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Ciência do céu

Cidades onde a noite dura 6 meses: onde é e quanto tempo o sol não nasce

A noite polar atinge cidades habitadas perto dos polos, que se organizam para atravessar o inverno sem sol.

Por Equipe RCG Websites 10 min de leitura

A noite dura seis meses seguidos só nos polos: no Polo Sul e no Polo Norte, cada um no seu inverno. Nas cidades habitadas, a noite polar dura de cerca de 40 dias a quase quatro meses, período em que o sol não chega a nascer. Mesmo nesse período a escuridão raramente é total, porque ao meio-dia costuma haver algumas horas de luz azulada, o crepúsculo civil.

Em Tromsø, na Noruega, o sol não nasce do fim de novembro a meados de janeiro. Em Utqiagvik, no Alasca, são cerca de 64 dias, e em Longyearbyen, em Svalbard, quase quatro meses. Todos esses lugares ficam acima dos 66,6° de latitude, e nenhum está no Brasil.

Hoje

Agora em Tromsø
6 h 24 min de sol
a noite polar começa em 28/11 (26 dias)

O que é a noite polar

A noite polar é o fenômeno inverso do sol da meia-noite. No verão de cada hemisfério, o polo fica inclinado na direção do sol e a região em volta tem 24 horas de luz. Seis meses depois, com a Terra do outro lado da órbita, o mesmo polo fica inclinado para longe do sol, e a região entra na noite polar, com o sol abaixo do horizonte o dia inteiro.

Onde há sol da meia-noite no verão, há noite polar no inverno, no mesmo lugar. As cidades onde o sol não se põe por meses são as mesmas onde, meio ano depois, ele não aparece.

O limite a partir do qual isso acontece é o círculo polar, a 66,6° de latitude, resultado da subtração da inclinação de 23,4° do eixo da Terra dos 90° do polo. Sobre essa linha, a noite polar dura só o dia do solstício de inverno. Quanto mais perto do polo, mais longa ela fica, até os seis meses contínuos no ponto exato do Polo Sul.

De onde vem a ideia dos seis meses

Como no caso do sol da meia-noite, os seis meses de noite valem para os polos geográficos e não para as cidades. No Polo Sul, o sol se põe no equinócio de março e só volta a nascer no de setembro, meio ano sem sol acima do horizonte.

Nas cidades, o período é bem mais curto e quase sempre tem horas de claridade ao meio-dia.

Tarde de noite polar no norte da Noruega, com o céu em tons de azul profundo sobre a neve, sem o sol acima do horizonte.
Tarde durante a noite polar no norte da Noruega. O sol não nasce, mas ao redor do meio-dia o céu recebe a luz azul do crepúsculo, o chamado horário azul, que dura horas

A luz do meio-dia durante a noite polar

Na maioria das cidades afetadas, o sol fica pouco abaixo do horizonte por volta do meio-dia, e essa proximidade deixa o céu azul por algumas horas.

Essa luz é o crepúsculo civil, a mesma faixa que no Brasil aparece logo antes do nascer e logo depois do pôr do sol, só que prolongada e sem que o sol apareça. Em Murmansk, das dez da manhã às três da tarde, é possível andar na rua sem lanterna, e a neve reflete e amplia a pouca luz.

Os cientistas dividem a noite polar em faixas, conforme a profundidade do sol abaixo do horizonte. A noite polar de crepúsculo tem bastante luz azul ao meio-dia. Na noite polar civil, o sol passa dos 6° abaixo do horizonte e o meio-dia já é penumbra.

Muito mais perto do polo, a noite polar astronômica tem escuridão de madrugada o dia inteiro. As três faixas seguem a mesma lógica dos três crepúsculos explicados em o que é o crepúsculo. Só Longyearbyen e lugares mais ao norte chegam à versão escura, e mesmo assim por poucas semanas.

Quanto dura a noite polar em cada cidade

O número de dias sem sol muda de lugar para lugar, da noite polar mais curta à mais longa. As datas variam um ou dois dias conforme o ano e o critério de medição, e a diferença entre as cidades vem da latitude. Quanto mais ao norte, mais longa a noite.

Duração da noite polar (dias em que o sol não nasce) em cidades ao norte do Círculo Polar Ártico. Fontes: timeanddate, Visit Norway, serviços meteorológicos nacionais.
LocalLatitudeSol não nasceDias (aproximado)
Murmansk, Rússia69,0° N2 dez a 11 jan~40
Tromsø, Noruega69,6° N~27 nov a 15 jan~50
Utqiagvik (Barrow), Alasca71,3° N~18 nov a 22 jan~64
Longyearbyen, Svalbard78,2° N26 out a 15 fev~113
Polo Sul geográfico, 90° S: sol abaixo do horizonte do equinócio de março ao de setembro, ~180 dias

Em Longyearbyen há dois períodos distintos. O sol fica abaixo do horizonte de 26 de outubro a 15 de fevereiro, quase quatro meses. O período escuro, em que o céu não clareia nem ao meio-dia, o "mørketid" que os moradores chamam de tempo escuro, vai de meados de novembro ao fim de janeiro. Antes e depois dele há um entardecer azul longo que funciona como dia.

Como as cidades passam o inverno sem sol

A ausência de sol tem efeitos sobre a população. A falta de luz solar reduz a produção de vitamina D e afeta o humor, e a chamada depressão sazonal é tratada como questão de saúde pública nos países nórdicos.

As respostas vão da luz artificial em doses altas, com lâmpadas que imitam a manhã, à vida social organizada em torno de cafés, saunas e encontros que reduzem o isolamento. Muitos moradores saem de casa ao meio-dia para aproveitar as poucas horas de luz azul.

