Por que o pôr do sol é vermelho? A dispersão de Rayleigh explica
No horizonte, a luz do sol cruza 38 vezes mais ar que ao meio-dia; nesse caminho o azul se espalha e sobra o vermelho. Entenda a dispersão de Rayleigh.
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O crepúsculo tem três fases pela altura do sol: civil (até 6 graus), náutico (12) e astronômico (18). Veja o que se vê em cada uma e por que dura mais no sul.
O crepúsculo é o período em que o céu ainda tem claridade mesmo com o sol abaixo do horizonte. Ele se divide em três estágios, definidos por quão fundo o sol está: civil (do pôr do sol até o sol a 6° abaixo do horizonte), náutico (de 6° a 12° abaixo) e astronômico (de 12° a 18° abaixo). Depois de 18°, chega a noite escura de verdade. No crepúsculo civil ainda dá para ler na rua; no náutico já se veem o horizonte no mar e as estrelas brilhantes; no astronômico, só falta apagar o último brilho de fundo. No Brasil, esse trajeto completo leva de pouco mais de uma hora, perto do equador, a quase duas horas, no extremo sul em pleno verão.
Quando o sol se põe, não fica tudo escuro de uma vez. A atmosfera continua no ar, e o mesmo espalhamento que deixa o céu azul de dia segue funcionando: mesmo com o disco já abaixo do horizonte, as camadas altas do ar ainda pegam luz do sol e a reenviam para baixo. Por isso o céu segue iluminado por um bom tempo depois de o disco sumir. Esse intervalo de transição entre o dia e a noite (e, de manhã, entre a noite e o dia) é o crepúsculo. De tarde ele é o entardecer; de madrugada, a alvorada.
O que define os três estágios não é o relógio, e sim a profundidade do sol abaixo do horizonte, medida em graus. Essa medida é a altura do sol, que fica negativa depois do pôr. Cada fronteira, 6°, 12° e 18°, corresponde a uma mudança bem concreta no que o olho consegue enxergar. A escolha desses três números não é arbitrária; cada um resolveu um problema prático da história.
| Estágio | Sol abaixo do horizonte | O que se vê |
|---|---|---|
| Civil | 0° a 6° | Ainda há bastante claridade. Dá para caminhar e ler sem luz artificial. Aparecem os planetas e as estrelas mais brilhantes, como Vênus e Sirius. |
| Náutico | 6° a 12° | A linha do horizonte no mar ainda é visível contra o céu. Já se veem muitas estrelas; é a fase usada na navegação com sextante. |
| Astronômico | 12° a 18° | O céu parece escuro a olho nu, mas ainda há um brilho residual que atrapalha a observação de objetos fracos. As estrelas fracas terminam de surgir. |
| Abaixo de 18° · noite astronômica (céu totalmente escuro) | ||

Para ficar concreto, veja a sequência de um entardecer real em São Paulo, no equinócio de março de 2026 (20/03), calculada pelo motor astronômico do site. Cada estágio dura cerca de 22 a 26 minutos, e o céu leva pouco mais de uma hora para escurecer por completo depois do pôr do sol.
| Momento | Horário | Situação |
|---|---|---|
| Pôr do sol | 18:17 | O disco do sol cruza o horizonte. |
| Fim do crepúsculo civil | 18:40 | Sol a 6° abaixo. Começa a faltar luz para ler na rua. |
| Fim do crepúsculo náutico | 19:06 | Sol a 12° abaixo. O horizonte no mar já não se distingue. |
| Fim do crepúsculo astronômico | 19:32 | Sol a 18° abaixo. Começa a noite escura de verdade. |
Do pôr do sol até a noite escura foram cerca de 75 minutos. Esse número não é fixo: ele depende da latitude e da época do ano, e a razão é puramente geométrica.
Tudo se resume ao ângulo com que o sol desce. Perto da linha do equador, o sol mergulha quase na vertical, cravando os 18° de profundidade rápido. Longe do equador, ele desce de esguelha, num arco inclinado, e leva muito mais tempo para afundar os mesmos 18°. Some a isso o verão de cada hemisfério, quando o arco do sol fica ainda mais deitado, e o crepúsculo se estica. Esse é o mesmo movimento inclinado descrito em como o sol se move no céu.
A tabela abaixo mostra, para cinco cidades de norte a sul, quanto tempo o céu leva do pôr do sol até a noite escura (o crepúsculo completo, até 18°), no equinócio e no auge do verão do Sul. Tudo calculado pelo motor do site.
| Cidade | Latitude | Equinócio (20/mar) | Solstício de verão (21/dez) |
|---|---|---|---|
| Belém, PA | 1,5° S | 69 min | 75 min |
| Fortaleza, CE | 3,7° S | 69 min | 76 min |
| São Paulo, SP | 23,5° S | 75 min | 88 min |
| Porto Alegre, RS | 30,0° S | 80 min | 97 min |
| Chuí, RS (extremo sul) | 33,7° S | 83 min | 104 min |
Repare no contraste: em Belém, na linha do equador, o céu escurece em cerca de 69 minutos o ano todo. No Chuí, em dezembro, o mesmo processo se arrasta por mais de 1h40. É a mesma física do sol da meia-noite, só que fraca: perto dos polos, o sol desce tão de raspão que o crepúsculo pode não terminar nunca, e a noite escura simplesmente não chega. Para ver os três horários na sua cidade, use a página de crepúsculo, e para acompanhar a variação ao longo do ano, o calendário de crepúsculo.
Os três nomes não são só curiosidade: cada um nasceu de uma necessidade prática.
Antes de tudo isso, ainda de dia, vem a luz mais fotogênica: a golden hour, com o sol baixo mas ainda acima do horizonte. O crepúsculo é o capítulo seguinte, quando o sol já se pôs mas o céu ainda pinta. Para ver os horários dos dois na sua cidade lado a lado, comece pela página de nascer e pôr do sol, por exemplo em Salvador ou Porto Alegre.
A famosa hora azul (blue hour) não é um quarto estágio: ela é a parte mais escura e azulada do crepúsculo civil, um pouco depois do pôr do sol, quando o céu ganha aquele azul profundo tão procurado por fotógrafos. Ela cai dentro da faixa civil, perto dos 4° a 8° abaixo do horizonte. É um apelido para um trecho do crepúsculo, não uma categoria nova. A diferença entre ela e a golden hour aparece em detalhe no guia de blue hour e golden hour.
Tudo o que vale para o entardecer vale para a alvorada, ao contrário. O crepúsculo astronômico da manhã começa quando o sol chega a 18° abaixo do horizonte a leste, passa pelo náutico, depois pelo civil, e termina no nascer do sol. Por isso os astrônomos programam a última foto da noite para o instante em que o sol atinge 18° abaixo a leste: dali em diante o céu já começa a clarear, mesmo faltando mais de uma hora para o sol aparecer.
O primeiro é confundir crepúsculo com golden hour. A golden hour acontece com o sol ainda acima do horizonte, luz dourada e sombras longas; o crepúsculo começa depois, com o sol já abaixo dele. São capítulos diferentes da mesma tarde. O segundo é achar que a noite astronômica garante céu escuro: se a lua estiver cheia e alta, o brilho dela sozinho ilumina o céu de fundo e apaga as estrelas fracas, mesmo com o sol a 18° de profundidade. É por isso que os observadores planejam as sessões de céu profundo para as noites sem lua. Esse brilho lunar aparece até de dia, como se explica em por que a lua aparece de dia.