Dia mais longo e mais curto do ano no Brasil, por cidade
A duração do dia nos dois extremos do ano e a altura do sol ao meio-dia foram calculadas para cidades brasileiras.
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O sol da meia-noite depende da latitude e da época do ano, condições que só algumas cidades do planeta reúnem.
O sol da meia-noite é o período em que o sol fica 24 horas seguidas acima do horizonte, sem se pôr. Ele só acontece acima de cerca de 66,6° de latitude, dentro dos círculos polares, e dura de um dia a cerca de quatro meses nas cidades. Em Longyearbyen, no arquipélago de Svalbard, o sol não se põe de 20 de abril a 23 de agosto. Os seis meses seguidos só ocorrem nos polos geográficos, onde não há cidade. O ponto mais ao sul do Brasil, no arroio Chuí (RS), fica a cerca de 33,7° S, e por isso em nenhuma cidade brasileira o sol deixa de se pôr.
Hoje
O eixo da Terra é inclinado cerca de 23,4° em relação ao plano da sua órbita. Essa inclinação produz as estações do ano e também o sol da meia-noite.
No verão de cada hemisfério, o polo daquele lado fica voltado para o sol. A região em volta dele recebe luz durante todo o giro do planeta, nas 24 horas do dia.
Seis meses depois, a Terra está do outro lado da órbita e o mesmo polo fica voltado para longe do sol. O lugar que teve sol da meia-noite no verão entra na noite polar no inverno, com o sol abaixo do horizonte o dia inteiro.

O sol fica 24 horas acima do horizonte quando a latitude do lugar somada à declinação do sol chega a 90°. A declinação é a posição do sol ao norte ou ao sul do equador celeste, a linha do equador projetada no céu.
A declinação varia ao longo do ano entre -23,4° e +23,4°, o mesmo valor da inclinação do eixo. A menor latitude em que o sol pode deixar de se pôr é, portanto, 90° menos 23,4°, igual a 66,6°.
Essa linha é o círculo polar ártico, ao norte, e o círculo polar antártico, ao sul. Bem em cima dela, o fenômeno dura só o dia do solstício. Quanto mais perto do polo, mais dias ele dura.
Os seis meses seguidos de sol só acontecem no Polo Norte geográfico e no Polo Sul geográfico. Nesses dois pontos há gelo, oceano congelado e estações de pesquisa, mas nenhuma cidade.
No Polo Norte, o sol nasce por volta do equinócio de março e só se põe no equinócio de setembro, cerca de 186 dias depois. No Polo Sul, o período se inverte e vai de setembro a março.
Nas cidades habitadas, o número é bem menor. Em Longyearbyen, a comunidade civil mais ao norte do mundo, o sol fica cerca de quatro meses sem se pôr.
A tabela reúne lugares habitados com sol da meia-noite, do mais ao sul ao mais ao norte. O número de dias sobe junto com a latitude.
As datas variam um ou dois dias de um ano para outro. Variam também conforme a medição considera a borda superior ou o centro do disco solar.
| Local | Latitude | Período sem pôr do sol | Dias (aproximado) |
|---|---|---|---|
| Rovaniemi, Finlândia | 66,5° N | em torno do solstício de junho | poucos dias |
| Murmansk, Rússia | 69,0° N | ~22 mai a 22 jul | ~60 |
| Tromsø, Noruega | 69,6° N | ~20 mai a 22 jul | ~63 |
| Utqiagvik (Barrow), Alasca | 71,3° N | ~11 mai a 1º ago | ~82 |
| Longyearbyen, Svalbard | 78,2° N | 20 abr a 23 ago | ~125 |
| Polo Norte geográfico, 90° N: sol acima do horizonte do equinócio de março ao de setembro, ~186 dias | |||
Murmansk, na Rússia, tem cerca de 270 mil habitantes e é a maior cidade do mundo dentro do círculo polar ártico. A cidade tem porto, ferrovia e trânsito, e funciona normalmente durante os dois meses de sol contínuo.
Tromsø, no norte da Noruega, é chamada de capital do Ártico norueguês e recebe visitantes que vão ver o fenômeno. Utqiagvik, no extremo norte do Alasca, se chamava Barrow até 2016 e tem quase três meses de sol contínuo no verão.
Na Noruega, também ficam dentro do círculo polar as cidades de Alta e Hammerfest. O norte da Suécia e o da Finlândia também têm cidades com sol da meia-noite, como Kiruna, na Suécia.

O sol se move o tempo todo, cerca de 15° por hora, como em qualquer lugar da Terra. Durante o sol da meia-noite, ele descreve um círculo quase completo em torno do observador, sempre acima da linha do horizonte.
À meia-noite, o sol está baixo, no rumo do norte. Ao meio-dia, está mais alto, no rumo do sul. Como o círculo não cruza o horizonte, o sol não se põe.
A altura do sol durante o sol da meia-noite depende da latitude. Em Tromsø, a 69,6° N, no auge do verão, o sol chega a cerca de 44° acima do horizonte ao meio-dia e desce a uns 3° à meia-noite.
Em Longyearbyen, a 78,2° N, o sol fica entre uns 12° à meia-noite e 35° ao meio-dia. O sol baixo tem de atravessar uma camada mais espessa de atmosfera, e a luz fica dourada por horas.
