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Astronomia prática

Equinócio e solstício no Brasil: datas de 2026 e 2027

Equinócio é o dia de 12 horas de luz; solstício é o dia mais longo ou mais curto do ano. Veja as datas de 2026 e 2027 e quanto muda a duração por cidade.

Atualizado em 22/05/2026 11 min de leitura

O equinócio é o dia em que o sol cruza o equador celeste e o dia e a noite duram quase o mesmo em todo o planeta, perto de 12 horas cada. O solstício é o oposto: o momento em que o sol chega ao ponto mais ao norte ou mais ao sul do céu, marcando o dia mais longo e o mais curto do ano. No Hemisfério Sul, onde está o Brasil, o solstício de junho abre o inverno (dia mais curto) e o solstício de dezembro abre o verão (dia mais longo). Em 2026, no horário de Brasília, as datas são 20 de março, 21 de junho, 22 de setembro e 21 de dezembro.

O que são, e de onde vêm os nomes

Os dois fenômenos nascem da mesma causa: o eixo da Terra é inclinado cerca de 23,4° em relação ao plano da órbita. Ao longo do ano, essa inclinação faz o sol parecer subir e descer em relação ao equador celeste, a linha imaginária que projeta o equador da Terra no céu. Nos equinócios (março e setembro) o sol passa exatamente por essa linha, e a fronteira entre o dia e a noite corta os dois polos. Por isso o dia e a noite ficam quase iguais no mundo todo. Nos solstícios (junho e dezembro) o sol atinge sua maior distância do equador celeste, e a diferença entre dia e noite chega ao extremo.

Os nomes contam a história. Equinócio vem do latim e quer dizer noite igual, aequus (igual) mais nox (noite). Solstício vem de sol parado, sol mais sistere (deter-se): nessa época do ano, o ponto onde o sol nasce quase não muda de um dia para o outro, como se ele estacionasse antes de refazer o caminho de volta. É uma descrição precisa do que se vê no horizonte.

No Hemisfério Sul tudo fica invertido em relação ao que se lê em textos escritos no Hemisfério Norte. Aqui o solstício de junho é o dia mais curto, início do inverno, e o solstício de dezembro é o dia mais longo, início do verão. Os equinócios de março e setembro abrem, respectivamente, o outono e a primavera.

Diagrama da órbita da Terra ao redor do sol com as quatro estações: equinócios de março e setembro e solstícios de junho e dezembro.
As estações indicadas seguem cada hemisfério. O solstício de junho abre o inverno brasileiro; o de dezembro, o verão. Imagem: Colivine, CC0 (via Wikimedia Commons).

Datas de 2026 e 2027 no Brasil

Os instantes abaixo estão no horário de Brasília (UTC-3). O horário exato importa mais do que parece: em setembro de 2026, por exemplo, o equinócio cai às 21h05 do dia 22 em Brasília, embora em tempo universal já seja o dia 23. Por isso a data que vale para o calendário brasileiro pode diferir em um dia da que aparece em fontes internacionais, que costumam publicar em UTC.

Equinócios e solstícios em 2026 e 2027, horário de Brasília. Instantes pela algoritmia de Meeus, conferidos contra a efeméride do U.S. Naval Observatory.
Evento (Hemisfério Sul)20262027
Equinócio de março início do outono20/03 · 11h4520/03 · 17h24
Solstício de junho início do inverno · dia mais curto21/06 · 05h2521/06 · 11h10
Equinócio de setembro início da primavera22/09 · 21h0523/09 · 03h01
Solstício de dezembro início do verão · dia mais longo21/12 · 17h5021/12 · 23h42

As datas variam de um ano para o outro porque o ano do calendário (365 dias) não bate certinho com o ano solar, que dura cerca de 365,2422 dias. Essa sobra de quase seis horas por ano empurra o horário do evento para mais tarde a cada ano, até o 29 de fevereiro do ano bissexto puxar tudo de volta. É por isso que o mesmo equinócio pode cair no dia 20, 21, 22 ou 23. Para 2026 e 2027, os equinócios ficam entre 20 e 23; os solstícios, entre 21 e 22.

O que acontece no céu no dia do equinócio

O equinócio tem um efeito visível que quase ninguém repara: é o único par de dias do ano em que o sol nasce exatamente a leste e se põe exatamente a oeste, em qualquer ponto do planeta, do equador aos polos. Nas outras épocas, ele nasce um pouco deslocado para o norte (no nosso inverno) ou para o sul (no nosso verão). Se você quiser calibrar uma bússola, alinhar uma antena ou simplesmente descobrir onde fica o leste da sua janela, o nascer do sol do equinócio é a régua mais confiável que existe. O guia de como achar o norte pelo sol usa justamente esse princípio, e o de como o sol se move no céu mostra como o ponto de nascer passeia pelo horizonte ao longo do ano.

Já no solstício, o sol chega ao alto do céu. No de dezembro, ao meio-dia solar, uma cidade como São Paulo (23,5° S, quase em cima do Trópico de Capricórnio) vê o sol a quase 90° de altura, praticamente a pino. Nesse dia, ao meio-dia, um poste fica quase sem sombra. No solstício de junho o mesmo sol paulistano mal passa dos 43° de altura, e as sombras ficam compridas o dia inteiro. Esse ângulo é o que muda a intensidade da luz e do calor entre as estações, tema também do zênite e o meio-dia solar.

O que muda no dia e na noite, por cidade

No equinócio, o dia e a noite duram quase 12 horas em qualquer ponto do Brasil, do extremo norte ao extremo sul. No solstício, a diferença depende da latitude: quanto mais longe do equador, maior o contraste entre verão e inverno. Perto da linha do equador quase nada muda o ano inteiro; no Rio Grande do Sul, a diferença entre o dia mais longo e o mais curto passa de quatro horas.

