Quantas horas tem o dia? A duração da luz por cidade e estação
O dia tem 24h, mas a luz vai de 10 a 14h no Brasil, conforme cidade e época. Veja a duração real por latitude, mês a mês, e por que varia.
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A noite é 24h menos o dia: de 9h30 a mais de 14h no Brasil. E ela não é toda escura, o crepúsculo come mais de uma hora de cada lado. Veja os números.
A noite dura o que sobra depois do dia. Como cada volta da Terra sobre si mesma leva 24 horas, a noite é sempre 24 horas menos o tempo em que o sol ficou acima do horizonte. No Brasil, a noite, contada do pôr ao nascer do sol, vai de cerca de 9h30 no auge do verão do extremo sul até mais de 14 horas no fundo do inverno da mesma região. Perto do equador ela quase não muda: fica sempre por volta de 12 horas. Mas há uma sutileza que engana muita gente. A noite sem sol não é toda escura. O crepúsculo, aquela claridade que fica no céu antes de o sol nascer e depois de ele se pôr, come um bom pedaço dela, e a escuridão de verdade dura bem menos que a noite inteira.
Não existe um relógio próprio da noite. Ela é o negativo do dia. O sol nasce, corre o seu arco pelo céu e se põe; o intervalo entre um pôr do sol e o nascer seguinte é a noite. Some a duração do dia claro com a da noite e o resultado é sempre 24 horas, em qualquer cidade, em qualquer data. Se hoje o dia teve 11 horas de luz, a noite vai ter 13.
Por isso, tudo o que faz o dia crescer faz a noite encolher, e vice-versa. A causa é a mesma: a inclinação de 23,4 graus do eixo da Terra, que joga cada hemisfério ora na direção do sol, ora para longe dele. No inverno o seu hemisfério aponta para longe do sol, o dia encurta e a noite estica; no verão acontece o contrário. Quem quiser o outro lado da conta pode ver quantas horas tem o dia, que trata exatamente da metade iluminada.
A noite mais longa do ano cai no solstício de inverno: 21 de junho no Hemisfério Sul. A mais curta, no solstício de verão, 21 de dezembro. Quanto mais longe do equador, maior a diferença entre as duas. A tabela mostra a duração da noite (do pôr ao nascer do sol) em seis cidades brasileiras, nos dois solstícios de 2026, com números calculados pelo motor astronômico do site.
| Cidade | Latitude | Noite de dezembro | Noite de junho |
|---|---|---|---|
| Fortaleza, CE | 3,7° S | 11h39 | 12h06 |
| Recife, PE | 8,0° S | 11h24 | 12h21 |
| Brasília, DF | 15,8° S | 10h56 | 12h49 |
| São Paulo, SP | 23,6° S | 10h25 | 13h19 |
| Porto Alegre, RS | 30,0° S | 9h55 | 13h47 |
| Chuí, RS | 33,7° S | 9h36 | 14h05 |
Em Fortaleza, quase sobre o equador, a noite varia menos de meia hora entre um extremo e o outro do ano. Em Chuí, no ponto mais ao sul do país, a noite de junho passa de 14 horas, quase cinco horas a mais que a de dezembro. Repare que, no inverno do Sul, a noite é bem mais comprida que no Nordeste, e é por isso que quem mora no Rio Grande do Sul sente o inverno anoitecer cedo e amanhecer tarde de um jeito que o nordestino não conhece.

Aqui está o ponto que quase toda tabela ignora. Quando o sol se põe, ele não apaga a luz de uma vez. Ele desce por baixo do horizonte devagar, e enquanto está pouco abaixo dele continua iluminando a alta atmosfera, que espalha essa luz para o chão. Esse é o crepúsculo. A noite de verdade, aquela em que o céu fica preto e as estrelas fracas aparecem, só começa quando o sol desce bastante, cerca de 18 graus abaixo do horizonte.
