Cidades onde o sol não se põe por 6 meses: onde é e quanto dura de verdade
Seis meses só no Polo Norte. Nas cidades, o sol da meia-noite dura de dias a quatro meses: Longyearbyen, Tromsø, Murmansk. Veja a lista e por quê.
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O sol não vai a lugar nenhum à noite. A Terra é que gira, uma volta a cada 24 horas, e leva o seu lado para a sombra. Do outro lado do mundo é dia.
O sol não vai a lugar nenhum quando anoitece. Ele fica onde sempre esteve, no centro do sistema solar, brilhando sem parar. Quem se mexe é a Terra, que gira sobre o próprio eixo uma volta a cada 24 horas. Quando o seu lado do planeta roda para longe do sol, cai a noite; quando volta a ficar de frente, amanhece. Enquanto é noite no Brasil, é dia no lado oposto da Terra, no Japão, na Indonésia, na Austrália. O sol continua aceso o tempo todo. O que muda é para onde a sua parte do mundo está virada.
Imagine uma pessoa segurando uma lanterna acesa no meio de uma sala escura, e você girando devagar no lugar, de olhos na parede. Metade do giro você está de frente para a lanterna e vê a luz. A outra metade você está de costas, e para você aquele lado ficou escuro. A lanterna não se apagou nem se mexeu; foi você que virou. Com a Terra e o sol é a mesma coisa. O sol é a lanterna, sempre acesa. A Terra é você, girando.
Essa rotação é o que chamamos de dia e noite. A Terra completa um giro em cerca de 24 horas, e é por isso que o dia tem 24 horas. No equador, essa volta é rápida de verdade: a superfície corre a cerca de 1.670 km/h, mais veloz que um avião a jato. Nós não sentimos nada porque tudo gira junto, o ar, os prédios, o mar e nós. Sem um ponto de referência parado por perto, o movimento é invisível, do mesmo jeito que dentro de um avião em voo estável você não sente os 900 km/h.

Como o sol ilumina sempre metade da Terra, quando é noite aqui é dia exatamente do lado oposto do globo. O ponto do planeta diametralmente oposto a um lugar chama-se antípoda. O antípoda do Brasil cai, em boa parte, no Oceano Pacífico e no Sudeste Asiático, então enquanto jantamos às oito da noite, gente do outro lado está começando a manhã. Não é o sol que "foi embora dormir": ele só está iluminando outra metade, e essa metade não é a nossa naquele instante.
É por isso que existem os fusos horários. À medida que a Terra gira, o meio-dia, o instante em que o sol está mais alto, acontece em horários diferentes em cada faixa de longitude. Quando é meio-dia em São Paulo, já é fim de tarde em Lisboa e madrugada em Tóquio. Cada lugar tem seu próprio nascer e pôr do sol conforme a hora em que a rotação o leva para a luz ou para a sombra. Você pode ver o horário do seu na página de nascer e pôr do sol.
Existe uma fronteira móvel entre a metade iluminada e a metade escura da Terra. Os astrônomos chamam essa linha de terminadouro, ou terminador. Vista do espaço, é a divisa entre o dia e a noite na superfície do planeta, e ela varre a Terra o tempo todo, na mesma velocidade da rotação. Quando o terminadouro passa pela sua cidade indo do dia para a noite, é o pôr do sol; quando passa no sentido contrário, é o amanhecer.
Essa linha não é uma parede nítida entre claro e escuro. Ela é uma faixa, porque a atmosfera espalha a luz do sol e mantém o céu iluminado por um tempo mesmo depois que o disco solar sumiu. É o crepúsculo, a luz que sobra do sol já posto. Por isso não escurece de repente: entre o pôr do sol e a noite fechada passam de 20 minutos a mais de uma hora, dependendo da sua latitude e da época do ano.
Se é a Terra que gira, por que juramos ver o sol atravessar o céu de leste a oeste? Porque, do nosso ponto de vista aqui de baixo, o efeito é idêntico. Como giramos de oeste para leste, tudo o que está no céu parece caminhar no sentido oposto, de leste para oeste. O sol nasce no lado leste, sobe, cruza o céu e se põe no lado oeste, mais ou menos 15° por hora. Não é o sol que anda; é o nosso horizonte que desce e sobe conforme rodamos.