Duração do dia (do nascer ao pôr do sol) nos equinócios e solstícios de 2026, calculada pelo motor solar do site.
CidadeLatitudeEquinóciosSolstício jun
(inverno)
Solstício dez
(verão)
Macapá, AP0,0°12h0712h0812h07
Fortaleza, CE3,7° S12h0711h5412h21
Recife, PE8,1° S12h0711h3912h36
Brasília, DF15,8° S12h0711h1113h04
São Paulo, SP23,5° S12h0710h4113h35
Porto Alegre, RS30,0° S12h0810h1314h05
Pelotas, RS31,8° S12h0810h0414h14

Duas coisas saltam da tabela. Primeiro: no equinócio, todas as cidades marcam praticamente as mesmas 12h07, e não 12h exatas. Os poucos minutos a mais vêm da refração da atmosfera, que ergue a imagem do sol quando ele está perto do horizonte, e do tamanho do disco solar, que fazem o nascer parecer um pouco mais cedo e o pôr um pouco mais tarde. Segundo: no solstício, a diferença entre o inverno de junho e o verão de dezembro cresce com a latitude, de quase nada em Macapá a mais de quatro horas em Pelotas.

Estação astronômica e estação do calendário não são a mesma coisa

Quando você lê que o verão começa em 21 de dezembro, essa é a definição astronômica, amarrada ao solstício. Meteorologistas e climatologistas costumam usar outra régua, mais prática para comparar dados de um ano com o outro: a estação meteorológica, que agrupa os meses inteiros. No Hemisfério Sul, o verão meteorológico vai de 1º de dezembro a 28 de fevereiro; o inverno, de 1º de junho a 31 de agosto. As duas definições não coincidem, e nenhuma está errada. Uma segue o sol; a outra, o calendário e a temperatura média.

Há ainda um descompasso que confunde muita gente: o dia mais longo do ano não é o dia mais quente, e o mais curto não é o mais frio. O clima demora a responder porque o solo e, principalmente, os oceanos levam semanas para acumular ou perder calor. Por isso o auge do calor no Brasil costuma vir em janeiro e fevereiro, e o frio mais rigoroso, em julho, semanas depois de cada solstício. É o chamado atraso das estações.

Por que o dia não vira nem 24 horas nem zero

No Brasil, mesmo no solstício, o sol sempre nasce e sempre se põe. Isso só deixaria de acontecer dentro dos círculos polares, acima de cerca de 66,6° de latitude, muito além do extremo sul do país, que fica perto de 33,7° S. É por isso que aqui não existe sol da meia-noite nem noite polar: o que muda entre as estações é apenas quantas horas o sol passa acima do horizonte.

Outro detalhe pega quase todo mundo de surpresa: o dia mais curto (solstício de junho) não é o dia em que o sol se põe mais cedo. Por causa da equação do tempo, o pôr do sol mais adiantado do ano acontece algumas semanas antes do solstício, e o nascer mais tardio, algumas semanas depois. Se a sua dúvida é justamente quando anoitece mais cedo no Brasil, é esse descompasso que explica.

Ver na sua cidade

A duração do dia muda todo dia, não só nos quatro marcos do ano. Para acompanhar a curva ao longo do ano na sua cidade, com o horário exato do nascer e do pôr do sol dia a dia, use os calendários do sol ou abra a página da sua cidade:

São Paulo, SP
23,5° S
13h35
Maior dia do ano, no solstício de dezembro. Ver São Paulo.
Rio de Janeiro, RJ
22,9° S
13h33
Diferença de quase 2h50 entre verão e inverno. Ver Rio de Janeiro.
Porto Alegre, RS
30,0° S
14h05
Verões longos, invernos curtos. Ver Porto Alegre.
Recife, PE
8,1° S
12h36
Perto do equador, o dia varia pouco. Ver Recife.

Perguntas frequentes

Quais são as datas do equinócio e do solstício em 2026?
No horário de Brasília: equinócio de março em 20/03/2026, solstício de junho em 21/06/2026, equinócio de setembro em 22/09/2026 e solstício de dezembro em 21/12/2026. No Hemisfério Sul, o solstício de junho abre o inverno e o de dezembro abre o verão.
Qual é a diferença entre equinócio e solstício?
No equinócio (março e setembro) o sol cruza o equador celeste e o dia e a noite duram quase 12 horas em todo o planeta. No solstício (junho e dezembro) o sol chega ao ponto mais ao norte ou mais ao sul, marcando o dia mais longo e o mais curto do ano.
No Brasil, o solstício de dezembro é verão ou inverno?
É verão. O Brasil está no Hemisfério Sul, então tudo se inverte em relação ao Hemisfério Norte: o solstício de dezembro é o início do verão e o dia mais longo do ano, enquanto o solstício de junho é o início do inverno e o dia mais curto.
Por que as datas mudam de um ano para o outro?
Porque o ano do calendário tem 365 dias, mas o ano solar dura cerca de 365,2422 dias. Essa sobra de quase seis horas empurra o horário do evento para mais tarde a cada ano, até o 29 de fevereiro do ano bissexto puxar tudo de volta. Por isso o mesmo evento pode cair no dia 20, 21, 22 ou 23.
No equinócio o dia dura exatamente 12 horas?
Quase. No equinócio a duração fica em torno de 12h07 no Brasil, alguns minutos acima de 12 horas exatas. O extra vem da refração da atmosfera, que ergue a imagem do sol perto do horizonte, e do tamanho do disco solar, que fazem o nascer parecer um pouco mais cedo e o pôr um pouco mais tarde.