Dia mais longo e mais curto do ano no Brasil, por cidade
A duração do dia nos dois extremos do ano e a altura do sol ao meio-dia foram calculadas para cidades brasileiras.
Ler artigo →Astronomia prática
Equinócios e solstícios marcam a troca das estações astronômicas, que não coincidem com as estações meteorológicas usadas no Brasil.
O equinócio é o dia em que o sol cruza o equador celeste e o dia e a noite duram quase o mesmo em todo o planeta, perto de 12 horas cada. O solstício é o momento em que o sol chega ao ponto mais ao norte ou mais ao sul do céu, e marca o dia mais longo e o mais curto do ano.
No Hemisfério Sul, onde está o Brasil, o solstício de junho abre o inverno (dia mais curto) e o solstício de dezembro abre o verão (dia mais longo). Em 2026, no horário de Brasília, as datas são 20 de março, 21 de junho, 22 de setembro e 21 de dezembro.
Brasília, DF · hoje
Os dois fenômenos têm a mesma causa. O eixo da Terra é inclinado cerca de 23,4° em relação ao plano da órbita. Ao longo do ano, essa inclinação faz o sol parecer subir e descer em relação ao equador celeste, a linha imaginária que projeta o equador da Terra no céu.
Nos equinócios (março e setembro) o sol passa exatamente por essa linha, e a fronteira entre o dia e a noite corta os dois polos, com dia e noite quase iguais no mundo todo. Nos solstícios (junho e dezembro) o sol atinge a maior distância do equador celeste, e a diferença entre dia e noite chega ao extremo.
Os nomes descrevem os fenômenos. Equinócio vem do latim e quer dizer noite igual, aequus (igual) mais nox (noite). Solstício vem de sol parado, sol mais sistere (deter-se). Nessa época do ano, o ponto onde o sol nasce quase não muda de um dia para o outro, como se ele parasse antes de fazer o caminho de volta.
No Hemisfério Sul as estações ficam invertidas em relação aos textos escritos no Hemisfério Norte. No Brasil, o solstício de junho é o dia mais curto, início do inverno, e o solstício de dezembro é o dia mais longo, início do verão. Os equinócios de março e setembro abrem, respectivamente, o outono e a primavera.

Os instantes da tabela estão no horário de Brasília (UTC-3). O horário exato pode mudar a data. Em setembro de 2026, o equinócio cai às 21h05 do dia 22 em Brasília, e em tempo universal já é dia 23. Por isso a data do calendário brasileiro pode diferir em um dia da que aparece em fontes internacionais, que costumam publicar em UTC.
| Evento (Hemisfério Sul) | 2026 | 2027 |
|---|---|---|
| Equinócio de março início do outono | 20/03 · 11h45 | 20/03 · 17h24 |
| Solstício de junho início do inverno · dia mais curto | 21/06 · 05h25 | 21/06 · 11h10 |
| Equinócio de setembro início da primavera | 22/09 · 21h05 | 23/09 · 03h01 |
| Solstício de dezembro início do verão · dia mais longo | 21/12 · 17h50 | 21/12 · 23h42 |
As datas variam de um ano para o outro porque o ano do calendário (365 dias) difere do ano solar, que dura cerca de 365,2422 dias. Essa sobra de quase seis horas por ano empurra o horário do evento para mais tarde a cada ano, até o 29 de fevereiro do ano bissexto trazer o calendário de volta.
Por isso o mesmo equinócio pode cair no dia 20, 21, 22 ou 23. Em 2026 e 2027, os equinócios ficam entre 20 e 23, e os solstícios, entre 21 e 22.
O equinócio é o único par de dias do ano em que o sol nasce exatamente a leste e se põe exatamente a oeste, em qualquer ponto do planeta, do equador aos polos. Nas outras épocas, ele nasce um pouco deslocado para o norte (no inverno brasileiro) ou para o sul (no verão brasileiro).
