Dia mais longo e mais curto do ano no Brasil, por cidade
O dia mais longo cai no solstício de dezembro e o mais curto no de junho. A diferença vai de minutos em Macapá a 4 horas em Pelotas. Tabela por latitude.
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Equinócio é o dia de 12 horas de luz; solstício é o dia mais longo ou mais curto do ano. Veja as datas de 2026 e 2027 e quanto muda a duração por cidade.
O equinócio é o dia em que o sol cruza o equador celeste e o dia e a noite duram quase o mesmo em todo o planeta, perto de 12 horas cada. O solstício é o oposto: o momento em que o sol chega ao ponto mais ao norte ou mais ao sul do céu, marcando o dia mais longo e o mais curto do ano. No Hemisfério Sul, onde está o Brasil, o solstício de junho abre o inverno (dia mais curto) e o solstício de dezembro abre o verão (dia mais longo). Em 2026, no horário de Brasília, as datas são 20 de março, 21 de junho, 22 de setembro e 21 de dezembro.
Os dois fenômenos nascem da mesma causa: o eixo da Terra é inclinado cerca de 23,4° em relação ao plano da órbita. Ao longo do ano, essa inclinação faz o sol parecer subir e descer em relação ao equador celeste, a linha imaginária que projeta o equador da Terra no céu. Nos equinócios (março e setembro) o sol passa exatamente por essa linha, e a fronteira entre o dia e a noite corta os dois polos. Por isso o dia e a noite ficam quase iguais no mundo todo. Nos solstícios (junho e dezembro) o sol atinge sua maior distância do equador celeste, e a diferença entre dia e noite chega ao extremo.
Os nomes contam a história. Equinócio vem do latim e quer dizer noite igual, aequus (igual) mais nox (noite). Solstício vem de sol parado, sol mais sistere (deter-se): nessa época do ano, o ponto onde o sol nasce quase não muda de um dia para o outro, como se ele estacionasse antes de refazer o caminho de volta. É uma descrição precisa do que se vê no horizonte.
No Hemisfério Sul tudo fica invertido em relação ao que se lê em textos escritos no Hemisfério Norte. Aqui o solstício de junho é o dia mais curto, início do inverno, e o solstício de dezembro é o dia mais longo, início do verão. Os equinócios de março e setembro abrem, respectivamente, o outono e a primavera.

Os instantes abaixo estão no horário de Brasília (UTC-3). O horário exato importa mais do que parece: em setembro de 2026, por exemplo, o equinócio cai às 21h05 do dia 22 em Brasília, embora em tempo universal já seja o dia 23. Por isso a data que vale para o calendário brasileiro pode diferir em um dia da que aparece em fontes internacionais, que costumam publicar em UTC.
| Evento (Hemisfério Sul) | 2026 | 2027 |
|---|---|---|
| Equinócio de março início do outono | 20/03 · 11h45 | 20/03 · 17h24 |
| Solstício de junho início do inverno · dia mais curto | 21/06 · 05h25 | 21/06 · 11h10 |
| Equinócio de setembro início da primavera | 22/09 · 21h05 | 23/09 · 03h01 |
| Solstício de dezembro início do verão · dia mais longo | 21/12 · 17h50 | 21/12 · 23h42 |
As datas variam de um ano para o outro porque o ano do calendário (365 dias) não bate certinho com o ano solar, que dura cerca de 365,2422 dias. Essa sobra de quase seis horas por ano empurra o horário do evento para mais tarde a cada ano, até o 29 de fevereiro do ano bissexto puxar tudo de volta. É por isso que o mesmo equinócio pode cair no dia 20, 21, 22 ou 23. Para 2026 e 2027, os equinócios ficam entre 20 e 23; os solstícios, entre 21 e 22.
O equinócio tem um efeito visível que quase ninguém repara: é o único par de dias do ano em que o sol nasce exatamente a leste e se põe exatamente a oeste, em qualquer ponto do planeta, do equador aos polos. Nas outras épocas, ele nasce um pouco deslocado para o norte (no nosso inverno) ou para o sul (no nosso verão). Se você quiser calibrar uma bússola, alinhar uma antena ou simplesmente descobrir onde fica o leste da sua janela, o nascer do sol do equinócio é a régua mais confiável que existe. O guia de como achar o norte pelo sol usa justamente esse princípio, e o de como o sol se move no céu mostra como o ponto de nascer passeia pelo horizonte ao longo do ano.
