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São Paulo, SP
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Astronomia prática

Dia mais longo e mais curto do ano no Brasil, por cidade

O dia mais longo cai no solstício de dezembro e o mais curto no de junho. A diferença vai de minutos em Macapá a 4 horas em Pelotas. Tabela por latitude.

Atualizado em 16/01/2026 11 min de leitura

No Brasil, o dia mais longo do ano é o do solstício de dezembro (por volta de 21/12, início do verão) e o dia mais curto é o do solstício de junho (por volta de 21/06, início do inverno). O quanto eles diferem depende da latitude: em Macapá, sobre o equador, a duração do dia varia só uns minutos no ano; em São Paulo, a diferença entre o maior e o menor dia é de quase 3 horas; em Pelotas (RS), no extremo sul, passa de 4 horas. Em nenhuma cidade brasileira, porém, o sol deixa de nascer ou de se pôr.

Por que os extremos caem nos solstícios

A duração do dia, do nascer ao pôr do sol, depende da altura que o sol alcança no céu, e isso muda com a estação por causa da inclinação de 23,4° do eixo da Terra. No solstício de dezembro, o Hemisfério Sul fica mais voltado para o sol: o sol nasce mais cedo, sobe mais alto e se põe mais tarde, e o dia é o mais longo do ano. Seis meses depois, no solstício de junho, é o contrário, e o dia é o mais curto.

Quanto mais longe do equador, mais forte é esse balanço. Perto da linha do equador, o sol fica sempre quase a pino ao meio-dia e a duração do dia mal se mexe. Nas latitudes mais altas do Sul do país, a mesma inclinação do eixo produz variações bem maiores entre verão e inverno. É pura geometria: a inclinação é a mesma no mundo todo, mas o efeito dela sobre o tempo de sol cresce com a distância ao equador.

Diagrama dos caminhos do sol no céu nos solstícios e equinócios, comparando trópicos, latitudes médias e altas.
O arco do sol encolhe no inverno e cresce no verão, e a diferença aumenta com a latitude: perto do equador o dia quase não muda; nas latitudes altas, muda muito. Imagem: Ruben Nunez Judez, CC BY-SA 4.0 (via Wikimedia Commons).

Maior e menor dia do ano, por cidade

A tabela traz, para 2026, a duração do dia mais longo e do mais curto de cada cidade e a diferença entre os dois, tudo calculado dia a dia pelo motor solar do site. A coluna final deixa clara a regra: a variação cresce de forma contínua com a latitude.

Dia mais longo (verão) e mais curto (inverno) em 2026, por latitude. Durações do nascer ao pôr do sol, motor solar do site.
CidadeLatitudeDia mais curtoDia mais longoDiferença
Macapá, AP0,0°12h0612h08~2 min
Boa Vista, RR2,8° N11h5812h170h19
Fortaleza, CE3,7° S11h5412h210h27
Recife, PE8,1° S11h3912h360h57
Salvador, BA13,0° S11h2212h541h32
Brasília, DF15,8° S11h1113h041h53
Belo Horizonte, MG19,9° S10h5613h202h24
Rio de Janeiro, RJ22,9° S10h4413h332h49
São Paulo, SP23,5° S10h4113h352h54
Curitiba, PR25,4° S10h3313h443h11
Florianópolis, SC27,6° S10h2413h533h29
Porto Alegre, RS30,0° S10h1314h053h52
Pelotas, RS31,8° S10h0414h144h10

Os dias mais longos ficam quase todos em 21 de dezembro; os mais curtos, em 20 ou 21 de junho (a data exata oscila um dia por causa da equação do tempo e do ano bissexto). Boa Vista, a única capital ao norte do equador, inverte a ordem em relação às cidades ao sul: lá o dia mais longo é em junho, não em dezembro, porque o verão do Hemisfério Norte cai em junho.

Não é só a duração: o sol também muda de altura

A duração do dia é metade da história. A outra metade é a altura que o sol alcança ao meio-dia, e é ela que muda a intensidade da luz e do calor. No solstício de dezembro, ao meio-dia solar, São Paulo (23,5° S, quase em cima do Trópico de Capricórnio) vê o sol a cerca de 90° de altura, praticamente a pino: nesse dia, um poste vertical quase não faz sombra ao meio-dia. Seis meses depois, no solstício de junho, o mesmo sol paulistano mal passa dos 43° de altura, e as sombras ficam longas o dia inteiro.

Essa diferença de ângulo é o que torna o verão mais quente que o inverno, muito mais do que a duração maior do dia. Um sol a pino concentra a mesma energia numa área menor de chão; um sol baixo a espalha. Perto do equador, em Macapá, o sol fica alto o ano inteiro (a altura ao meio-dia mal sai dos 66° nos dois solstícios), e é por isso que lá não há estações marcadas de calor e frio como no Sul. Se quiser entender melhor esse ângulo, veja o que é o zênite e o meio-dia solar e como o sol se move no céu.

