Para onde vai o sol à noite: o que acontece com ele quando anoitece?
O dia e a noite se alternam em todo o planeta num ritmo que muda a duração da noite ao longo do ano.
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A noite polar atinge cidades habitadas perto dos polos, que se organizam para atravessar o inverno sem sol.
A noite dura seis meses seguidos só nos polos: no Polo Sul e no Polo Norte, cada um no seu inverno. Nas cidades habitadas, a noite polar dura de cerca de 40 dias a quase quatro meses, período em que o sol não chega a nascer. Mesmo nesse período a escuridão raramente é total, porque ao meio-dia costuma haver algumas horas de luz azulada, o crepúsculo civil.
Em Tromsø, na Noruega, o sol não nasce do fim de novembro a meados de janeiro. Em Utqiagvik, no Alasca, são cerca de 64 dias, e em Longyearbyen, em Svalbard, quase quatro meses. Todos esses lugares ficam acima dos 66,6° de latitude, e nenhum está no Brasil.
Hoje
A noite polar é o fenômeno inverso do sol da meia-noite. No verão de cada hemisfério, o polo fica inclinado na direção do sol e a região em volta tem 24 horas de luz. Seis meses depois, com a Terra do outro lado da órbita, o mesmo polo fica inclinado para longe do sol, e a região entra na noite polar, com o sol abaixo do horizonte o dia inteiro.
Onde há sol da meia-noite no verão, há noite polar no inverno, no mesmo lugar. As cidades onde o sol não se põe por meses são as mesmas onde, meio ano depois, ele não aparece.
O limite a partir do qual isso acontece é o círculo polar, a 66,6° de latitude, resultado da subtração da inclinação de 23,4° do eixo da Terra dos 90° do polo. Sobre essa linha, a noite polar dura só o dia do solstício de inverno. Quanto mais perto do polo, mais longa ela fica, até os seis meses contínuos no ponto exato do Polo Sul.
Como no caso do sol da meia-noite, os seis meses de noite valem para os polos geográficos e não para as cidades. No Polo Sul, o sol se põe no equinócio de março e só volta a nascer no de setembro, meio ano sem sol acima do horizonte.
Nas cidades, o período é bem mais curto e quase sempre tem horas de claridade ao meio-dia.

Na maioria das cidades afetadas, o sol fica pouco abaixo do horizonte por volta do meio-dia, e essa proximidade deixa o céu azul por algumas horas.
Essa luz é o crepúsculo civil, a mesma faixa que no Brasil aparece logo antes do nascer e logo depois do pôr do sol, só que prolongada e sem que o sol apareça. Em Murmansk, das dez da manhã às três da tarde, é possível andar na rua sem lanterna, e a neve reflete e amplia a pouca luz.
Os cientistas dividem a noite polar em faixas, conforme a profundidade do sol abaixo do horizonte. A noite polar de crepúsculo tem bastante luz azul ao meio-dia. Na noite polar civil, o sol passa dos 6° abaixo do horizonte e o meio-dia já é penumbra.
Muito mais perto do polo, a noite polar astronômica tem escuridão de madrugada o dia inteiro. As três faixas seguem a mesma lógica dos três crepúsculos explicados em o que é o crepúsculo. Só Longyearbyen e lugares mais ao norte chegam à versão escura, e mesmo assim por poucas semanas.
O número de dias sem sol muda de lugar para lugar, da noite polar mais curta à mais longa. As datas variam um ou dois dias conforme o ano e o critério de medição, e a diferença entre as cidades vem da latitude. Quanto mais ao norte, mais longa a noite.
| Local | Latitude | Sol não nasce | Dias (aproximado) |
|---|---|---|---|
| Murmansk, Rússia | 69,0° N | 2 dez a 11 jan | ~40 |
| Tromsø, Noruega | 69,6° N | ~27 nov a 15 jan | ~50 |
| Utqiagvik (Barrow), Alasca | 71,3° N | ~18 nov a 22 jan | ~64 |
| Longyearbyen, Svalbard | 78,2° N | 26 out a 15 fev | ~113 |
| Polo Sul geográfico, 90° S: sol abaixo do horizonte do equinócio de março ao de setembro, ~180 dias | |||
Em Longyearbyen há dois períodos distintos. O sol fica abaixo do horizonte de 26 de outubro a 15 de fevereiro, quase quatro meses. O período escuro, em que o céu não clareia nem ao meio-dia, o "mørketid" que os moradores chamam de tempo escuro, vai de meados de novembro ao fim de janeiro. Antes e depois dele há um entardecer azul longo que funciona como dia.
