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São Paulo, SP
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Ciência do céu

Por que os dias mudam de duração ao longo do ano

Os dias mudam pela inclinação de 23,4 graus do eixo da Terra. Cresce com a latitude: quase nada no equador, mais de 4 horas no sul. Veja a tabela por cidade.

Atualizado em 24/01/2026 11 min de leitura

Os dias mudam de duração porque o eixo da Terra é inclinado cerca de 23,4° em relação ao plano da sua órbita. Ao longo do ano, cada hemisfério fica ora apontado para o sol (verão, dias longos), ora afastado dele (inverno, dias curtos). O tamanho dessa variação depende da latitude: perto da linha do equador o dia dura quase sempre 12 horas, e quanto mais longe do equador, maior a diferença entre o dia mais longo e o mais curto do ano. Em Macapá (AP) a variação é de poucos minutos; no extremo sul do Brasil, em Chuí (RS), passa de quatro horas e meia.

A causa: a inclinação do eixo da Terra

A Terra gira em torno de um eixo que não é perpendicular à sua órbita: ele está inclinado cerca de 23,4° (mais precisamente 23,44°, a chamada obliquidade da eclíptica). Essa inclinação se mantém apontando para a mesma direção no espaço, perto da estrela Polar, enquanto o planeta dá a volta no sol. O resultado é que, em metade do ano, o Hemisfério Sul fica inclinado na direção do sol, e na outra metade, afastado dele.

Quando o seu hemisfério aponta para o sol, o sol descreve no céu um arco mais alto e mais longo: nasce mais cedo, sobe bem alto ao meio-dia e se põe mais tarde. É o verão, com dias longos. Seis meses depois, o hemisfério aponta para longe do sol, o arco fica baixo e curto, e os dias encurtam. É o inverno. Se a Terra não tivesse essa inclinação, todos os lugares teriam 12 horas de dia e 12 de noite o ano inteiro, e não existiriam estações. O jeito como esse arco muda de posição ao longo do ano está detalhado em como o sol se move no céu.

Solargrafia: rastros do sol registrados por longa exposição mostram vários arcos em alturas diferentes, mais altos no verão e mais baixos no inverno
Uma solargrafia (foto de longuíssima exposição) registra os arcos do sol dia após dia. Os arcos mais altos e longos são os dias de verão; os mais baixos e curtos, os de inverno. Imagem: D. López Calvín (solarigrafia.com), J. C. Muñoz, CC BY 4.0 (via Wikimedia Commons).

A declinação do sol: o número que muda todo dia

Os astrônomos resumem esse vaivém em uma medida chamada declinação solar: é a "latitude" sobre a qual o sol está a pino em cada dia. Ela varia suavemente ao longo do ano entre -23,4° (solstício de dezembro, sol a pino no Trópico de Capricórnio, verão no Sul) e +23,4° (solstício de junho, sol a pino no Trópico de Câncer). Nos dois equinócios, ela passa por 0°, o sol fica a pino sobre a linha do equador e o dia dura quase 12 horas em toda a Terra.

Quanto mais a declinação se afasta de zero e mais alta é a sua latitude, maior fica a diferença de duração entre dia e noite. É por isso que a variação anual do dia é quase nada perto do equador e enorme perto dos polos, até o caso extremo do sol da meia-noite, que só acontece dentro dos círculos polares. A declinação também governa a altura que o sol atinge ao meio-dia, tema de o que é o zênite e o meio-dia solar.

Duração do dia por cidade brasileira

A tabela abaixo mostra, para cidades de norte a sul do Brasil, quanto dura o dia mais longo e o dia mais curto do ano, e a diferença entre os dois. Todos os valores foram calculados pelo motor astronômico do site. A variação cresce de forma clara com a latitude.

