Dia mais longo e mais curto do ano no Brasil, por cidade
A duração do dia nos dois extremos do ano e a altura do sol ao meio-dia foram calculadas para cidades brasileiras.
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O horário de verão vigorou no Brasil entre 1931 e 2019, com interrupções, e alterava o horário do nascer e do pôr do sol.
O horário de verão foi adotado no Brasil pela primeira vez em 1931, no governo Getúlio Vargas, e passou a valer todo ano de 1985 a 2019. Foi extinto em 2019 pelo Decreto nº 9.772, de 25 de abril de 2019, assinado com base em estudos do Ministério de Minas e Energia que apontaram economia de energia cada vez menor.
Enquanto vigorou, ele adiantava os relógios em uma hora nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e o sol passava a nascer e se pôr uma hora mais tarde no relógio, sem mudança nenhuma no céu. Hoje o país inteiro segue o horário padrão o ano todo.
A prática de adiantar o relógio no verão se espalhou pelo mundo durante a Primeira Guerra, quando vários países buscavam economizar carvão e querosene com o uso da luz da tarde. No Brasil, a estreia veio por um decreto de 1º de outubro de 1931. Às 11h do dia 3 de outubro daquele ano, todos os relógios do país foram adiantados em uma hora, e o primeiro horário de verão brasileiro durou quase seis meses, até 31 de março de 1932.
O decreto de Vargas trazia duas justificativas, o proveito para o tesouro público e a economia de luz artificial. O texto destacava a simplicidade da medida, que consistia, nas palavras da época, apenas em avançar em uma hora os ponteiros dos relógios. Em 1933 a prática foi suspensa, e começou um longo período de idas e vindas.

Entre os anos 1930 e o início dos anos 1980, o horário de verão entrou e saiu de vigor várias vezes, às vezes por motivo de energia, às vezes por conjuntura política. Houve anos com a medida, anos sem ela e mudanças no conjunto de estados abrangidos. Em 1985 a regra ganhou continuidade, e o horário de verão passou a fazer parte do calendário nacional.
Na última configuração, até 2018, o horário de verão valia só em parte do país, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Os estados eram Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal. O Norte e o Nordeste ficavam de fora.
Nos últimos anos de vigência, o Norte e o Nordeste ficaram de fora por causa da latitude. As exceções recentes foram a Bahia, incluída no verão de 2011 para 2012 por um decreto de 13 de outubro de 2011, e o Tocantins, que entrou no lugar dela no verão seguinte por um decreto de 15 de outubro de 2012. O horário de verão só rende quando os dias de verão são bem mais longos que a média, porque ele desloca para o relógio a claridade extra da tarde, e isso acontece nas latitudes mais altas, longe do equador.
Perto da linha do equador, o dia dura praticamente as mesmas 12 horas o ano inteiro. Em Recife, o dia mais longo do ano tem pouco menos de uma hora a mais que o mais curto, e em Fortaleza, menos de meia hora, e a tarde não fica mais comprida no verão. Adiantar o relógio ali criaria manhãs escuras sem ganho à tarde, e por isso essas regiões ficaram fora das últimas edições. O artigo sobre o dia mais longo e mais curto do ano mostra a variação por latitude.
Os estudos do governo federal concluíram que o horário de verão deixou de produzir os resultados para os quais tinha sido criado. A medida servia para reduzir o pico de consumo de energia elétrica no fim da tarde, quando a demanda residencial se somava à do comércio ainda aberto.
Com o tempo, o padrão de consumo mudou. O pico se deslocou para outros horários, puxado pelo ar-condicionado ligado no meio do dia e pela mudança de hábitos, e a economia no horário de pico ficou pequena, próxima de zero em alguns anos.
Pesaram também os incômodos da troca de horário duas vezes por ano. Estudos associam essa mudança brusca a alterações de sono e humor nos dias seguintes. O mecanismo é o mesmo que faz a luz da manhã acertar o relógio biológico. Ao empurrar a claridade da manhã para mais tarde, o horário de verão afastava o despertar de muita gente da hora em que o sol clareava. Com a economia de energia pequena e o desgaste da mudança, o governo encerrou a prática.
A decisão foi tomada por decreto do Poder Executivo, sem lei do Congresso. Isso permite que um governo futuro reintroduza o horário de verão pelo mesmo caminho, com um novo decreto, se novos estudos apontarem vantagem. O tema volta ao debate quase todo ano em que o sistema elétrico fica sob pressão.
O horário de verão muda só o número que o relógio mostra. O sol nasce e se põe no mesmo instante, com ou sem ele.
Com o relógio adiantado em uma hora, todos os horários passam a ser lidos uma hora mais tarde. Se o sol nascia às 5h17, passava a "nascer" às 6h17; se se punha às 18h52, passava a "se pôr" às 19h52. A tarde ganhava uma hora de claridade no relógio, e as manhãs ficavam mais escuras.
| Cidade | Horário padrão (atual) | Com horário de verão (+1h) | ||
|---|---|---|---|---|
| Nascer | Pôr | Nascer | Pôr | |
| São Paulo, SP | 05h17 | 18h52 | 06h17 | 19h52 |
| Porto Alegre, RS | 05h20 | 19h26 | 06h20 | 20h26 |
Em Porto Alegre, com horário de verão, o pôr do sol no auge do verão iria para depois das 20h25 no relógio, resultado dos dias longos do extremo sul somados à hora adiantada. Essa tarde mais longa era o efeito que o horário de verão buscava, com mais gente saindo do trabalho ainda de dia. Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde ele não valia nas últimas edições, o pôr do sol de verão fica bem mais cedo, em torno das 17h30 a 18h30.
Nos anos de horário de verão, a troca seguia um roteiro conhecido. Num sábado de outubro, à meia-noite, os relógios pulavam de 23h59 direto para 1h da manhã, e aquela noite tinha 23 horas. Em fevereiro acontecia o inverso, e a madrugada ganhava uma hora repetida.
Antes de os celulares acertarem o horário sozinhos, era comum alguém chegar uma hora adiantado ou atrasado a um compromisso no domingo da virada, e as emissoras avisavam com dias de antecedência.
A troca também exigia ajuste em sistemas que lidam mal com esse pulo. Voos, escalas bancárias, agendas e servidores precisavam de ajuste, e as falhas de software na virada eram frequentes, sobretudo em programas que assumiam que todo dia tem 24 horas. Parte do apoio ao fim do horário de verão veio de setores que preferiam a previsibilidade de um relógio fixo.
O debate existe também fora do Brasil. A União Europeia discute há anos abandonar a troca sazonal, e vários países já a aboliram pelos mesmos motivos, a economia pequena e o incômodo grande.
Horário de verão e fuso horário costumam ser confundidos. O fuso horário define a hora oficial de cada região do país o ano inteiro, e o Brasil tem quatro fusos, de UTC-2 a UTC-5, porque o território se estende por mais de 4.300 km de leste a oeste.
O horário de verão, quando existia, era um ajuste sazonal aplicado por cima do fuso, com o relógio adiantado em uma hora durante alguns meses. O fuso é permanente e definido pela geografia, e o horário de verão era temporário e definido por decisão de governo. O artigo sobre por que o Brasil tem quatro fusos horários explica por que Manaus, Recife e Rio Branco não marcam a mesma hora.
Desde 2019 o Brasil segue o horário padrão o ano inteiro, sem trocas sazonais. O horário do nascer e do pôr do sol publicado nas páginas do site é o horário oficial, sem necessidade de somar ou subtrair uma hora conforme a estação. A página de cada cidade traz o horário exato ao longo do ano.