Os astrônomos dividem o crepúsculo em três faixas, e cada uma marca um grau de escuridão. O crepúsculo tem página própria no site com os horários da sua cidade, mas o resumo é este:
Some as três faixas dos dois lados, o entardecer e o amanhecer, e o crepúsculo abocanha uma fatia grande da noite. A tabela separa, para uma noite de inverno (21 de junho de 2026), a noite inteira, quanto dura o crepúsculo de cada lado (do pôr até a escuridão total) e quanto sobra de escuridão de verdade.
| Cidade | Noite completa | Crepúsculo (cada lado) | Escuridão total |
|---|---|---|---|
| Fortaleza, CE | 12h06 | 1h15 | 9h36 |
| Recife, PE | 12h21 | 1h15 | 9h50 |
| Brasília, DF | 12h49 | 1h17 | 10h15 |
| São Paulo, SP | 13h19 | 1h21 | 10h38 |
| Porto Alegre, RS | 13h47 | 1h26 | 10h56 |
| Chuí, RS | 14h05 | 1h29 | 11h07 |
Em Fortaleza, das 12 horas de noite, quase duas horas e meia são de crepúsculo (somando os dois lados), e a escuridão de fato dura pouco mais de nove horas. O crepúsculo dura mais nas latitudes altas porque o sol desce num ângulo mais raso e demora mais para atingir aqueles 18 graus. Por isso Chuí, no sul, tem um entardecer visivelmente mais longo que o de Fortaleza. Esse alongamento do crepúsculo é o mesmo motivo pelo qual, no verão europeu, o céu fica claro até quase meia-noite.
Muita gente diz que a noite começou quando ainda há luz no céu. Não é impressão. O que acaba no pôr do sol é o dia claro; o que a maioria chama de anoitecer, o momento em que as luzes da rua fazem diferença, é o fim do crepúsculo civil, uns 20 a 30 minutos depois. E a noite fechada, com o céu escuro, chega mais de uma hora depois do pôr do sol. Três marcos diferentes, três horários diferentes, todos chamados de noite na linguagem do dia a dia.
Essa diferença tem consequência prática. Quem fotografa sabe que a luz mais bonita, a hora azul, mora dentro do crepúsculo civil, depois de o sol sumir. Quem observa o céu espera a escuridão astronômica para caçar objetos fracos. E quem só quer saber a que horas vai ficar escuro na rua deve olhar o fim do crepúsculo civil, não o pôr do sol. A ferramenta de crepúsculo mostra esses três horários para a sua cidade, hoje, calculados com o mesmo motor desta página.
O ponto mais escuro da noite, quando o sol está no mais fundo abaixo do horizonte, é a meia-noite solar. Ela quase nunca coincide com as 00h00 do celular. A largura dos fusos horários e a longitude da cidade já deslocam esse instante, e ainda entra a equação do tempo, um descompasso de até um quarto de hora entre o sol e o relógio que vem da órbita elíptica da Terra e da inclinação do eixo. No extremo oeste de um fuso, a meia-noite solar pode cair bem depois da meia-noite legal.
Há outra assimetria curiosa. O pôr do sol mais cedo do ano e o nascer mais tarde não caem no mesmo dia do solstício, embora a noite mais longa caia. Em Porto Alegre, em 2026, o pôr do sol mais cedo acontece em junho, alguns dias antes do solstício, e o nascer mais tarde já em julho, alguns dias depois. A noite mais comprida continua sendo a do solstício, mas as suas duas pontas, o anoitecer e o amanhecer, andam para os lados. Quem quiser o porquê dessa defasagem encontra na página sobre a equação do tempo e o analema.
Há uma última camada que muda quanto de escuro a noite entrega, e ela não vem do sol. A lua reflete luz do sol e pode clarear a noite inteira quando está cheia, ou deixá-la num breu total quando está nova. Uma noite de céu limpo com lua cheia é claríssima; a mesma noite sem lua é escura o bastante para ver a Via Láctea, se você estiver longe das cidades. É por isso que o site classifica a noite como clara, média ou escura conforme a luz que sobra no céu, um dado que aparece na página de cada cidade.
Vale um lembrete honesto: a duração da noite, essa que as tabelas mostram, depende só do sol e da latitude, e é totalmente previsível. Já o quanto de fato se enxerga depende da lua, das nuvens e da iluminação artificial ao redor. As duas coisas são diferentes. A noite pode ser longa e clara, ou curta e escura, ao mesmo tempo.
As durações desta página valem para as cidades e datas das tabelas. Para a sua cidade, hoje, a resposta ao vivo está nas ferramentas: a página de nascer e pôr do sol dá o horário do pôr e do nascer seguinte, e a diferença entre eles é a sua noite. O crepúsculo mostra quando a claridade acaba de vez e quando a escuridão começa. É ali que mora o valor de agora; aqui fica o porquê e a ordem de grandeza.