Já no solstício, o sol chega ao alto do céu. No de dezembro, ao meio-dia solar, uma cidade como São Paulo (23,5° S, quase em cima do Trópico de Capricórnio) vê o sol a quase 90° de altura, praticamente a pino. Nesse dia, ao meio-dia, um poste fica quase sem sombra. No solstício de junho o mesmo sol paulistano mal passa dos 43° de altura, e as sombras ficam compridas o dia inteiro. Esse ângulo é o que muda a intensidade da luz e do calor entre as estações, tema também do zênite e o meio-dia solar.
No equinócio, o dia e a noite duram quase 12 horas em qualquer ponto do Brasil, do extremo norte ao extremo sul. No solstício, a diferença depende da latitude: quanto mais longe do equador, maior o contraste entre verão e inverno. Perto da linha do equador quase nada muda o ano inteiro; no Rio Grande do Sul, a diferença entre o dia mais longo e o mais curto passa de quatro horas.
| Cidade | Latitude | Equinócios | Solstício jun (inverno) | Solstício dez (verão) |
|---|---|---|---|---|
| Macapá, AP | 0,0° | 12h07 | 12h08 | 12h07 |
| Fortaleza, CE | 3,7° S | 12h07 | 11h54 | 12h21 |
| Recife, PE | 8,1° S | 12h07 | 11h39 | 12h36 |
| Brasília, DF | 15,8° S | 12h07 | 11h11 | 13h04 |
| São Paulo, SP | 23,5° S | 12h07 | 10h41 | 13h35 |
| Porto Alegre, RS | 30,0° S | 12h08 | 10h13 | 14h05 |
| Pelotas, RS | 31,8° S | 12h08 | 10h04 | 14h14 |
Duas coisas saltam da tabela. Primeiro: no equinócio, todas as cidades marcam praticamente as mesmas 12h07, e não 12h exatas. Os poucos minutos a mais vêm da refração da atmosfera, que ergue a imagem do sol quando ele está perto do horizonte, e do tamanho do disco solar, que fazem o nascer parecer um pouco mais cedo e o pôr um pouco mais tarde. Segundo: no solstício, a diferença entre o inverno de junho e o verão de dezembro cresce com a latitude, de quase nada em Macapá a mais de quatro horas em Pelotas.
Quando você lê que o verão começa em 21 de dezembro, essa é a definição astronômica, amarrada ao solstício. Meteorologistas e climatologistas costumam usar outra régua, mais prática para comparar dados de um ano com o outro: a estação meteorológica, que agrupa os meses inteiros. No Hemisfério Sul, o verão meteorológico vai de 1º de dezembro a 28 de fevereiro; o inverno, de 1º de junho a 31 de agosto. As duas definições não coincidem, e nenhuma está errada. Uma segue o sol; a outra, o calendário e a temperatura média.
Há ainda um descompasso que confunde muita gente: o dia mais longo do ano não é o dia mais quente, e o mais curto não é o mais frio. O clima demora a responder porque o solo e, principalmente, os oceanos levam semanas para acumular ou perder calor. Por isso o auge do calor no Brasil costuma vir em janeiro e fevereiro, e o frio mais rigoroso, em julho, semanas depois de cada solstício. É o chamado atraso das estações.
No Brasil, mesmo no solstício, o sol sempre nasce e sempre se põe. Isso só deixaria de acontecer dentro dos círculos polares, acima de cerca de 66,6° de latitude, muito além do extremo sul do país, que fica perto de 33,7° S. É por isso que aqui não existe sol da meia-noite nem noite polar: o que muda entre as estações é apenas quantas horas o sol passa acima do horizonte.
Outro detalhe pega quase todo mundo de surpresa: o dia mais curto (solstício de junho) não é o dia em que o sol se põe mais cedo. Por causa da equação do tempo, o pôr do sol mais adiantado do ano acontece algumas semanas antes do solstício, e o nascer mais tardio, algumas semanas depois. Se a sua dúvida é justamente quando anoitece mais cedo no Brasil, é esse descompasso que explica.
A duração do dia muda todo dia, não só nos quatro marcos do ano. Para acompanhar a curva ao longo do ano na sua cidade, com o horário exato do nascer e do pôr do sol dia a dia, use os calendários do sol ou abra a página da sua cidade: