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São Paulo, SP
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Ciência do céu

Cidades onde a noite dura 6 meses: onde é e quanto tempo o sol não nasce

Seis meses de noite só no Polo Sul. Nas cidades, a noite polar dura de 40 dias a dois meses e meio, e quase sempre há luz azul ao meio-dia. Veja a lista.

Atualizado em 01/07/2026 10 min de leitura

A noite dura seis meses seguidos só em um ponto do planeta: o Polo Sul (e o Polo Norte, no inverno de lá). Nas cidades habitadas, a noite polar dura de cerca de 40 dias a dois meses e meio, quando o sol não chega a nascer. E mesmo aí quase nunca é escuridão total: ao meio-dia costuma haver algumas horas de luz azulada, o crepúsculo civil. Em Tromsø, na Noruega, o sol não sobe de fins de novembro a meados de janeiro. Em Utqiagvik, no Alasca, são cerca de 64 dias. Em Longyearbyen, em Svalbard, o sol some por quase quatro meses. Todos esses lugares ficam acima dos 66,6° de latitude, e nenhum é no Brasil.

O que é a noite polar

A noite polar é o espelho do sol da meia-noite. No verão de cada hemisfério, o polo aponta para o sol e a região em volta ganha 24 horas de luz. Seis meses depois, a Terra está do outro lado da órbita, o mesmo polo aponta para longe, e essa mesma região entra na noite polar: o sol fica abaixo do horizonte o dia inteiro e não nasce. Onde há sol da meia-noite no verão, há noite polar no inverno, no mesmo lugar. As cidades onde o sol não se põe por meses são exatamente as mesmas onde, meio ano depois, ele não aparece.

A linha a partir da qual isso acontece é o círculo polar, a 66,6° de latitude, o resultado de subtrair a inclinação de 23,4° do eixo da Terra dos 90° do polo. Bem em cima dela, a noite polar dura só o dia do solstício de inverno. Quanto mais perto do polo, por mais tempo ela se estende, até os seis meses contínuos no ponto exato do Polo Sul.

De onde vem a ideia dos seis meses

Como no caso do sol da meia-noite, os seis meses de noite valem para os polos geográficos, não para as cidades. No Polo Sul, o sol se põe no equinócio de março e só volta a nascer no de setembro: meio ano de sombra. Só que ali não vive ninguém em caráter permanente, apenas equipes de estações de pesquisa como a americana Amundsen-Scott, que passa o inverno austral inteiro no escuro.

Nas cidades, o período é bem mais curto e, quase sempre, não é uma escuridão fechada. É essa a parte que mais surpreende quem imagina meses de breu total.

Tarde de noite polar no norte da Noruega, com o céu em tons de azul profundo sobre a neve, sem o sol acima do horizonte.
Tarde durante a noite polar no norte da Noruega. O sol não nasce, mas ao redor do meio-dia o céu ganha uma luz azul do crepúsculo, o chamado horário azul que dura horas. Imagem: Osopolar, CC BY-SA 3.0 (via Wikimedia Commons).

A luz que sobra ao meio-dia

Noite polar não é sinônimo de escuro absoluto. Na maioria das cidades afetadas, o sol fica só um pouco abaixo do horizonte por volta do meio-dia, e essa proximidade acende o céu num azul intenso por algumas horas. É o crepúsculo civil, a mesma faixa de luz que temos aqui logo antes do nascer e logo depois do pôr do sol, só que estendida e sem que o sol chegue a aparecer. Em Murmansk, por exemplo, das dez da manhã às três da tarde ainda dá para andar na rua sem lanterna, e a neve branca reflete e amplia a pouca luz.

Os cientistas separam a noite polar em faixas, pela profundidade do mergulho do sol. Há a noite polar de crepúsculo, com bastante luz azul ao meio-dia; a noite polar civil, quando o sol passa dos 6° abaixo do horizonte e o meio-dia já é penumbra; e, muito mais perto do polo, a noite polar astronômica, aí sim escuridão de madrugada o dia inteiro. As três faixas seguem a mesma lógica dos três crepúsculos que explicamos em o que é o crepúsculo. Só Longyearbyen e lugares ainda mais ao norte alcançam a versão realmente escura, e mesmo assim por poucas semanas.

