo →Ciência do céu
O dia e a noite trocam de tamanho ao longo do ano no Brasil, e o crepúsculo ocupa parte da noite nas duas pontas.
O dia tem sempre 24 horas de relógio, mas a parte com luz, do nascer ao pôr do sol, quase nunca dura exatamente 12. No Brasil ela vai de pouco menos de 10 horas até mais de 14, dependendo da cidade e da época. Em São Paulo, no auge do verão, o sol fica 13h35 acima do horizonte; no fundo do inverno, só 10h41. Perto do equador a variação some: em Manaus o dia mais longo e o mais curto do ano diferem por cerca de 22 minutos. Quem manda nisso é a inclinação de 23,4 graus do eixo da Terra, e o efeito cresce com a latitude. Quanto mais longe da linha do equador você está, mais o verão estica o dia e o inverno o encurta. A noite completa as 24 horas: quando o dia encurta, ela cresce na mesma medida.
Brasília, DF · hoje
Quando alguém pergunta quantas horas tem o dia, há duas respostas certas e elas não se contradizem. A primeira é a do relógio. O dia solar médio, de um meio-dia ao próximo, dura 24 horas, e é por isso que o mundo inteiro divide o tempo em 24 fatias iguais. A segunda é a que quase todo mundo procura, ou seja, quanto tempo o sol fica no céu, iluminando a rua, o campo, a praia. Essa é a duração do dia claro, e ela muda todo dia.
A duração do dia claro sai de uma conta direta. Pegue a hora do pôr do sol, subtraia a hora do nascer, e o que sobra é a duração do dia. Se o sol nasce às 6h15 e se põe às 17h50, o dia claro teve 11h35. O complemento, as outras 12h25, é a duração da noite, tratada mais abaixo. Os dois sempre somam 24 horas.
Se a Terra girasse com o eixo em pé, perpendicular à sua órbita, o dia teria 12 horas de luz e 12 de escuro em qualquer lugar, o ano inteiro. Não é o caso. O eixo é inclinado cerca de 23,4 graus, e essa inclinação é fixa, porque o eixo aponta sempre para a mesma direção no espaço enquanto a Terra dá a volta no sol ao longo do ano.
O resultado é que, durante metade do ano, o seu hemisfério fica levemente virado na direção do sol. Nesses meses o sol descreve um arco alto e comprido no céu, nasce mais para o lado do sul, some tarde, e o dia se alonga. Na outra metade, o hemisfério aponta para longe do sol, o arco fica baixo e curto, o sol nasce deslocado para o norte e o dia encurta. Entre os dois extremos ficam os equinócios, quando o eixo não favorece nenhum lado e o dia se aproxima de 12 horas em toda parte.
A distância entre a Terra e o sol não tem quase nada a ver com isso. A Terra está até um pouco mais perto do sol em janeiro, quando é verão no Brasil, do que em julho. O verão e o dia mais longo vêm da inclinação do eixo.

A inclinação do eixo é a mesma para o planeta todo, mas o quanto ela mexe na duração do dia depende de onde você está. Perto do equador, o sol nasce e se põe quase na vertical o ano inteiro, então a diferença entre verão e inverno é pequena. Longe do equador, o sol cruza o horizonte de esguelha, num ângulo raso, e pequenas mudanças de estação viram grandes mudanças de horário.
A duração do dia claro em dez cidades brasileiras, no solstício de dezembro (o dia mais longo no Hemisfério Sul) e no de junho (o mais curto), foi calculada pelo motor astronômico do site. A coluna da direita, a amplitude, cresce conforme a cidade desce para o sul.
| Cidade | Latitude | 21 de dezembro | 21 de junho | Amplitude no ano |
|---|---|---|---|---|
| Belém, PA | 1,5° S | 12h13 | 12h02 | 0h10 |
| Manaus, AM | 3,1° S | 12h18 | 11h57 | 0h22 |
| Fortaleza, CE | 3,7° S | 12h21 | 11h54 | 0h26 |
| Recife, PE | 8,0° S | 12h36 | 11h39 | 0h56 |
| Brasília, DF | 15,8° S | 13h04 | 11h11 | 1h53 |
| Rio de Janeiro, RJ | 22,9° S | 13h33 | 10h44 | 2h49 |
| São Paulo, SP | 23,6° S | 13h35 | 10h41 | 2h54 |
| Curitiba, PR | 25,4° S | 13h44 | 10h33 | 3h11 |
| Porto Alegre, RS | 30,0° S | 14h05 | 10h13 | 3h52 |
| Chuí, RS | 33,7° S | 14h24 | 9h55 | 4h29 |
Em Belém, quase sobre a linha do equador, o dia oscila só onze minutos entre um extremo e o outro. Chuí, no ponto mais ao sul do Brasil, passa de um dia de 14h24 em dezembro para um de menos de 10 horas em junho, uma diferença de quase quatro horas e meia.
