Equinócio e solstício no Brasil: datas de 2026 e 2027
Equinócios e solstícios marcam a troca das estações astronômicas, que não coincidem com as estações meteorológicas usadas no Brasil.
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A duração do dia nos dois extremos do ano e a altura do sol ao meio-dia foram calculadas para cidades brasileiras.
No Brasil, o dia mais longo do ano é o do solstício de dezembro (por volta de 21/12, início do verão) e o dia mais curto é o do solstício de junho (por volta de 21/06, início do inverno).
A diferença entre os dois depende da latitude: em Macapá, sobre o equador, a duração do dia varia só uns minutos no ano; em São Paulo, a diferença entre o dia mais longo e o mais curto é de quase 3 horas; em Pelotas (RS), no extremo sul, passa de 4 horas. Em nenhuma cidade brasileira o sol deixa de nascer ou de se pôr.
Brasília, DF · hoje
A duração do dia, do nascer ao pôr do sol, depende da altura que o sol alcança no céu, e essa altura muda com a estação por causa da inclinação de 23,4° do eixo da Terra. No solstício de dezembro, o Hemisfério Sul fica mais voltado para o sol. O sol nasce mais cedo, sobe mais alto e se põe mais tarde, e o dia é o mais longo do ano. Seis meses depois, no solstício de junho, acontece o contrário, e o dia é o mais curto.
Quanto mais longe do equador, maior essa variação. Perto da linha do equador, o sol fica sempre quase a pino ao meio-dia e a duração do dia quase não muda. Nas latitudes mais altas do Sul do país, a mesma inclinação do eixo produz variações bem maiores entre verão e inverno.

A tabela traz, para 2026, a duração do dia mais longo e do mais curto de cada cidade e a diferença entre os dois, calculadas dia a dia pelo motor solar do site. A variação cresce de forma contínua com a latitude.
| Cidade | Latitude | Dia mais curto | Dia mais longo | Diferença |
|---|---|---|---|---|
| Macapá, AP | 0,0° | 12h06 | 12h08 | ~2 min |
| Boa Vista, RR | 2,8° N | 11h58 | 12h17 | 0h19 |
| Fortaleza, CE | 3,7° S | 11h54 | 12h21 | 0h27 |
| Recife, PE | 8,1° S | 11h39 | 12h36 | 0h57 |
| Salvador, BA | 13,0° S | 11h22 | 12h54 | 1h32 |
| Brasília, DF | 15,8° S | 11h11 | 13h04 | 1h53 |
| Belo Horizonte, MG | 19,9° S | 10h56 | 13h20 | 2h24 |
| Rio de Janeiro, RJ | 22,9° S | 10h44 | 13h33 | 2h49 |
| São Paulo, SP | 23,5° S | 10h41 | 13h35 | 2h54 |
| Curitiba, PR | 25,4° S | 10h33 | 13h44 | 3h11 |
| Florianópolis, SC | 27,6° S | 10h24 | 13h53 | 3h29 |
| Porto Alegre, RS | 30,0° S | 10h13 | 14h05 | 3h52 |
| Pelotas, RS | 31,8° S | 10h04 | 14h14 | 4h10 |
Os dias mais longos ficam quase todos em 21 de dezembro, e os mais curtos, em 20 ou 21 de junho; a data exata oscila um dia por causa da equação do tempo e do ano bissexto. Boa Vista, a única capital ao norte do equador, inverte a ordem das cidades ao sul, e lá o dia mais longo cai em junho, porque o verão do Hemisfério Norte começa em junho.
Além da duração do dia, muda a altura que o sol alcança ao meio-dia, e essa altura define a intensidade da luz e do calor. No solstício de dezembro, ao meio-dia solar, São Paulo (23,5° S, quase em cima do Trópico de Capricórnio) vê o sol a cerca de 90° de altura, praticamente a pino, e um poste vertical quase não faz sombra.
Seis meses depois, no solstício de junho, o sol de São Paulo mal passa dos 43° de altura, e as sombras ficam longas o dia inteiro.
A diferença de ângulo pesa mais no calor do verão do que a duração maior do dia. O sol a pino concentra a mesma energia numa área menor de chão, e o sol baixo espalha essa energia por uma área maior. Em Macapá, perto do equador, o sol fica alto o ano inteiro (a altura ao meio-dia mal sai dos 66° nos dois solstícios), e por isso lá não há estações marcadas de calor e frio como no Sul.
O ângulo do sol é o tema de o que é o zênite e o meio-dia solar e de como o sol se move no céu.
A duração do dia cresce e encolhe em ritmo variável. Perto dos equinócios (março e setembro) ela muda depressa, e perto dos solstícios quase para. Em São Paulo, em meados de março, o dia encurta cerca de 1 minuto e meio por dia, e na semana do solstício de junho a duração fica estável. Entre 18 e 24 de junho, ela se mantém nas mesmas 10h41.
Daí vem o nome solstício, "sol parado". O sol continua em movimento, e o que quase não se move por alguns dias é o horário do nascer e do pôr.
Esse ritmo também depende da latitude. Em Porto Alegre, perto do equinócio de março, o dia encurta perto de 1 minuto e 50 segundos por dia, mais rápido que em São Paulo, porque quanto maior a latitude, mais brusca é a transição entre as estações. Por isso, no Sul, a percepção de que os dias encurtam depressa no outono corresponde ao cálculo e é mais forte do que no Sudeste.
No Brasil, o auge do calor costuma vir em janeiro e fevereiro, semanas depois do solstício de dezembro, e o frio mais rigoroso, em julho, depois do solstício de junho. O atraso acontece porque a terra e, sobretudo, os oceanos demoram para acumular ou perder calor.
Enquanto o sol entrega mais energia do que o planeta consegue irradiar de volta, a temperatura continua subindo, mesmo com os dias já mais curtos. O mesmo vale para as horas de um dia, e o momento mais quente costuma ser o meio da tarde, depois do meio-dia solar.
No inverno os dias são curtos, e a luz baixa usada na fotografia dura mais. Com o sol nascendo e se pondo num ângulo mais raso, ele demora mais para cruzar a faixa baixa do céu, e tanto a golden hour quanto o crepúsculo ficam mais longos.
No verão, com o sol subindo quase na vertical, a golden hour da manhã pode não chegar a meia hora; no inverno, a mesma cidade ganha janelas de luz quente bem mais longas de manhã e no fim da tarde. Esse alongamento cresce com a latitude e é mais notável em Curitiba ou Porto Alegre do que em Recife.
Para o planejamento de passeios, a comparação se inverte. O dia curto de junho começa e termina com luz mais fácil de fotografar, e o dia longo de dezembro tem mais horas, com meio-dia de luz dura e sombras curtas. O calendário de golden hour mostra essas janelas dia a dia para cada cidade.
O dia mais curto também não é o dia em que o sol se põe mais cedo, nem o mais longo é o de pôr do sol mais tarde. Esse deslocamento, causado pela equação do tempo, é o tema de quando anoitece mais cedo no Brasil. As datas exatas dos quatro marcos do ano estão em equinócio e solstício no Brasil.
A variação dia a dia de cada cidade, ao longo do ano inteiro, aparece nos calendários do sol e no calendário de nascer e pôr do sol.