Quanto dura a noite polar, cidade por cidade

A tabela mostra por quantos dias o sol não nasce em cada lugar, da noite polar mais curta à mais longa. As datas oscilam um ou dois dias conforme o ano e o critério de medição, mas a diferença entre as cidades vem da latitude: quanto mais ao norte, mais longa a noite.

Duração da noite polar (dias em que o sol não nasce) em cidades ao norte do Círculo Polar Ártico. Fontes: timeanddate, Visit Norway, serviços meteorológicos nacionais.
LocalLatitudeSol não nasceDias, aprox.
Murmansk, Rússia69,0° N2 dez a 11 jan~40
Tromsø, Noruega69,6° N~27 nov a 15 jan~50
Utqiagvik (Barrow), Alasca71,3° N~18 nov a 22 jan~64
Longyearbyen, Svalbard78,2° N26 out a 15 fev~113
Polo Sul geográfico, 90° S: sol abaixo do horizonte do equinócio de março ao de setembro, ~180 dias

Em Longyearbyen vale separar duas coisas. O sol fica abaixo do horizonte de 26 de outubro a 15 de fevereiro, quase quatro meses. Mas o trecho verdadeiramente escuro, em que nem ao meio-dia o céu clareia, o "mørketid" que os moradores chamam de tempo escuro, vai de meados de novembro ao fim de janeiro. Antes e depois disso há um longo entardecer azul que serve de dia.

Como as cidades atravessam o inverno sem sol

A ausência de luz cobra um preço. A falta de sol reduz a produção de vitamina D e mexe com o humor, e a chamada depressão sazonal é levada a sério na saúde pública dos países nórdicos. As respostas vão da luz artificial em doses altas, com lâmpadas que imitam a manhã, à vida social organizada em torno de cafés, saunas e encontros que quebram o isolamento do escuro. Muita gente sai de casa no meio-dia justamente para aproveitar as poucas horas de azul.

Há também o lado bonito. A noite polar é a melhor temporada de auroras boreais, que precisam de céu escuro para aparecer, e virou produto de turismo em Tromsø, em Svalbard e no norte da Finlândia. E o fim da noite polar é comemorado. Em Tromsø, o dia do retorno do sol, o soldag, cai por volta de 21 de janeiro, quando o disco solar reaparece sobre as montanhas pela primeira vez em semanas. As pessoas se reúnem para vê-lo e comem bolo de sol. O que faltou por dois meses vira festa quando volta.

Onde a noite polar é realmente escura

Quanto mais perto do polo, mais o sol se afunda abaixo do horizonte ao meio-dia, e mais escura fica a noite polar. Em Tromsø e Murmansk, a cerca de 69° N, o sol chega a poucos graus abaixo da linha do horizonte no auge do meio-dia, o que basta para manter horas de luz azul. Já em Longyearbyen, a 78,2° N, no fim de dezembro o sol fica dezenas de graus abaixo do horizonte até no ponto mais alto do dia, e aí a escuridão é de madrugada o dia inteiro. É a diferença entre um crepúsculo prolongado e uma noite de verdade.

O caso mais extremo é o dos polos. Na estação americana Amundsen-Scott, no Polo Sul geográfico, a equipe que passa o inverno austral vive cerca de seis meses sem o sol nascer, e por semanas o céu fica escuro o suficiente para ver estrelas o tempo todo. Não é uma cidade, é um punhado de pessoas isoladas no gelo, mas é o retrato do que os "seis meses de noite" significam quando levados ao pé da letra.

Por que as cidades da noite polar ficam quase todas no norte

A noite polar existe nos dois hemisférios, mas as cidades estão no Ártico. Ao redor do Círculo Polar Ártico há terra habitada há séculos, na Noruega, Suécia, Finlândia, Rússia, Alasca, Canadá e Groenlândia. Ao redor do Círculo Polar Antártico há o continente antártico, gelado e sem população fixa. Por isso a noite polar de seis meses do Hemisfério Sul é vivida só por cientistas em bases, enquanto a versão de semanas do norte é rotina de dezenas de milhares de pessoas.