Maior e menor dia do ano por cidade, em 2026. Calculado pelo motor astronômico do site.
CidadeLatitudeMaior diaMenor diaVariação
Macapá, AP0,0°12h0712h07~1 min
Boa Vista, RR2,8° N12h1711h58~19 min
Recife, PE8,0° S12h3611h39~57 min
Brasília, DF15,8° S13h0411h11~1h53
São Paulo, SP23,5° S13h3510h41~2h54
Curitiba, PR25,4° S13h4410h33~3h11
Porto Alegre, RS30,0° S14h0510h13~3h52
Chuí, RS (extremo sul)33,7° S14h249h55~4h29

No Norte, perto do equador, o dia é quase constante o ano inteiro, e por isso lá quase não se sente a diferença entre as estações no relógio. No Sul, a diferença entre o verão e o inverno passa de duas, três, quatro horas. Para ver essa curva dia a dia na sua cidade, use os calendários do sol ou o calendário de nascer e pôr do sol.

O sol também sobe mais ou menos: a altura do meio-dia

A inclinação não muda só quantas horas o sol fica no céu; muda também o quanto ele sobe. A altura do sol ao meio-dia solar (o ponto mais alto do dia) varia com a estação, e o efeito é mais dramático nas cidades de latitude média. A tabela traz a altura máxima do sol nos dois solstícios, calculada pelo motor do site.

Altura do sol ao meio-dia solar nos dois solstícios de 2026, em graus acima do horizonte. Calculado pelo motor do site.
CidadeLatitudeSolstício de dez.Solstício de jun.
Macapá, AP0,0°66,5°66,6°
Recife, PE8,0° S74,6°58,5°
São Paulo, SP23,5° S89,9°43,0°
Porto Alegre, RS30,0° S83,4°36,5°
Chuí, RS33,7° S79,7°32,9°

Repare em São Paulo: em dezembro o sol chega a 89,9°, praticamente no zênite, quase a pino sobre a cabeça, porque a cidade fica quase em cima do Trópico de Capricórnio. Em junho, o mesmo sol paulistano mal passa dos 43°. É essa diferença de altura, mais do que a duração em si, que faz o sol de inverno esquentar menos: a mesma luz se espalha por uma área maior do chão quando incide de esguelha.

Por que dezembro é verão no Sul e junho no Norte

Repare na primeira tabela que as cidades do Hemisfério Sul (São Paulo, Porto Alegre) têm o maior dia em dezembro, enquanto Boa Vista, no Hemisfério Norte, tem o maior dia em junho. Isso não é acaso: é a mesma inclinação vista dos dois lados. Quando o Polo Sul aponta para o sol (dezembro), é verão no Sul; seis meses depois, o Polo Norte é que aponta, e o verão se muda para o Hemisfério Norte. O Brasil, que fica quase todo no Sul mas cruza a linha do equador no extremo norte, tem cidades nos dois regimes.

A distância entre a Terra e o sol quase não influi nisso. A Terra está, ao contrário do que a intuição sugere, um pouco mais perto do sol em janeiro (no verão do Sul) do que em julho. Se a distância mandasse, o verão seria igual nos dois hemisférios ao mesmo tempo, o que não acontece. Quem comanda as estações e a duração do dia é a inclinação do eixo, não a distância.

O detalhe que quase ninguém percebe: o equinócio não tem 12h exatas

Seria de esperar que, no equinócio, todo lugar da Terra tivesse exatamente 12 horas de dia e 12 de noite. Não é bem assim. Repare que, na tabela, até Macapá, bem sobre a linha do equador, tem o dia mais curto do ano com 12h07, não 12h00. O dia dura sempre um punhado de minutos a mais do que a noite, o ano inteiro, por duas razões.

  • A refração atmosférica encurva a luz e ergue a imagem do sol cerca de meio grau. Você vê o sol nascer alguns minutos antes de ele geometricamente cruzar o horizonte, e se pôr alguns minutos depois. Isso alonga o dia.
  • O nascer e o pôr contam a borda de cima do disco, não o centro. O sol começa a "nascer" quando a primeira fatia aparece e só "se põe" quando a última fatia some, o que adiciona mais um pouco de dia.