O dia muda mais rápido perto dos equinócios

A duração do dia não cresce nem encolhe sempre no mesmo ritmo. Perto dos equinócios (março e setembro) ela muda depressa; perto dos solstícios, quase para. Em São Paulo, em meados de março, o dia encurta cerca de 1 minuto e meio por dia. Já na semana do solstício de junho, a duração praticamente congela: entre 18 e 24 de junho ela fica travada nas mesmas 10h41. É daí que vem o nome solstício, "sol parado": não é o sol que para, mas o horário do nascer e do pôr que quase não se move por alguns dias.

Esse ritmo também depende da latitude. Em Porto Alegre, perto do equinócio de março, o dia encurta perto de 1 minuto e 50 segundos por dia, mais rápido que em São Paulo, porque quanto maior a latitude, mais brusca é a transição entre as estações. É por isso que, no Sul, a sensação de "os dias estão encurtando rápido" no outono é real e mais forte do que no Sudeste.

O dia mais longo não é o mais quente

Parece que o dia mais longo deveria ser o mais quente do ano, mas não é. No Brasil, o auge do calor costuma vir em janeiro e fevereiro, semanas depois do solstício de dezembro, e o frio mais rigoroso, em julho, depois do solstício de junho. Esse atraso acontece porque a terra e, sobretudo, os oceanos demoram para acumular ou perder calor. Enquanto o sol ainda entrega mais energia do que o planeta consegue irradiar de volta, a temperatura continua subindo, mesmo que os dias já tenham começado a encurtar. O mesmo vale para o dia a dia: o momento mais quente não é o meio-dia solar, é o meio da tarde.

No inverno, a luz boa dura mais

Há um consolo para quem gosta de fotografar e detesta o inverno: os dias são curtos, mas a luz bonita rende mais. Como o sol nasce e se põe num ângulo mais raso, ele demora mais para cruzar a faixa baixa do céu, e tanto a golden hour quanto o crepúsculo ficam mais compridos. No verão, com o sol subindo quase reto, a hora dourada da manhã pode durar meia hora escassa; no inverno, a mesma cidade ganha janelas de luz quente bem mais generosas de manhã e no fim da tarde. Esse alongamento cresce com a latitude, então é mais notável em Curitiba ou Porto Alegre do que em Recife.

Para quem programa passeios, vale a leitura invertida: o dia curto de junho começa e termina com uma luz mais trabalhável, enquanto o dia longo de dezembro tem muito mais horas, porém com um meio-dia duro e sombras curtas. O calendário de golden hour mostra essas janelas dia a dia para a sua cidade.

Nem 24 horas, nem escuridão total

Por maior que seja a variação, no Brasil o sol sempre nasce e sempre se põe. Os dias de 24 horas de luz e as noites sem sol só existem dentro dos círculos polares, acima de 66,6° de latitude, muito além dos 33,7° do ponto mais ao sul do país. A conta e a comparação com cidades polares estão no artigo sobre o sol da meia-noite e a noite polar.

Outro ponto que confunde: o dia mais curto não é o dia em que o sol se põe mais cedo, nem o mais longo é o de pôr do sol mais tarde. Esse deslocamento, causado pela equação do tempo, é o tema de quando anoitece mais cedo no Brasil. E as datas exatas dos quatro marcos do ano estão em equinócio e solstício no Brasil.

Ver a curva na sua cidade

A duração do dia muda um pouco a cada 24 horas, mais rápido perto dos equinócios e mais devagar perto dos solstícios. Para acompanhar essa variação dia a dia na sua cidade, ao longo do ano inteiro, use os calendários do sol ou o calendário de nascer e pôr do sol.

Perguntas frequentes

Qual é o dia mais longo do ano no Brasil?
É o do solstício de dezembro, por volta de 21 de dezembro, que abre o verão no Hemisfério Sul. Nesse dia o sol fica mais tempo acima do horizonte: de cerca de 12h08 em Macapá a 14h14 em Pelotas (RS), conforme a latitude.
Qual é o dia mais curto do ano?
É o do solstício de junho, por volta de 21 de junho, início do inverno. A duração do dia vai de cerca de 12h06 em Macapá, sobre o equador, a 10h04 em Pelotas (RS), no extremo sul.
Quanto varia a duração do dia entre verão e inverno no Brasil?
Depende da latitude. Perto do equador, em Macapá, a variação é de poucos minutos. Em São Paulo chega a quase 3 horas (10h41 a 13h35), e em Pelotas (RS) passa de 4 horas (10h04 a 14h14). Quanto mais longe do equador, maior a diferença.
Por que perto do equador o dia quase não muda?
Porque ali o sol fica sempre próximo do zênite ao meio-dia o ano inteiro, e a inclinação do eixo da Terra tem pouco efeito sobre o tempo em que ele permanece acima do horizonte. Por isso a duração do dia fica sempre em torno de 12 horas na linha do equador.