A mesma ilusão vale para a Lua e para as estrelas, que também parecem cruzar o céu à noite. Todas nascem no leste e se põem no oeste pelo mesmo motivo: a Terra girando por baixo delas. Para entender o caminho que o sol desenha no céu ao longo do dia, e por que ele muda de altura com as estações, veja como o sol se move no céu.
Se a Terra gira sempre no mesmo ritmo, uma volta a cada 24 horas, por que a noite é mais longa no inverno e mais curta no verão? Porque o eixo em torno do qual ela gira é inclinado, cerca de 23,4°. Essa inclinação faz a linha que separa o dia da noite cortar o globo em ângulo, e não reto. No inverno do seu hemisfério, a sua região passa mais tempo do giro no lado escuro; no verão, mais tempo no lado iluminado. A rotação não muda; muda para que lado o seu pedaço do planeta está inclinado.
É a mesma inclinação que, levada ao extremo perto dos polos, faz o sol sumir por meses. E é ela que explica por que, quanto mais longe do equador, maior a diferença entre o dia mais longo e o mais curto do ano. Perto da linha do equador, dia e noite ficam quase sempre em 12 horas cada; no sul do Brasil, a diferença ao longo do ano já passa de quatro horas. O tema tem um guia próprio em por que os dias mudam de duração ao longo do ano.
Como a Terra gira de oeste para leste, o nascer do sol vai chegando primeiro ao leste e depois ao oeste. É por isso que, num país largo, o sol nasce antes de um lado. No Brasil, amanhece primeiro no litoral do Nordeste e só depois no Acre, com mais de duas horas de diferença de uma ponta à outra. O mesmo terminadouro que traz o dia a uma cidade ainda vai levar minutos ou horas para alcançar outra mais a oeste. Acompanhar esse desencontro de horários entre cidades é exatamente o que a página de nascer e pôr do sol mostra, cada lugar com o seu minuto.
Dizer que o sol "fica parado" é uma simplificação útil, e é a resposta certa para a pergunta do dia e da noite. Na escala maior, nada no universo está imóvel. O sol gira em torno do próprio eixo, leva os planetas consigo e orbita o centro da nossa galáxia, a Via Láctea, a mais de 800 mil km/h, numa volta que dura cerca de 230 milhões de anos. Só que esse movimento gigantesco não tem nada a ver com o anoitecer. O dia e a noite vêm apenas da rotação da Terra sobre si mesma. Para o que você vê da janela ao entardecer, o sol pode ser tratado como parado, e a Terra, como a peça que gira.
A sensação de que é o sol que se move é tão forte que, por quase toda a história, a humanidade acreditou nela. No modelo geocêntrico, defendido por Ptolomeu e aceito por mais de mil anos, a Terra estava parada no centro e o sol, a Lua e as estrelas giravam ao redor dela. Fazia sentido com o que os olhos mostravam. Só no século XVI Nicolau Copérnico colocou o sol no centro, e no século XVII Galileu Galilei, com o telescópio, reuniu provas de que é a Terra que se move. A ideia era tão contrária ao senso comum que gerou conflito, mas a observação venceu. Hoje sabemos, sem dúvida, que o palco gira e o holofote fica.
Há um lugar onde a resposta ganha um capítulo extra. Perto dos polos, no verão, a Terra gira sem que aquele pedaço do planeta chegue a virar para a sombra: o sol roda o horizonte sem se pôr, dia após dia. É o sol da meia-noite. No inverno acontece o oposto, e o sol some por semanas seguidas, a noite polar. Não é que o sol tenha ido a algum lugar diferente; é que a inclinação do eixo da Terra deixa aquela região voltada para a luz, ou para longe dela, por muito tempo. Veja onde isso acontece em cidades onde o sol não se põe por meses e no explicador sobre o sol da meia-noite. No Brasil isso nunca ocorre: aqui o sol se põe e nasce todo dia.