Entre um solstício e outro, a duração do dia muda aos poucos. Perto dos solstícios a mudança de um dia para o outro é quase imperceptível, porque o sol chega ao ponto mais alto ou mais baixo do ano e ali quase estaciona (o nome solstício vem justamente de sol parado). Perto dos equinócios, em março e setembro, o dia muda mais rápido de uma semana para a outra. A tabela compara Chuí, no extremo sul, e São Paulo.
| Mês | São Paulo, SP | Chuí, RS |
|---|---|---|
| Janeiro | 13h25 | 14h08 |
| Fevereiro | 12h52 | 13h16 |
| Março | 12h14 | 12h18 |
| Abril | 11h32 | 11h14 |
| Maio | 10h59 | 10h23 |
| Junho | 10h41 | 9h56 |
| Julho | 10h49 | 10h07 |
| Agosto | 11h18 | 10h52 |
| Setembro | 11h57 | 11h53 |
| Outubro | 12h38 | 12h55 |
| Novembro | 13h15 | 13h52 |
| Dezembro | 13h35 | 14h23 |
Em março e setembro as duas cidades ficam perto de 12 horas, nos meses do equinócio, quando a latitude quase não importa. Já em dezembro e junho elas se separam ao máximo. Para acompanhar esse desenho o ano inteiro na sua cidade, o calendário de nascer e pôr do sol mostra a duração de cada dia, e a página de horário do nascer e pôr do sol traz o valor de hoje calculado para o lugar exato.
A palavra equinócio quer dizer noite igual ao dia, e a expectativa é que nesse dia haja 12 horas cravadas de luz. Na prática, o dia é sempre alguns minutos mais longo que a noite, até no equinócio. Na tabela, o dia de março aparece com cerca de 12h07 em todo o Brasil, não 12h00. Duas coisas explicam a sobra.
A primeira é a refração atmosférica. O ar encurva a luz do sol e ergue a imagem do disco, de modo que a gente vê o sol no horizonte quando, geometricamente, ele ainda está um pouco abaixo dele. Isso adianta o nascer e atrasa o pôr, alongando o dia. A segunda é uma convenção. O nascer e o pôr do sol são contados pela borda superior do disco tocando o horizonte, não pelo centro. Como o sol tem meio grau de largura, isso adiciona mais alguns minutos. O dia em que a luz e o escuro de fato se igualam, chamado equilux, cai poucos dias antes ou depois do equinócio, dependendo da latitude.
A noite é o complemento do dia claro, e as duas durações somam 24 horas em qualquer cidade e em qualquer data. Um dia com 11 horas de luz tem uma noite de 13, e tudo o que alonga o dia encurta a noite.
A noite mais longa do ano cai no solstício de inverno, em 21 de junho no Hemisfério Sul, e a mais curta no solstício de verão, em 21 de dezembro. A tabela mostra a duração da noite, do pôr ao nascer do sol, em seis cidades brasileiras nos dois solstícios de 2026, com números do motor astronômico do site.
| Cidade | Latitude | Noite de dezembro | Noite de junho |
|---|---|---|---|
| Fortaleza, CE | 3,7° S | 11h39 | 12h06 |
| Recife, PE | 8,0° S | 11h24 | 12h21 |
| Brasília, DF | 15,8° S | 10h56 | 12h49 |
| São Paulo, SP | 23,6° S | 10h25 | 13h19 |
| Porto Alegre, RS | 30,0° S | 9h55 | 13h47 |
| Chuí, RS | 33,7° S | 9h36 | 14h05 |
Em Fortaleza, quase sobre o equador, a noite varia menos de meia hora entre um extremo e o outro do ano. Em Chuí, no ponto mais ao sul do país, a noite de junho passa de 14 horas, cerca de quatro horas e meia a mais que a de dezembro.
