Quantas horas tem o dia e quanto dura a noite ao longo do ano
O dia e a noite trocam de tamanho ao longo do ano no Brasil, e o crepúsculo ocupa parte da noite nas duas pontas.
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No verão europeu, o céu continua claro até tarde da noite, enquanto no Brasil escurece bem mais cedo no mesmo dia do ano.
Em outros países escurece mais tarde porque eles ficam muito mais longe do equador que o Brasil, e a latitude alta estica o dia no verão. Quanto mais perto dos polos, mais o sol demora a se pôr nos meses de verão e mais tempo o céu leva para escurecer depois disso. Um brasileiro que passa julho em Berlim vê o sol se pôr por volta das 21h30 e o céu só escurecer de vez perto das 22h30, algo impensável no Brasil, onde o sol se põe entre 17h e 18h30 o ano quase todo. Não é o país que muda a física; é a distância até o equador. E no inverno a mesma latitude alta faz o oposto: em dezembro, Berlim escurece antes das quatro da tarde.
Brasília, DF · hoje
A duração do dia depende de duas coisas, a época do ano e a latitude, que é a distância até a linha do equador. O Brasil inteiro fica em latitudes baixas. A capital mais ao sul, Porto Alegre, está a 30 graus de latitude sul; Boa Vista, no extremo norte, quase encosta no equador. Por isso, no Brasil, o dia varia relativamente pouco. Mesmo no extremo sul, a diferença entre o dia mais longo e o mais curto do ano é de cerca de quatro horas.
A Europa fica bem mais ao norte. Lisboa, a capital de Portugal, está a quase 39 graus, mais longe do equador que qualquer ponto do Brasil. Berlim está a 52 graus, Estocolmo a 59. Nessas latitudes, a inclinação do eixo da Terra tem efeito grande sobre a duração do dia. O verão empurra o pôr do sol para muito tarde, e o inverno o traz para muito cedo.
O motivo é a inclinação de 23,4 graus do eixo da Terra. No verão do Hemisfério Norte, a metade norte do planeta fica virada na direção do sol. Perto do equador isso muda pouco a rotina do sol, que continua subindo quase reto e cruzando o céu num arco parecido o ano todo. Numa latitude alta, o sol descreve um arco longo e baixo. Ele nasce bem para o lado nordeste, sobe pouco, e leva horas rasando o horizonte antes de se pôr, lá para o noroeste.
Como o sol cruza o horizonte num ângulo raso, ele também demora muito mais para afundar os 18 graus que separam o pôr do sol da escuridão completa. Esse é o segundo efeito. Além de o sol se pôr tarde, o crepúsculo depois dele dura mais de uma hora. O céu fica naquela penumbra azulada bem depois das dez da noite.

A comparação fica clara quando se olha o mesmo dia dos dois lados do Atlântico. Em 21 de junho, é verão no Hemisfério Norte e inverno no Brasil. A tabela mostra a hora do pôr do sol e a duração do dia claro nesse dia, calculadas pelo motor astronômico do site. Os horários europeus já incluem o horário de verão, que a Europa adota entre o fim de março e o fim de outubro e que empurra o relógio uma hora à frente.
| Cidade | Latitude | Pôr do sol | Duração do dia |
|---|---|---|---|
| Estocolmo (Suécia) | 59,3° N | 22:08 | 18h37 |
| Berlim (Alemanha) | 52,5° N | 21:33 | 16h50 |
| Londres (Reino Unido) | 51,5° N | 21:22 | 16h38 |
| Paris (França) | 48,9° N | 21:58 | 16h11 |
| Madri (Espanha) | 40,4° N | 21:49 | 15h04 |
| Lisboa (Portugal) | 38,7° N | 21:05 | 14h53 |
| Manaus, AM | 3,1° S | 18:00 | 11h57 |
| Recife, PE | 8,0° S | 17:11 | 11h39 |
| São Paulo, SP | 23,6° S | 17:29 | 10h41 |
Enquanto São Paulo tem 10h41 de luz nesse dia de inverno e o sol se põe às 17h29, Berlim tem quase 17 horas de dia e o sol só some às 21h33. Paris, um pouco mais ao sul que Berlim mas mais a leste dentro do seu fuso, chega a pôr o sol às 21h58. Dentro da própria Europa, de Lisboa, a 39 graus, para Estocolmo, a 59, a duração do dia salta de 14h53 para mais de 18 horas.
