Cor do pôr do sol: por que o pôr do sol é vermelho?
A cor do pôr do sol fica mais intensa em dias com poeira ou fumaça no ar, e a explicação física do fenômeno surgiu no século XIX.
Ler artigo →Ciência do céu
O céu passa por estágios de claridade entre o pôr do sol e a noite fechada, cada um com uso próprio na navegação e na astronomia.
O crepúsculo é o período em que o céu ainda tem claridade mesmo com o sol abaixo do horizonte. Ele se divide em três estágios, definidos pela profundidade do sol: civil (do pôr do sol até o sol a 6° abaixo do horizonte), náutico (de 6° a 12° abaixo) e astronômico (de 12° a 18° abaixo). Depois de 18° começa a noite escura. No crepúsculo civil ainda há luz para ler na rua; no náutico já se veem o horizonte no mar e as estrelas brilhantes; no astronômico resta só o último brilho de fundo. No Brasil, o trajeto completo leva de pouco mais de uma hora, perto do equador, a quase duas horas no extremo sul em pleno verão.
Brasília, DF · hoje
O céu escurece aos poucos depois do pôr do sol. O mesmo espalhamento que deixa o céu azul de dia continua a agir. Com o disco já abaixo do horizonte, as camadas altas do ar ainda recebem luz do sol e a devolvem para baixo.
Por isso o céu segue iluminado por um bom tempo depois de o disco sumir. Esse intervalo de transição entre o dia e a noite (e, de manhã, entre a noite e o dia) é o crepúsculo. À tarde ele é o entardecer; de madrugada, a alvorada.
Os três estágios são definidos pela profundidade do sol abaixo do horizonte, medida em graus, e o relógio fica fora da definição. Essa medida é a altura do sol, que fica negativa depois do pôr.
Cada fronteira, 6°, 12° e 18°, corresponde a uma mudança concreta no que o olho enxerga.
| Estágio | Sol abaixo do horizonte | O que se vê |
|---|---|---|
| Civil | 0° a 6° | Ainda há bastante claridade. Dá para caminhar e ler sem luz artificial. Aparecem os planetas e as estrelas mais brilhantes, como Vênus e Sirius. |
| Náutico | 6° a 12° | A linha do horizonte no mar ainda é visível contra o céu. Já se veem muitas estrelas; é a fase usada na navegação com sextante. |
| Astronômico | 12° a 18° | O céu parece escuro a olho nu, mas ainda há um brilho residual que atrapalha a observação de objetos fracos. As estrelas fracas terminam de surgir. |
| Abaixo de 18° · noite astronômica (céu totalmente escuro) | ||

A tabela traz a sequência de um entardecer em São Paulo, no equinócio de março de 2026 (20/03), calculada pelo motor astronômico do site. Cada estágio dura cerca de 22 a 26 minutos, e o céu leva pouco mais de uma hora para escurecer por completo depois do pôr do sol.
| Momento | Horário | Situação |
|---|---|---|
| Pôr do sol | 18:17 | O disco do sol cruza o horizonte. |
| Fim do crepúsculo civil | 18:40 | Sol a 6° abaixo. Começa a faltar luz para ler na rua. |
| Fim do crepúsculo náutico | 19:06 | Sol a 12° abaixo. O horizonte no mar já não se distingue. |
| Fim do crepúsculo astronômico | 19:32 | Sol a 18° abaixo. Começa a noite escura. |
Do pôr do sol até a noite escura passaram cerca de 75 minutos. Esse número muda com a latitude e com a época do ano, por uma razão geométrica.
A duração depende do ângulo com que o sol desce. Perto da linha do equador, o sol desce quase na vertical e chega rápido aos 18° de profundidade. Longe do equador, ele desce num arco inclinado e leva muito mais tempo para descer os mesmos 18°.
No verão de cada hemisfério o arco do sol fica ainda mais inclinado, e o crepúsculo se alonga. Esse é o mesmo movimento inclinado descrito em como o sol se move no céu.
A tabela traz, para cinco cidades de norte a sul, quanto tempo o céu leva do pôr do sol até a noite escura (o crepúsculo completo, até 18°), no equinócio e no auge do verão do Sul. Os valores foram calculados pelo motor do site.
| Cidade | Latitude | Equinócio (20/mar) | Solstício de verão (21/dez) |
|---|---|---|---|
| Belém, PA | 1,5° S | 69 min | 75 min |
| Fortaleza, CE | 3,7° S | 69 min | 76 min |
| São Paulo, SP | 23,5° S | 75 min | 88 min |
| Porto Alegre, RS | 30,0° S | 80 min | 97 min |
| Chuí, RS (extremo sul) | 33,7° S | 83 min | 104 min |
Em Belém, perto da linha do equador, o céu escurece em 69 minutos no equinócio de março e em 75 minutos no solstício de dezembro. No Chuí, em dezembro, o mesmo processo leva mais de 1h40.
Perto dos polos, onde acontece o sol da meia-noite, o sol desce tão rente ao horizonte que o crepúsculo pode durar a noite inteira, sem chegar à noite escura.
Os três horários de cada cidade estão na página de crepúsculo, e a variação ao longo do ano está no calendário de crepúsculo.
Cada um dos três nomes nasceu de uma necessidade prática.
Antes do crepúsculo, ainda de dia, vem a golden hour, com o sol baixo mas ainda acima do horizonte. O crepúsculo vem em seguida, quando o sol já se pôs e o céu ainda tem cor. Os horários da golden hour e do crepúsculo aparecem lado a lado na consulta por cidade, como em Salvador e em Porto Alegre.
A hora azul (blue hour) é a parte mais escura e azulada do crepúsculo civil, um pouco depois do pôr do sol, quando o céu fica azul-escuro. Fotógrafos procuram esse trecho. Ele fica perto dos 4° a 8° abaixo do horizonte, e o nome designa um trecho do crepúsculo, sem formar um quarto estágio. A diferença entre ela e a golden hour aparece em detalhe no guia de blue hour e golden hour.
A alvorada segue as mesmas fases do entardecer, em ordem inversa. O crepúsculo astronômico da manhã começa quando o sol chega a 18° abaixo do horizonte a leste, passa pelo náutico, depois pelo civil, e termina no nascer do sol. Por isso os astrônomos programam a última foto da noite para o instante em que o sol atinge 18° abaixo a leste, porque dali em diante o céu já começa a clarear, mesmo faltando mais de uma hora para o sol aparecer.
O primeiro engano é confundir crepúsculo com golden hour. A golden hour acontece com o sol ainda acima do horizonte, luz dourada e sombras longas; o crepúsculo começa depois, com o sol já abaixo dele, e os dois ocupam trechos seguidos da mesma tarde.
O segundo engano é supor que a noite astronômica garante céu escuro. Com a lua alta e toda iluminada, o brilho dela ilumina o céu de fundo e apaga as estrelas fracas, mesmo com o sol a 18° de profundidade, e por isso os observadores planejam as sessões de céu profundo para as noites sem lua. Esse brilho lunar aparece até de dia, como se explica em por que a lua aparece de dia.