Para calibrar uma bússola, alinhar uma antena ou achar o leste a partir de uma janela, o nascer do sol do equinócio é a referência mais confiável. O guia de como achar o norte pelo sol usa esse princípio, e o de como o sol se move no céu mostra como o ponto de nascer muda ao longo do horizonte durante o ano.
No solstício de dezembro, o sol do meio-dia chega à maior altura do ano no Sul e no Sudeste, e no de junho, à menor. A altura em cada solstício, com o exemplo de São Paulo, está no artigo sobre o dia mais longo e mais curto do ano, e o ângulo em si, no do zênite e o meio-dia solar.
No equinócio, o dia e a noite duram quase 12 horas em qualquer ponto do Brasil, do extremo norte ao extremo sul. No solstício, a diferença depende da latitude, e quanto mais longe do equador, maior o contraste entre verão e inverno. Perto da linha do equador quase nada muda o ano inteiro; no Rio Grande do Sul, a diferença entre o dia mais longo e o mais curto passa de quatro horas.
| Cidade | Latitude | Equinócios | Solstício jun (inverno) | Solstício dez (verão) |
|---|---|---|---|---|
| Macapá, AP | 0,0° | 12h07 | 12h08 | 12h07 |
| Fortaleza, CE | 3,7° S | 12h07 | 11h54 | 12h21 |
| Recife, PE | 8,1° S | 12h07 | 11h39 | 12h36 |
| Brasília, DF | 15,8° S | 12h07 | 11h11 | 13h04 |
| São Paulo, SP | 23,5° S | 12h07 | 10h41 | 13h35 |
| Porto Alegre, RS | 30,0° S | 12h08 | 10h13 | 14h05 |
| Pelotas, RS | 31,8° S | 12h08 | 10h04 | 14h14 |
A tabela traz dois padrões. No equinócio, todas as cidades marcam praticamente as mesmas 12h07, alguns minutos acima de 12h exatas. Os minutos a mais vêm da refração da atmosfera, que ergue a imagem do sol quando ele está perto do horizonte, e do tamanho do disco solar, que fazem o nascer parecer um pouco mais cedo e o pôr um pouco mais tarde.
No solstício, a diferença entre o inverno de junho e o verão de dezembro cresce com a latitude, de quase nada em Macapá a mais de quatro horas em Pelotas.
A data de 21 de dezembro para o início do verão segue a definição astronômica, ligada ao solstício. Meteorologistas e climatologistas costumam usar a estação meteorológica, que agrupa meses inteiros e facilita comparar dados de um ano com o outro.
No Hemisfério Sul, o verão meteorológico vai de 1º de dezembro a 28 de fevereiro, e o inverno, de 1º de junho a 31 de agosto. As duas definições não coincidem e as duas são corretas, porque a astronômica segue o sol, e a meteorológica segue o calendário e a temperatura média.
O dia mais longo do ano também não coincide com o dia mais quente, nem o mais curto com o mais frio. O auge do calor e do frio chega semanas depois de cada solstício, efeito chamado atraso das estações e explicado no artigo sobre o dia mais longo e mais curto do ano.
No Brasil, mesmo no solstício, o sol sempre nasce e sempre se põe. Isso só deixaria de acontecer dentro dos círculos polares, acima de cerca de 66,6° de latitude, muito além do extremo sul do país, que fica perto de 33,7° S. Por isso o Brasil não tem sol da meia-noite nem noite polar, e entre as estações muda apenas o número de horas que o sol passa acima do horizonte.
O dia mais curto (solstício de junho) também não é o dia em que o sol se põe mais cedo. Por causa da equação do tempo, o pôr do sol mais adiantado do ano acontece algumas semanas antes do solstício, e o nascer mais tardio, algumas semanas depois. Esse descompasso explica quando anoitece mais cedo no Brasil.
O dia e a hora exata de cada solstício e equinócio deste ano e do próximo, com a contagem até o próximo, estão na calculadora de solstícios e equinócios.
A duração do dia muda todo dia. A curva ao longo do ano, com o horário exato do nascer e do pôr do sol dia a dia, aparece nos calendários do sol e na página de cada cidade: