Por que os dias mudam de duração ao longo do ano
Os dias mudam pela inclinação de 23,4 graus do eixo da Terra. Cresce com a latitude: quase nada no equador, mais de 4 horas no sul. Veja a tabela por cidade.
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O meio-dia solar varia até 16 minutos em relação ao relógio no ano, pela órbita e a inclinação do eixo. No mesmo horário, o sol desenha um oito: o analema.
A equação do tempo é a diferença entre o horário que o sol marca de verdade e o horário do relógio. Ao longo do ano, o meio-dia solar (quando o sol cruza o ponto mais alto) chega a adiantar até cerca de 16 minutos (no início de novembro) e a atrasar até cerca de 14 minutos (em meados de fevereiro) em relação ao meio-dia do relógio. Isso acontece por duas causas somadas: a órbita elíptica da Terra, que muda a velocidade do planeta ao longo do ano, e a inclinação do eixo de 23,4°. Se você fotografar o sol todo dia no mesmo horário, o conjunto dos pontos desenha um oito no céu, chamado analema.
O nosso relógio marca um dia certinho de 24 horas, sempre igual. Mas o dia solar de verdade (o tempo entre um meio-dia solar e o seguinte) não é constante: ele fica um pouco mais curto ou mais longo conforme a época do ano, variando entre cerca de 23h59m38s e 24h00m30s. Essas pequenas diferenças se acumulam dia após dia, e o resultado é que o instante em que o sol de fato passa pelo ponto mais alto do céu vai adiantando e atrasando em relação às 12h do relógio. A conta que descreve esse descompasso é a equação do tempo.
Para medir o descompasso, os astrônomos inventaram um sol médio fictício: um sol imaginário que se move pelo céu a uma velocidade perfeitamente constante, marcando as 24 horas exatas do relógio. A equação do tempo é a distância, em minutos, entre esse sol médio e o sol de verdade. Aqui, "equação" tem o sentido antigo de "correção" ou "ajuste": é quanto você precisa somar ou subtrair do horário do sol para chegar ao horário do relógio.
A equação do tempo é a soma de dois efeitos independentes, com períodos diferentes.
Somando os dois, com seus períodos diferentes, surge a curva irregular da equação do tempo, com quatro momentos de acerto (quando o sol e o relógio coincidem) e dois picos grandes. A inclinação do eixo entra aqui de um jeito diferente do que faz com a duração do dia: lá ela alonga e encurta o dia; aqui ela adianta e atrasa o meio-dia. São dois efeitos distintos da mesma obliquidade.

A tabela reúne os momentos-chave da curva, com os valores calculados pelo motor astronômico do site para 2026: quando o sol adianta o máximo, quando atrasa o máximo e quando ele coincide com o relógio. Os valores mudam poucos segundos de um ano para outro.
| Data | Equação do tempo | O que acontece |
|---|---|---|
| 11 de fevereiro | -14,2 min | Maior atraso do ano. O sol cruza o alto do céu cerca de 14 min depois do meio-dia médio. |
| 15 de abril | 0 min | Sol e relógio coincidem. |
| 14 de maio | +3,7 min | Pequeno adianto do outono no Sul. |
| 13 de junho | 0 min | Sol e relógio coincidem. |
| 26 de julho | -6,6 min | Atraso moderado de inverno. |
| 1 de setembro | 0 min | Sol e relógio coincidem. |
| 3 de novembro | +16,5 min | Maior adianto do ano. O sol cruza o alto do céu cerca de 16 min antes do meio-dia médio. |
| 25 de dezembro | 0 min | Sol e relógio coincidem. |
Repare que os dois maiores desvios, novembro e fevereiro, ficam perto do solstício de dezembro, e não por acaso: é ali que as duas causas se somam no mesmo sentido, em vez de se cancelarem. Nos meses de abril, junho, setembro e dezembro, os dois efeitos se anulam e o sol bate com o relógio.
A consequência mais surpreendente da equação do tempo aparece no calendário de qualquer cidade do Sul. Muita gente supõe que o dia com o pôr do sol mais cedo do ano seja o solstício de inverno, o dia mais curto. Não é. Em Porto Alegre, com dados do motor do site para 2026:
| Evento | Data | Horário |
|---|---|---|
| Pôr do sol mais cedo do ano | 9 de junho | 17:32 |
| Solstício de inverno (dia mais curto) | 21 de junho | — |
| Nascer do sol mais tarde do ano | 1 de julho | 07:22 |
O pôr do sol mais cedo cai doze dias antes do solstício, e o nascer mais tarde, dez dias depois. O dia mais curto continua sendo o solstício, porque é ali que a soma de manhã e tarde é mínima; mas o pôr e o nascer, separadamente, andam para os lados por causa da equação do tempo, que empurra o meio-dia solar para mais tarde ao longo de junho. Quem esperar o solstício para ver o pôr do sol mais cedo já terá perdido a data.
A equação do tempo explica outros fatos que parecem estranhos à primeira vista:
Tudo isso já entra pronto nos horários que o site calcula. Veja o nascer e o pôr do sol reais, dia a dia, na página de nascer e pôr do sol da sua cidade (por exemplo Porto Alegre ou Recife), ou acompanhe a curva do mês no calendário de nascer e pôr do sol.
Registrar o oito no céu é um projeto de paciência de um ano. Você monta a câmera num tripé fixo, sempre no mesmo lugar e apontando para a mesma direção, e fotografa o sol no mesmo horário do relógio, uma vez por semana, do começo ao fim do ano. No final, sobrepondo as imagens, os pontos do sol formam o analema. É preciso escolher um horário longe do meio-dia (para o oito não ficar atrás de você) e um bom horizonte ou marco de referência para alinhar cada foto.
O resultado une as duas causas deste artigo numa só imagem: a inclinação do eixo estica o oito na vertical (o sol alto de junho no topo, o baixo de dezembro embaixo) e a órbita elíptica deixa um laço bem maior que o outro. No Hemisfério Sul o oito aparece de cabeça para baixo em relação às fotos famosas do Norte, com o laço grande no alto. Vale casar o projeto com o roteiro de apps para planejar a foto do sol, que ajudam a prever a posição exata a cada semana.