Dia mais longo e mais curto do ano no Brasil, por cidade
O dia mais longo cai no solstício de dezembro e o mais curto no de junho. A diferença vai de minutos em Macapá a 4 horas em Pelotas. Tabela por latitude.
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O pôr do sol mais cedo do ano não cai no dia mais curto. No Sul e Sudeste vem duas semanas antes do solstício; no equador, em novembro. É a equação do tempo.
No Brasil, o dia em que anoitece mais cedo não é o dia mais curto do ano. Nas cidades do Sul e Sudeste, o pôr do sol mais adiantado acontece por volta do início de junho, cerca de duas semanas antes do solstício de inverno (21 de junho). O nascer do sol mais tardio vem depois, no começo de julho. Esse descompasso é causado pela equação do tempo, a diferença entre o relógio e o "sol de verdade". Perto do equador o efeito é ainda mais curioso: o anoitecer mais cedo cai lá pelo fim de outubro ou começo de novembro, na primavera.
Parece óbvio que o pôr do sol mais cedo deveria coincidir com o dia mais curto, no solstício de inverno. Mas não coincide. Em São Paulo, por exemplo, o sol se põe mais cedo no ano por volta de 6 a 7 de junho (às 17h27), enquanto o solstício de inverno só chega em 21 de junho. Duas semanas separam um evento do outro. E o nascer do sol mais tardio acontece ainda depois, por volta de 3 de julho.
O dia mais curto continua sendo o do solstício, isso não muda. O que se desloca são os horários de nascer e de pôr do sol, cada um por conta própria. Eles se afastam do solstício em direções opostas: o pôr do sol mais cedo vem antes, o nascer mais tarde vem depois. A soma dos dois, que é a duração do dia, tem seu mínimo no solstício. Mas cada ponta se antecipa ou se atrasa sozinha, e por isso nenhuma das duas cai exatamente em 21 de junho.
O culpado é o meio-dia solar, o instante em que o sol cruza o ponto mais alto do céu. Ele não cai sempre às 12h do relógio. Ao longo do ano, adianta e atrasa até cerca de 16 minutos em relação ao relógio. Essa diferença tem nome, equação do tempo, e nasce da soma de dois efeitos independentes.
O primeiro é a forma da órbita. A Terra não gira ao redor do sol num círculo perfeito, mas numa elipse. Em janeiro ela está mais perto do sol e corre mais rápido; em julho, mais longe e mais devagar. Como o dia solar depende dessa velocidade, o sol "atrasa" e "adianta" conforme a época. O segundo efeito é a inclinação do eixo, os mesmos 23,4° que causam as estações: ela faz o movimento aparente do sol projetar-se de forma desigual sobre o equador celeste ao longo do ano. As duas ondas se somam e produzem uma curva com dois picos e dois vales, que chega a cerca de +16 minutos no início de novembro e a -14 minutos em meados de fevereiro.
Como o pôr do sol é, na prática, o meio-dia solar mais meia jornada de luz, quando o meio-dia solar se adianta, o pôr do sol se adianta junto. No início de junho, no Sul e Sudeste, esse adiantamento do meio-dia solar empurra o pôr do sol para mais cedo antes mesmo de o dia encurtar ao máximo. Quem quiser ver a forma completa dessa curva, e o desenho em oito que ela produz no céu ao longo de um ano, encontra tudo no artigo sobre a equação do tempo e o analema.

A tabela mostra, para 2026, o dia em que o sol se põe mais cedo no ano e quantos dias isso antecede o solstício de inverno (21 de junho). Os valores vêm do motor solar do site, varrendo o ano dia a dia. Quanto mais ao norte a cidade, mais dias de antecedência: perto do equador, o efeito da equação do tempo pesa mais do que a variação da duração do dia.