A noite polar é também a principal temporada de auroras boreais, que precisam de céu escuro para aparecer, e virou produto de turismo em Tromsø, em Svalbard e no norte da Finlândia. O fim da noite polar é comemorado.

Em Tromsø, o dia do retorno do sol, o soldag, cai por volta de 21 de janeiro, quando o disco solar reaparece sobre as montanhas pela primeira vez em semanas. Os moradores se reúnem para ver o sol e comem bolo de sol.

Onde a noite polar é mais escura

Quanto mais perto do polo, mais baixo o sol fica ao meio-dia, e mais escura é a noite polar. Em Tromsø e Murmansk, a cerca de 69° N, o sol chega a poucos graus abaixo do horizonte no meio do dia, o que basta para manter horas de luz azul.

Em Longyearbyen, a 78,2° N, no fim de dezembro o sol fica dezenas de graus abaixo do horizonte até no ponto mais alto do dia, e a escuridão é de madrugada o dia inteiro.

O caso extremo é o dos polos. Na estação americana Amundsen-Scott, no Polo Sul geográfico, a equipe que passa o inverno austral vive cerca de seis meses sem o sol nascer, e por semanas o céu fica escuro o suficiente para mostrar estrelas o tempo todo. A estação abriga um grupo pequeno de pessoas isoladas no gelo, e é o único lugar habitado onde os "seis meses de noite" acontecem de forma literal.

Por que as cidades da noite polar ficam quase todas no norte

A noite polar existe nos dois hemisférios, mas as cidades estão no Ártico. Ao redor do Círculo Polar Ártico há terra habitada há séculos, na Noruega, Suécia, Finlândia, Rússia, Alasca, Canadá e Groenlândia. Ao redor do Círculo Polar Antártico fica o continente antártico, gelado e sem população fixa.

Por isso a noite polar de seis meses do Hemisfério Sul é vivida só por cientistas em bases, enquanto a versão de semanas do norte faz parte da rotina de dezenas de milhares de pessoas.

No Brasil a noite mais longa passa pouco de 14 horas

No Brasil, mesmo no auge do inverno, o sol nasce todos os dias em todo o país, e o que muda é a duração da noite. No extremo sul, no dia mais curto do ano, o dia claro dura menos de 10 horas e a noite passa pouco de 14 horas; perto do equador, em Macapá ou Boa Vista, dia e noite ficam em torno de 12 horas cada o ano inteiro.

A noite brasileira também varia ao longo do ano. Escurece mais cedo no outono e no inverno, e a luz depois do pôr do sol muda com a latitude e a estação.

O horário de nascer e pôr do sol em qualquer data está em nascer e pôr do sol. A diferença de claridade entre uma noite e outra é explicada no guia sobre a luz da noite.

Equívocos comuns sobre a noite polar

O primeiro equívoco é imaginar meses de escuridão absoluta. Na maioria das cidades há luz azul por horas ao meio-dia, e só bem perto do polo a escuridão é total. O segundo é atribuir o frio à noite polar. O frio vem da latitude e da estação, e o auge do frio costuma chegar depois que o sol já voltou.

O terceiro é confundir a noite polar com apagão de energia ou com fenômeno raro. Ela é previsível ao minuto e resulta só da inclinação do eixo da Terra e da posição do lugar no globo.

Perguntas frequentes

Existe cidade onde a noite dura 6 meses?
Não. Os seis meses de noite contínua só ocorrem no Polo Sul (e no Polo Norte, no inverno de lá), onde vivem apenas equipes de pesquisa. Nas cidades habitadas, a noite polar, quando o sol não chega a nascer, dura de cerca de 40 dias em Murmansk a quase quatro meses em Longyearbyen, em Svalbard.
Durante a noite polar fica totalmente escuro o tempo todo?
Na maioria das cidades, não. Por volta do meio-dia o sol fica só um pouco abaixo do horizonte e o céu ganha uma luz azul intensa por algumas horas, o crepúsculo civil, reforçada pelo reflexo da neve. A escuridão fechada o dia inteiro só acontece bem perto do polo, como em Longyearbyen, e mesmo lá por poucas semanas.
Quanto dura a noite polar em Tromsø?
Em Tromsø, na Noruega, o sol não nasce de cerca de 27 de novembro a 15 de janeiro, aproximadamente sete semanas. A cidade celebra o retorno do sol, o soldag, por volta de 21 de janeiro, quando o disco solar reaparece sobre as montanhas pela primeira vez em semanas.
Por que a noite polar acontece?
Pela inclinação de cerca de 23,4 graus do eixo da Terra. No inverno de cada hemisfério, o polo daquele lado fica inclinado para longe do sol, e a região em volta fica com o sol abaixo do horizonte o dia inteiro. É o fenômeno inverso do sol da meia-noite: onde há um no verão, há o outro no inverno.
O Brasil tem noite polar?
Não. Em nenhuma cidade brasileira o sol deixa de nascer. Mesmo no dia mais curto do ano, o sol sobe todos os dias em todo o país. No extremo sul, a noite mais longa passa pouco de 14 horas; perto do equador, dia e noite ficam em torno de 12 horas o ano inteiro.
A noite polar é a melhor época para ver aurora boreal?
Sim. As auroras precisam de céu escuro para aparecer, e a noite polar oferece isso por semanas seguidas. Por isso Tromsø, Svalbard e o norte da Finlândia recebem tantos visitantes no inverno em busca das luzes do norte, apesar do frio e da falta de sol.
A noite polar deixa a cidade mais fria?
A falta de sol contribui, mas o frio vem sobretudo da latitude e da estação. O auge do frio nessas regiões costuma chegar em fevereiro e março, quando o sol já voltou a nascer. A noite polar e o pico de frio não coincidem.