A ausência de sol tem efeitos sobre a população. A falta de luz solar reduz a produção de vitamina D e afeta o humor, e a chamada depressão sazonal é tratada como questão de saúde pública nos países nórdicos.
As respostas vão da luz artificial em doses altas, com lâmpadas que imitam a manhã, à vida social organizada em torno de cafés, saunas e encontros que reduzem o isolamento. Muitos moradores saem de casa ao meio-dia para aproveitar as poucas horas de luz azul.
A noite polar é também a principal temporada de auroras boreais, que precisam de céu escuro para aparecer, e virou produto de turismo em Tromsø, em Svalbard e no norte da Finlândia. O fim da noite polar é comemorado.
Em Tromsø, o dia do retorno do sol, o soldag, cai por volta de 21 de janeiro, quando o disco solar reaparece sobre as montanhas pela primeira vez em semanas. Os moradores se reúnem para ver o sol e comem bolo de sol.
Quanto mais perto do polo, mais baixo o sol fica ao meio-dia, e mais escura é a noite polar. Em Tromsø e Murmansk, a cerca de 69° N, o sol chega a poucos graus abaixo do horizonte no meio do dia, o que basta para manter horas de luz azul.
Em Longyearbyen, a 78,2° N, no fim de dezembro o sol fica dezenas de graus abaixo do horizonte até no ponto mais alto do dia, e a escuridão é de madrugada o dia inteiro.
O caso extremo é o dos polos. Na estação americana Amundsen-Scott, no Polo Sul geográfico, a equipe que passa o inverno austral vive cerca de seis meses sem o sol nascer, e por semanas o céu fica escuro o suficiente para mostrar estrelas o tempo todo. A estação abriga um grupo pequeno de pessoas isoladas no gelo, e é o único lugar habitado onde os "seis meses de noite" acontecem de forma literal.
A noite polar existe nos dois hemisférios, mas as cidades estão no Ártico. Ao redor do Círculo Polar Ártico há terra habitada há séculos, na Noruega, Suécia, Finlândia, Rússia, Alasca, Canadá e Groenlândia. Ao redor do Círculo Polar Antártico fica o continente antártico, gelado e sem população fixa.
Por isso a noite polar de seis meses do Hemisfério Sul é vivida só por cientistas em bases, enquanto a versão de semanas do norte faz parte da rotina de dezenas de milhares de pessoas.
No Brasil, mesmo no auge do inverno, o sol nasce todos os dias em todo o país, e o que muda é a duração da noite. No extremo sul, no dia mais curto do ano, o dia claro dura menos de 10 horas e a noite passa pouco de 14 horas; perto do equador, em Macapá ou Boa Vista, dia e noite ficam em torno de 12 horas cada o ano inteiro.
A noite brasileira também varia ao longo do ano. Escurece mais cedo no outono e no inverno, e a luz depois do pôr do sol muda com a latitude e a estação.
O horário de nascer e pôr do sol em qualquer data está em nascer e pôr do sol. A diferença de claridade entre uma noite e outra é explicada no guia sobre a luz da noite.
O primeiro equívoco é imaginar meses de escuridão absoluta. Na maioria das cidades há luz azul por horas ao meio-dia, e só bem perto do polo a escuridão é total. O segundo é atribuir o frio à noite polar. O frio vem da latitude e da estação, e o auge do frio costuma chegar depois que o sol já voltou.
O terceiro é confundir a noite polar com apagão de energia ou com fenômeno raro. Ela é previsível ao minuto e resulta só da inclinação do eixo da Terra e da posição do lugar no globo.