Por isso o inverno no Rio Grande do Sul anoitece cedo e amanhece tarde.
Depois do pôr, o sol desce devagar abaixo do horizonte e, enquanto está pouco abaixo dele, continua iluminando a alta atmosfera, que espalha essa luz para o chão. Esse período é o crepúsculo.
A escuridão total começa quando o sol chega a cerca de 18 graus abaixo do horizonte. As três faixas do crepúsculo, civil, náutica e astronômica, estão descritas no artigo sobre crepúsculo civil, náutico e astronômico.

A tabela separa, para uma noite de inverno (21 de junho de 2026), a noite inteira, a duração do crepúsculo de cada lado (do pôr até a escuridão total) e o tempo restante de escuridão total.
| Cidade | Noite completa | Crepúsculo (cada lado) | Escuridão total |
|---|---|---|---|
| Fortaleza, CE | 12h06 | 1h15 | 9h36 |
| Recife, PE | 12h21 | 1h15 | 9h50 |
| Brasília, DF | 12h49 | 1h17 | 10h15 |
| São Paulo, SP | 13h19 | 1h21 | 10h38 |
| Porto Alegre, RS | 13h47 | 1h26 | 10h56 |
| Chuí, RS | 14h05 | 1h29 | 11h07 |
Em Fortaleza, das 12 horas de noite, quase duas horas e meia são de crepúsculo somando os dois lados, e a escuridão total dura pouco mais de nove horas. O crepúsculo dura mais nas latitudes altas, porque o sol desce num ângulo mais raso e demora mais para chegar aos 18 graus.
O horário de cada faixa, por cidade e por data, aparece na ferramenta de crepúsculo. A claridade da noite também depende da lua, das nuvens e da iluminação artificial, assunto do artigo sobre por que a noite é clara ou escura.
O ponto mais escuro da noite, quando o sol está no ponto mais baixo abaixo do horizonte, é a meia-noite solar. Ela quase nunca coincide com as 00h00 do relógio. A largura dos fusos horários e a longitude da cidade já deslocam esse instante, e ainda entra a equação do tempo, um descompasso de até um quarto de hora entre o sol e o relógio que vem da órbita elíptica da Terra e da inclinação do eixo. No extremo oeste de um fuso, a meia-noite solar pode cair bem depois da meia-noite legal.
O pôr do sol mais cedo do ano e o nascer mais tarde caem em datas diferentes do solstício, embora a noite mais longa caia nele. Em Porto Alegre, em 2026, o pôr do sol mais cedo acontece em junho, alguns dias antes do solstício, e o nascer mais tarde em julho, alguns dias depois.
A noite mais comprida continua sendo a do solstício, e as suas duas pontas, o anoitecer e o amanhecer, se deslocam por causa da equação do tempo.
No Brasil o dia mais longo do ano fica em torno de 14 horas e meia, no extremo sul. Em latitudes maiores o efeito cresce. Acima dos círculos polares, a partir de 66,5 graus de latitude, a inclinação do eixo chega ao ponto de o sol não se pôr em pleno verão nem nascer em pleno inverno. É o sol da meia-noite de um lado e a noite polar do outro. Em cidades como Tromsø, na Noruega, o dia claro dura semanas seguidas, sem que o sol toque o horizonte.
Um brasileiro que passa julho em Lisboa ou Berlim vê o sol ainda alto às oito da noite, porque no verão do Hemisfério Norte o dia europeu chega a passar de 16 horas. É o mesmo mecanismo, em latitudes bem mais altas que as do Brasil, que explica por que em outros países escurece mais tarde.
As durações das tabelas valem para as cidades e datas listadas nelas. O valor da data atual, para cada cidade, está na página de horário do nascer e pôr do sol, que calcula o nascer, o pôr e a duração do dia com o mesmo motor das tabelas. A diferença entre o pôr e o nascer seguinte é a duração da noite naquele lugar.
Se você acompanha por fotografia ou por planejamento de atividade ao ar livre, vale cruzar a duração do dia com a hora dourada e os crepúsculos, que esticam a luz útil para além do nascer e do pôr. A página da hora dourada mostra essas janelas para a sua cidade, e elas mudam de tamanho ao longo do ano pelo mesmo motivo do dia, a altura do arco do sol.