Somados, esses dois efeitos alongam o dia em cerca de 6 a 8 minutos no equador. O momento em que dia e noite têm exatamente a mesma duração (o equilux) cai alguns dias antes do equinócio de outono e alguns dias depois do de primavera, não no equinócio em si. É um bom exemplo de como a definição prática de nascer e pôr do sol muda o número final, tema também tratado em equinócio e solstício no Brasil.

A inclinação não é eterna

Os 23,44° de hoje não são um número fixo para sempre. A obliquidade da Terra oscila lentamente entre cerca de 22,1° e 24,5°, num ciclo de aproximadamente 41 mil anos, puxada pela atração dos outros planetas. No momento, a inclinação está diminuindo cerca de meio segundo de arco por ano. Quando ela é maior, os verões e invernos ficam mais extremos; quando é menor, mais amenos. Essas variações lentas, junto com mudanças na forma da órbita e na direção do eixo, compõem os chamados ciclos de Milankovitch, que ajudam a explicar a chegada e a saída das eras glaciais ao longo de centenas de milhares de anos. Na escala de uma vida, porém, a inclinação é praticamente constante, e a tabela acima vale para qualquer ano da sua geração.

Veja na sua cidade

Cada cidade tem a sua própria curva de duração do dia, com nascer e pôr do sol para qualquer data. Confira a sua na página de nascer e pôr do sol, escolhendo o município, ou vá direto pelos exemplos: São Paulo, Porto Alegre e Macapá.

Perguntas frequentes

Por que os dias ficam mais longos no verão e mais curtos no inverno?
Porque o eixo da Terra é inclinado cerca de 23,4 graus. No verão, o seu hemisfério aponta na direção do sol, que descreve um arco alto e longo no céu, e o dia se alonga. No inverno, o hemisfério aponta para longe do sol, o arco fica baixo e curto, e o dia encurta.
Por que perto do equador o dia quase não muda de duração?
Porque a variação da duração do dia cresce com a latitude. Perto da linha do equador, a declinação solar afeta pouco a duração, e o dia fica sempre perto de 12 horas. Em Macapá (AP), a diferença entre o dia mais longo e o mais curto do ano é de cerca de 1 minuto.
Qual a diferença entre o dia mais longo e o mais curto no Brasil?
Depende da cidade. Em Macapá, quase nada. Em São Paulo, cerca de 2h54. Em Porto Alegre, cerca de 3h52. Em Chuí (RS), o extremo sul, passa de 4h29. Quanto maior a latitude, maior a diferença.
O que é a declinação solar?
É a latitude sobre a qual o sol está a pino em cada dia. Ela varia ao longo do ano entre -23,4 graus (solstício de dezembro) e +23,4 graus (solstício de junho), passando por zero nos equinócios. Quanto mais longe de zero, maior a diferença entre dia e noite.
O sol fica exatamente a pino em alguma cidade brasileira?
Chega perto. Em São Paulo, no solstício de dezembro, o sol atinge cerca de 89,9 graus ao meio-dia solar, quase no zênite, porque a cidade fica quase sobre o Trópico de Capricórnio. Em junho, o mesmo sol paulistano mal passa dos 43 graus.
A distância entre a Terra e o sol influencia a duração do dia?
Quase nada. A Terra está até um pouco mais perto do sol em janeiro (verão no Sul) do que em julho. Quem comanda as estações e a duração do dia é a inclinação do eixo, não a distância ao sol.
No equinócio o dia tem exatamente 12 horas?
Não exatamente. Por causa da refração atmosférica (que ergue a imagem do sol) e por o nascer e o pôr contarem a borda do disco, o dia dura alguns minutos a mais que a noite, o ano todo. Até em Macapá, sobre o equador, o dia mais curto tem cerca de 12h07. O equilux, quando dia e noite se igualam, cai a poucos dias do equinócio, não nele.