Acima dos 48 graus de latitude, no verão, o sol não desce o suficiente para a noite ficar de fato escura. Em Paris, Londres e Berlim, por volta do solstício de junho, o sol não chega aos 18 graus abaixo do horizonte que definem a escuridão astronômica. A noite inteira permanece numa penumbra, sem nunca ficar completamente preta. É o que os ingleses chamam de white nights, noites brancas.
Em Berlim, no solstício, o sol se põe às 21h33 e o crepúsculo civil, aquela claridade em que ainda se anda sem luz, só termina perto das 22h24. Depois disso o céu clareia de novo pela madrugada. Em Estocolmo o efeito é mais forte, e o sol se põe às 22h08 e o fim do crepúsculo civil vai para quase meia-noite, e a cidade nem sequer atinge o crepúsculo náutico. Acima do Círculo Polar Ártico, o sol não se põe nessa época, o chamado sol da meia-noite.
A mesma latitude que estica o dia no verão o encurta no inverno. Em 21 de dezembro, com verão no Brasil, é pleno inverno na Europa. Berlim tem apenas 7h39 de luz e o sol se põe às 15h54, antes das quatro da tarde. Londres, quase igual, põe o sol às 15h53. Estocolmo escurece ainda mais cedo, com o pôr às 14h48 e um dia de pouco mais de seis horas. Quem trabalha o dia inteiro sai de casa e volta no escuro.
Compare com o Brasil na mesma data. Em São Paulo, em dezembro, o sol se põe perto das 19h e o dia passa de 13 horas e meia. A variação anual no Brasil é pequena, e na Europa é grande. Em Estocolmo o dia vai de 18 horas de luz em junho a 6 horas em dezembro. No Brasil, fica entre 10 e 14 horas no extremo sul.
O mesmo efeito da latitude aparece dentro do próprio Brasil, em escala menor. No verão, o sol se põe visivelmente mais tarde no Rio Grande do Sul do que no Nordeste. Em 21 de dezembro, Chuí, no extremo sul, tem 14h24 de dia claro; Belém, quase sobre o equador, tem 12h13. Duas horas de diferença dentro do mesmo país, no mesmo dia, só porque uma cidade está a 34 graus de latitude e a outra a 1 grau.
Por isso um gaúcho que viaja para o Nordeste em dezembro estranha o sol se pondo cedo, por volta das 17h30, quando em casa ele estava acostumado com claridade até depois das 20h. E um nordestino no Sul, no verão, se surpreende com o dia que não acaba. A diferença entre Brasil e Europa é a mesma diferença entre Chuí e Belém, só que muito maior, porque as latitudes europeias são muito mais altas que qualquer ponto brasileiro.
Há duas confusões comuns. A primeira é achar que o sol se põe tarde na Europa por causa do fuso horário. O fuso apenas define que número o relógio marca; ele desloca todos os horários juntos, o nascer e o pôr, sem esticar o dia. Espanha e França, por exemplo, adotam um fuso à frente do que a longitude pediria, o que joga o pôr do sol para ainda mais tarde no relógio, mas isso não cria mais luz, só remaneja a conta. A causa da duração é a latitude.
A segunda confusão é dar todo o crédito ao horário de verão. Ele existe justamente para aproveitar esses dias longos, adiantando o relógio uma hora para que a claridade da noite caia num horário mais útil. Mas o horário de verão só desloca o relógio em uma hora. As 16 ou 18 horas de luz do dia europeu vêm da latitude. Prova disso é que, mesmo descontando a hora do horário de verão, Berlim ainda teria o sol se pondo às 20h33, quase três horas depois de São Paulo no mesmo dia.
Os horários das tabelas valem para as cidades e datas indicadas. Para qualquer cidade brasileira, hoje, a ferramenta de nascer e pôr do sol calcula o horário exato para o lugar, e o crepúsculo mostra a que horas o céu de fato escurece, que no Brasil fica em torno de meia hora depois do pôr do sol. O artigo quantas horas tem o dia trata da duração do dia e da noite e explica a mesma física a partir do Brasil.