A luz rasante da madrugada polar é parecida com a da golden hour no Brasil, que dura poucos minutos por dia. No norte, a mesma luz dura horas seguidas, e por isso Svalbard e o Cabo Norte, na ponta da Noruega, atraem fotógrafos de paisagem.
O sol da meia-noite acontece nos dois hemisférios, mas as cidades com o fenômeno ficam quase todas no norte. Em volta do círculo polar ártico há terra habitada há séculos, na Noruega, Suécia, Finlândia, Rússia, Alasca, norte do Canadá e Groenlândia.
Em volta do círculo polar antártico há o continente antártico, cercado de oceano e sem população permanente. As bases de pesquisa têm sol da meia-noite, mas não são cidades.
Ushuaia, na Argentina, a cerca de 54,8° S, é uma das cidades mais ao sul do mundo e fica fora do círculo polar, a mais de 11° de latitude dele. No verão, o dia passa de 17 horas, mas o sol se põe todos os dias, perto da meia-noite.
Sem a noite escura, o organismo perde a referência que usa para regular o sono e a vigília. Moradores e visitantes costumam dormir com cortina blackout ou máscara nos olhos.
Muitos moradores relatam noites de sono mais curtas no auge do verão, compensadas depois. No inverno, a situação se inverte, e a falta de luz é que afeta o ânimo.
Nos países nórdicos, o solstício de junho é uma das principais festas populares do ano, o midsummer, com fogueiras e reuniões que atravessam a madrugada clara. Há corridas, festivais de música e partidas de golfe de madrugada, com o sol baixo no rumo do norte.
Cruzeiros sobem a costa da Noruega no verão para mostrar aos passageiros a meia-noite com sol. Cabo Norte e Kiruna recebem visitantes que vão ver o sol descer ao ponto mais baixo do céu e voltar a subir sem se pôr.
A tabela mostra a duração do dia mais longo do ano, o do solstício de verão de cada hemisfério. As cidades brasileiras foram calculadas pelo motor astronômico do site; a duração passa a ser de 24 horas depois do círculo polar.
| Local | Latitude | Maior dia do ano | Sol da meia-noite? |
|---|---|---|---|
| Macapá, AP | 0,0° | 12h08 | não |
| Boa Vista, RR | 2,8° N | 12h17 | não |
| São Paulo, SP | 23,5° S | 13h35 | não |
| Porto Alegre, RS | 30,0° S | 14h05 | não |
| Pelotas, RS | 31,8° S | 14h14 | não |
| Chuí, RS (extremo sul do país) | 33,7° S | 14h24 | não |
| Ushuaia, Argentina | 54,8° S | ~17h15 | não |
| Círculo polar, a 66,6° de latitude | |||
| Tromsø, Noruega | 69,6° N | 24 h | sim |
| Longyearbyen, Svalbard | 78,2° N | 24 h | sim |
O arroio Chuí, ponto mais ao sul do país, fica a cerca de 33° de latitude do círculo polar antártico, a metade do caminho. O sol da meia-noite nunca acontece em território brasileiro, e o sol nasce e se põe todos os dias.
As capitais mais ao sul, como Porto Alegre (30° S) e Florianópolis (27,6° S), ficam a mais de 36° de latitude do círculo polar. Entre o verão e o inverno, muda só o número de horas que o sol passa no céu.
Perto do equador, em Macapá e Boa Vista, o dia e a noite ficam em torno de 12 horas cada durante o ano inteiro. No extremo sul, em Porto Alegre, Pelotas e Chuí, a diferença entre o dia mais longo e o mais curto passa de quatro horas.
Boa Vista, a 2,8° N, fica ao norte do equador, e lá o dia mais longo do ano cai em junho, no verão do Hemisfério Norte. A curva dia a dia de cada cidade está nos calendários do sol, e a tabela completa por latitude, no artigo sobre o dia mais longo e mais curto do ano por cidade.
No inverno brasileiro, o sol nasce mais tarde, sobe menos e se põe mais cedo. O sol mais baixo deixa os crepúsculos mais longos, e a posição dele serve para achar o norte pelo sol.
No Rio Grande do Sul, nas noites claras de dezembro e janeiro, o horizonte a sul e a leste guarda um resto de luz azulada até tarde. O sol fica poucos graus abaixo do horizonte, pelo mesmo mecanismo geométrico do sol da meia-noite, em escala bem menor.
As três faixas dessa luz depois do pôr do sol estão explicadas no artigo sobre o crepúsculo civil, náutico e astronômico.
A meia-noite é uma hora do relógio, ligada ao fuso horário, e não à posição do sol. Em Tromsø, no verão, à meia-noite o céu está claro.
O sol da meia-noite também não tem relação com o horário de verão. O horário de verão muda os ponteiros do relógio por decreto, e o sol da meia-noite depende só da latitude e da época do ano.
As noites brancas são outro fenômeno. Em cidades logo abaixo do círculo polar, como Reykjavík e São Petersburgo, o sol se põe no verão, mas desce tão pouco abaixo do horizonte que o céu não escurece por completo durante a noite.
Os horários de nascer e pôr do sol de cada cidade brasileira, em qualquer data do ano, estão na busca de nascer e pôr do sol por cidade.