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Astronomia prática

Dia mais longo e mais curto do ano no Brasil, por cidade

A duração do dia nos dois extremos do ano e a altura do sol ao meio-dia foram calculadas para cidades brasileiras.

Por Equipe RCG Websites 11 min de leitura

No Brasil, o dia mais longo do ano é o do solstício de dezembro (por volta de 21/12, início do verão) e o dia mais curto é o do solstício de junho (por volta de 21/06, início do inverno).

A diferença entre os dois depende da latitude: em Macapá, sobre o equador, a duração do dia varia só uns minutos no ano; em São Paulo, a diferença entre o dia mais longo e o mais curto é de quase 3 horas; em Pelotas (RS), no extremo sul, passa de 4 horas. Em nenhuma cidade brasileira o sol deixa de nascer ou de se pôr.

Brasília, DF · hoje

pôr em1 h 23 min
nascer 05:35
pôr 18:16
Duração do dia hoje
12 h 41 min
amanhã, 1 min a mais
Próximo equinócio ou solstício
50 dias
até o solstício de dezembro, início do verão no Brasil

Por que os extremos caem nos solstícios

A duração do dia, do nascer ao pôr do sol, depende da altura que o sol alcança no céu, e essa altura muda com a estação por causa da inclinação de 23,4° do eixo da Terra. No solstício de dezembro, o Hemisfério Sul fica mais voltado para o sol. O sol nasce mais cedo, sobe mais alto e se põe mais tarde, e o dia é o mais longo do ano. Seis meses depois, no solstício de junho, acontece o contrário, e o dia é o mais curto.

Quanto mais longe do equador, maior essa variação. Perto da linha do equador, o sol fica sempre quase a pino ao meio-dia e a duração do dia quase não muda. Nas latitudes mais altas do Sul do país, a mesma inclinação do eixo produz variações bem maiores entre verão e inverno.

Diagrama dos caminhos do sol no céu nos solstícios e equinócios, comparando trópicos, latitudes médias e altas.
O arco do sol encolhe no inverno e cresce no verão, e a diferença aumenta com a latitude. Perto do equador o dia quase não muda, e nas latitudes altas muda muito

Maior e menor dia do ano, por cidade

A tabela traz, para 2026, a duração do dia mais longo e do mais curto de cada cidade e a diferença entre os dois, calculadas dia a dia pelo motor solar do site. A variação cresce de forma contínua com a latitude.

Dia mais longo (verão) e mais curto (inverno) em 2026, por latitude. Durações do nascer ao pôr do sol, motor solar do site.
CidadeLatitudeDia mais curtoDia mais longoDiferença
Macapá, AP0,0°12h0612h08~2 min
Boa Vista, RR2,8° N11h5812h170h19
Fortaleza, CE3,7° S11h5412h210h27
Recife, PE8,1° S11h3912h360h57
Salvador, BA13,0° S11h2212h541h32
Brasília, DF15,8° S11h1113h041h53
Belo Horizonte, MG19,9° S10h5613h202h24
Rio de Janeiro, RJ22,9° S10h4413h332h49
São Paulo, SP23,5° S10h4113h352h54
Curitiba, PR25,4° S10h3313h443h11
Florianópolis, SC27,6° S10h2413h533h29
Porto Alegre, RS30,0° S10h1314h053h52
Pelotas, RS31,8° S10h0414h144h10

Os dias mais longos ficam quase todos em 21 de dezembro, e os mais curtos, em 20 ou 21 de junho; a data exata oscila um dia por causa da equação do tempo e do ano bissexto. Boa Vista, a única capital ao norte do equador, inverte a ordem das cidades ao sul, e lá o dia mais longo cai em junho, porque o verão do Hemisfério Norte começa em junho.

A altura do sol ao meio-dia nos solstícios

Além da duração do dia, muda a altura que o sol alcança ao meio-dia, e essa altura define a intensidade da luz e do calor. No solstício de dezembro, ao meio-dia solar, São Paulo (23,5° S, quase em cima do Trópico de Capricórnio) vê o sol a cerca de 90° de altura, praticamente a pino, e um poste vertical quase não faz sombra.

Seis meses depois, no solstício de junho, o sol de São Paulo mal passa dos 43° de altura, e as sombras ficam longas o dia inteiro.

A diferença de ângulo pesa mais no calor do verão do que a duração maior do dia. O sol a pino concentra a mesma energia numa área menor de chão, e o sol baixo espalha essa energia por uma área maior. Em Macapá, perto do equador, o sol fica alto o ano inteiro (a altura ao meio-dia mal sai dos 66° nos dois solstícios), e por isso lá não há estações marcadas de calor e frio como no Sul.