No Brasil a noite mais longa tem menos de 11 horas

Nenhuma cidade brasileira tem noite polar. Mesmo no auge do inverno, o sol nasce todos os dias em todo o país. O que muda é a duração. No extremo sul, no dia mais curto do ano, a noite passa pouco de 10 horas; perto do equador, em Macapá ou Boa Vista, dia e noite ficam em torno de 12 horas cada o ano inteiro. Comparada com os 40 a 113 dias sem nascer do sol das cidades árticas, a diferença é enorme.

Isso não quer dizer que a noite brasileira seja monótona. Ela muda ao longo do ano, escurece mais cedo no outono e no inverno, e a luz que sobra depois do pôr do sol varia com a latitude e a estação. Para saber a que horas o céu de fato escurece na sua cidade, o fim do crepúsculo civil, veja a página de crepúsculo. E para o horário de nascer e pôr do sol em qualquer data, use nascer e pôr do sol. Se quiser entender por que a própria noite parece mais clara ou mais escura conforme o dia, há também o guia sobre a luz da noite.

Equívocos comuns sobre a noite que não acaba

O primeiro é imaginar meses de breu absoluto: na maioria das cidades há luz azul por horas ao meio-dia, e só bem perto do polo a escuridão é total. O segundo é achar que a noite polar traz frio por si só; o frio vem da latitude e da estação, não da falta de sol em particular, tanto que o auge do frio costuma chegar depois que o sol já voltou. O terceiro é confundir noite polar com apagão de energia ou fenômeno raro: é astronomia pura, previsível ao minuto, resultado só da inclinação do eixo da Terra e da posição do lugar no globo.

Perguntas frequentes

Existe cidade onde a noite dura 6 meses?
Não. Os seis meses de noite contínua só ocorrem no Polo Sul (e no Polo Norte, no inverno de lá), onde vivem apenas equipes de pesquisa. Nas cidades habitadas, a noite polar, quando o sol não chega a nascer, dura de cerca de 40 dias em Murmansk a quase quatro meses em Longyearbyen, em Svalbard.
Durante a noite polar fica totalmente escuro o tempo todo?
Na maioria das cidades, não. Por volta do meio-dia o sol fica só um pouco abaixo do horizonte e o céu ganha uma luz azul intensa por algumas horas, o crepúsculo civil, reforçada pelo reflexo da neve. A escuridão fechada o dia inteiro só acontece bem perto do polo, como em Longyearbyen, e mesmo lá por poucas semanas.
Quanto dura a noite polar em Tromsø?
Em Tromsø, na Noruega, o sol não nasce de cerca de 27 de novembro a 15 de janeiro, aproximadamente sete semanas. A cidade celebra o retorno do sol, o soldag, por volta de 21 de janeiro, quando o disco solar reaparece sobre as montanhas pela primeira vez em semanas.
Por que a noite polar acontece?
Pela inclinação de cerca de 23,4 graus do eixo da Terra. No inverno de cada hemisfério, o polo daquele lado aponta para longe do sol, e a região em volta fica com o sol abaixo do horizonte o dia inteiro. É o espelho do sol da meia-noite: onde há um no verão, há o outro no inverno.
O Brasil tem noite polar?
Não. Em nenhuma cidade brasileira o sol deixa de nascer. Mesmo no dia mais curto do ano, o sol sobe todos os dias em todo o país. No extremo sul, a noite mais longa passa pouco de 10 horas; perto do equador, dia e noite ficam em torno de 12 horas o ano inteiro.
A noite polar é a melhor época para ver aurora boreal?
Sim. As auroras precisam de céu escuro para aparecer, e a noite polar oferece isso por semanas seguidas. Por isso Tromsø, Svalbard e o norte da Finlândia recebem tantos visitantes no inverno em busca das luzes do norte, apesar do frio e da falta de sol.
A noite polar deixa a cidade mais fria?
A falta de sol contribui, mas o frio vem sobretudo da latitude e da estação, não da noite polar em si. Prova disso é que o auge do frio nessas regiões costuma chegar em fevereiro e março, quando o sol já voltou a nascer. A noite polar e o pico de frio não coincidem.