| Cidade | Latitude | Pôr do sol mais cedo | Quando | Antes do solstício |
|---|---|---|---|---|
| Recife, PE | 8,1° S | 17h08 | 25 de maio | 27 dias |
| Salvador, BA | 13,0° S | 17h14 | 30 de maio | 22 dias |
| Brasília, DF | 15,8° S | 17h47 | 2 de junho | 19 dias |
| Belo Horizonte, MG | 19,9° S | 17h23 | 5 de junho | 16 dias |
| Rio de Janeiro, RJ | 22,9° S | 17h15 | 6 de junho | 15 dias |
| São Paulo, SP | 23,5° S | 17h27 | 6 de junho | 15 dias |
| Curitiba, PR | 25,4° S | 17h34 | 8 de junho | 13 dias |
| Porto Alegre, RS | 30,0° S | 17h32 | 9 de junho | 12 dias |
| Pelotas, RS | 31,8° S | 17h32 | 10 de junho | 11 dias |
A diferença entre o pôr do sol mais cedo e o pôr do sol do próprio dia do solstício é de poucos minutos, mas o dia em que ela ocorre está claramente deslocado. Em nenhuma dessas cidades o anoitecer mais cedo cai em 21 de junho. Repare também que a antecedência encolhe conforme a cidade fica mais ao sul: em Recife são 27 dias; em Pelotas, 11. Onde o dia varia muito (mais ao sul), o encurtamento do dia domina e puxa o mínimo para perto do solstício; onde varia pouco (mais ao norte), quem manda é a equação do tempo.
Se o pôr do sol mais cedo vem antes do solstício, o nascer do sol mais tardio vem depois, pela mesma razão de sinal trocado. Nas cidades do Sul e Sudeste, isso cai no começo de julho. Quem sai cedo para trabalhar no auge do inverno costuma sentir na pele: as manhãs mais escuras do ano não são as do solstício, são as do início de julho, quando o sol demora mais para aparecer.
| Cidade | Latitude | Nascer mais tardio | Quando |
|---|---|---|---|
| Belo Horizonte, MG | 19,9° S | 06h31 | 5 de julho |
| Rio de Janeiro, RJ | 22,9° S | 06h34 | 3 de julho |
| São Paulo, SP | 23,5° S | 06h49 | 3 de julho |
| Curitiba, PR | 25,4° S | 07h04 | 3 de julho |
| Porto Alegre, RS | 30,0° S | 07h22 | 1 de julho |
| Pelotas, RS | 31,8° S | 07h30 | 30 de junho |
No Norte do país a história muda de figura. Como a duração do dia quase não varia perto do equador, quem manda no horário do pôr do sol é só a equação do tempo. O resultado surpreende: o sol se põe mais cedo no ano por volta do fim de outubro ou início de novembro, na primavera, e não no inverno.
Ou seja: a resposta para "quando anoitece mais cedo" depende de onde você está. No Sul e Sudeste, é no começo de junho. No Norte, é no fim de outubro ou começo de novembro. Em nenhum dos dois casos é exatamente no solstício.
Há uma armadilha na própria palavra. Muita gente diz "anoitecer" pensando no pôr do sol, mas o céu só escurece de fato algum tempo depois. Entre o sol sumir no horizonte e a noite fechada existe o crepúsculo, a faixa em que ainda há luz difusa. No crepúsculo civil, que termina com o sol a 6° abaixo do horizonte, ainda dá para andar na rua sem lanterna; só no fim do crepúsculo astronômico, com o sol a 18° abaixo, o céu fica completamente escuro. A diferença entre o pôr do sol e o escuro total pode passar de uma hora e meia no verão do extremo sul.
Por isso, se a sua pergunta prática é "a que horas fica escuro", o pôr do sol é só o começo da conta. O calendário do crepúsculo traz o fim de cada uma das três fases dia a dia, que é o número que interessa para quem fotografa o céu, dirige à noite ou planeja o fim de uma trilha.
O horário do pôr do sol e a duração de cada fase do anoitecer mudam todo dia. Para acompanhar o crepúsculo na sua cidade, veja o calendário do crepúsculo, que traz o fim da luz civil, náutica e astronômica dia a dia, ou a página da sua cidade com o horário exato do pôr do sol. E se quiser entender por que o dia inteiro encolhe e cresce ao longo do ano, o artigo sobre por que os dias mudam de duração fecha o assunto.