O ângulo do sol é o tema de o que é o zênite e o meio-dia solar e de como o sol se move no céu.

O dia muda mais rápido perto dos equinócios

A duração do dia cresce e encolhe em ritmo variável. Perto dos equinócios (março e setembro) ela muda depressa, e perto dos solstícios quase para. Em São Paulo, em meados de março, o dia encurta cerca de 1 minuto e meio por dia, e na semana do solstício de junho a duração fica estável. Entre 18 e 24 de junho, ela se mantém nas mesmas 10h41.

Daí vem o nome solstício, "sol parado". O sol continua em movimento, e o que quase não se move por alguns dias é o horário do nascer e do pôr.

Esse ritmo também depende da latitude. Em Porto Alegre, perto do equinócio de março, o dia encurta perto de 1 minuto e 50 segundos por dia, mais rápido que em São Paulo, porque quanto maior a latitude, mais brusca é a transição entre as estações. Por isso, no Sul, a percepção de que os dias encurtam depressa no outono corresponde ao cálculo e é mais forte do que no Sudeste.

Por que o dia mais longo não coincide com o mais quente

No Brasil, o auge do calor costuma vir em janeiro e fevereiro, semanas depois do solstício de dezembro, e o frio mais rigoroso, em julho, depois do solstício de junho. O atraso acontece porque a terra e, sobretudo, os oceanos demoram para acumular ou perder calor.

Enquanto o sol entrega mais energia do que o planeta consegue irradiar de volta, a temperatura continua subindo, mesmo com os dias já mais curtos. O mesmo vale para as horas de um dia, e o momento mais quente costuma ser o meio da tarde, depois do meio-dia solar.

No inverno, a luz baixa dura mais

No inverno os dias são curtos, e a luz baixa usada na fotografia dura mais. Com o sol nascendo e se pondo num ângulo mais raso, ele demora mais para cruzar a faixa baixa do céu, e tanto a golden hour quanto o crepúsculo ficam mais longos.

No verão, com o sol subindo quase na vertical, a golden hour da manhã pode não chegar a meia hora; no inverno, a mesma cidade ganha janelas de luz quente bem mais longas de manhã e no fim da tarde. Esse alongamento cresce com a latitude e é mais notável em Curitiba ou Porto Alegre do que em Recife.

Para o planejamento de passeios, a comparação se inverte. O dia curto de junho começa e termina com luz mais fácil de fotografar, e o dia longo de dezembro tem mais horas, com meio-dia de luz dura e sombras curtas. O calendário de golden hour mostra essas janelas dia a dia para cada cidade.

O dia mais curto não é o de pôr do sol mais cedo

O dia mais curto também não é o dia em que o sol se põe mais cedo, nem o mais longo é o de pôr do sol mais tarde. Esse deslocamento, causado pela equação do tempo, é o tema de quando anoitece mais cedo no Brasil. As datas exatas dos quatro marcos do ano estão em equinócio e solstício no Brasil.

A curva do ano em cada cidade

A variação dia a dia de cada cidade, ao longo do ano inteiro, aparece nos calendários do sol e no calendário de nascer e pôr do sol.

Perguntas frequentes

Qual é o dia mais longo do ano no Brasil?
É o do solstício de dezembro, por volta de 21 de dezembro, que abre o verão no Hemisfério Sul. Nesse dia o sol fica mais tempo acima do horizonte: de cerca de 12h08 em Macapá a 14h14 em Pelotas (RS), conforme a latitude.
Qual é o dia mais curto do ano?
É o do solstício de junho, por volta de 21 de junho, início do inverno. A duração do dia vai de cerca de 12h06 em Macapá, sobre o equador, a 10h04 em Pelotas (RS), no extremo sul.
Quanto varia a duração do dia entre verão e inverno no Brasil?
Depende da latitude. Perto do equador, em Macapá, a variação é de poucos minutos. Em São Paulo chega a quase 3 horas (10h41 a 13h35), e em Pelotas (RS) passa de 4 horas (10h04 a 14h14). Quanto mais longe do equador, maior a diferença.
Por que perto do equador o dia quase não muda?
Porque ali o sol fica sempre próximo do zênite ao meio-dia o ano inteiro, e a inclinação do eixo da Terra tem pouco efeito sobre o tempo em que ele permanece acima do horizonte. Por isso a duração do dia fica sempre em torno de 12 horas na linha do equador.