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Ciência do céu

Quando o dia escurece: o sol num eclipse solar

A luz do dia diminui depressa durante um eclipse solar, período em que a observação direta do sol exige proteção.

Por Equipe RCG Websites 11 min de leitura

Quando o dia escurece de repente no meio da tarde, sem nuvem no céu, a luz que sumiu é a do sol, e a causa mais provável é um eclipse solar. A lua passa exatamente na frente do sol e projeta a sombra dela sobre um trecho do planeta. Dentro dessa sombra, o disco do sol aparece mordido, encolhe a um anel ou desaparece por alguns minutos, e a luz do dia cai junto. O fenômeno depende do lugar: o mesmo eclipse é total numa faixa estreita, parcial num raio de milhares de quilômetros e invisível no resto da Terra. A regra de segurança não tem exceção: o sol nunca deve ser olhado diretamente durante um eclipse, nem com óculos escuros, nem por um instante.

O que acontece com a luz do dia quando o sol some

Num eclipse solar total, o dia escurece rápido, fora da hora do relógio. Nos minutos anteriores à totalidade, a luz esfria e fica metálica, as sombras ganham bordas nítidas e a paisagem perde cor.

A temperatura pode cair vários graus em minutos, porque o que aquece o chão é o próprio sol que está sendo tapado. Pássaros se recolhem, grilos começam a cantar e o vento muda.

Quando o último filete de sol se apaga, no lugar do disco surge a coroa solar, a atmosfera externa do sol, um halo perolado visível só quando o brilho do disco some. Estrelas e planetas aparecem em pleno dia. A totalidade dura de um a pouco mais de sete minutos, conforme a geometria, e termina tão rápido quanto começou.

Fora da faixa total, o efeito é menor. Num eclipse parcial, a luz esmaece de leve, e muita gente não percebe sem olhar com filtro, porque o olho se ajusta. No chão, porém, as frestas entre as folhas das árvores funcionam como câmaras escuras e projetam dezenas de crescentes de sol, pequenas imagens do disco mordido. Essa observação é segura, porque o olhar fica voltado para baixo.

Por que o astro observado é o sol

O eclipse solar leva a lua na explicação, mas o astro observado, e o que exige cuidado, é o sol. A lua entra como obstáculo, o corpo escuro que cruza na frente e recorta a luz.

No eclipse solar, a sombra é pequena e cai sobre o observador, e por isso o fenômeno só é visto de uma faixa estreita e dura pouco. O eclipse lunar é o caso oposto, em que a sombra da Terra escurece a lua à noite, um evento noturno, lento e sem risco para os olhos. Ele não tem relação com a luz do dia nem com o sol de cada cidade.

Quanto do sol some no eclipse total, no anular e no parcial

O quanto o dia escurece depende da parte do disco do sol que a lua consegue cobrir. Essa parte muda porque a distância da lua até a Terra varia ao longo da órbita, que é uma elipse. Mais perto, a lua parece maior no céu e cobre o sol inteiro. Mais longe, parece menor e deixa uma borda acesa. Essa geometria define o tipo de eclipse e o efeito na luz.

Os tipos de eclipse solar pela fração do sol encoberta e pelo efeito na luz do dia. A duração vale para a fase de máximo em quem está na faixa central.
TipoQuanto do sol someO que a luz do dia faz
Total100%, por 1 a 7 minEscurece como a noite; surge a coroa e aparecem estrelas
Anulara maior parte, resta um anelCai como um dia muito carregado; nunca vira noite
Parcialde uma mordida a quase tudoLuz esmaece de leve; sem filtro passa despercebido
Híbridomuda de anular para totalVaria ao longo da faixa, conforme a curvatura da Terra

O eclipse anular costuma confundir quem observa. Como resta o anel de fogo em volta, sobra muita luz. O céu não escurece por completo, a coroa não aparece e o dia fica num tom meio crepuscular, sem causa aparente para quem não sabe do eclipse.

Com parte do disco acesa, o anular é tão perigoso para os olhos quanto o sol comum.

Dezenas de crescentes de luz projetados no chão através das folhas das árvores durante um eclipse solar parcial
Sob as árvores, cada fresta entre as folhas funciona como uma câmara escura e projeta o sol mordido no chão. Durante um eclipse parcial, o piso se enche de crescentes de luz, a forma exata do disco encoberto naquele instante

Sinais do eclipse que se observam com segurança

Parte do que se vê num eclipse está em volta do observador, no efeito da queda da luz, e não no disco do sol. Estes sinais se observam sem olhar para cima, que é a forma segura de acompanhar o fenômeno.

  • As bandas de sombra. Segundos antes e depois da totalidade, faixas finas de luz e sombra correm pelo chão claro e pelas paredes brancas, parecidas com o reflexo tremido do fundo de uma piscina. É o ar em movimento distorcendo o último filete de sol.
  • O colar de contas. No limite da totalidade, o sol se apaga em pontos, e não de uma vez, porque a última luz escapa pelos vales entre as montanhas da borda da lua. É o efeito conhecido como grãos de Baily. Quando resta um só ponto, ele brilha ao lado da coroa e forma o anel de diamante.
  • O anel do horizonte. Durante a totalidade, o céu no alto fica escuro, e o horizonte em volta ganha o laranja de entardecer. É a luz do sol que ainda ilumina o chão a centenas de quilômetros, na borda da sombra.
  • A coroa. Só na totalidade, e só a olho nu naqueles poucos minutos, aparece o halo perolado. É a atmosfera externa do sol, quente demais e tênue demais para competir com o brilho do disco em qualquer outro momento.

Por que o sol não some todo mês

A lua dá uma volta na Terra a cada mês e passa uma vez por volta entre a Terra e o sol, mas o eclipse solar não é mensal. O caminho da lua no céu é inclinado cerca de 5 graus em relação ao caminho do sol. Na maioria das passagens, a lua cruza um pouco acima ou abaixo do sol, e a sombra dela não atinge a Terra.

O alinhamento só se completa quando a passagem acontece perto de um dos dois pontos em que os dois caminhos se cruzam. Isso abre duas temporadas de eclipse por ano, com poucas semanas cada. Os eclipses solares vêm agrupados, separados por meses sem nenhum, e muita gente passa a vida sem ver um eclipse total da própria cidade.

Como observar o eclipse com segurança

O sol nunca deve ser olhado diretamente durante um eclipse, em nenhuma fase parcial ou anular, nem por um segundo. Mesmo com 99% do disco coberto, o 1% restante é luz solar direta, intensa o bastante para queimar a retina.

A retina não tem receptores de dor, e o dano acontece sem sensação nenhuma na hora. A lesão, chamada retinopatia solar, pode ser permanente e às vezes só se manifesta horas depois, quando não há mais o que fazer.

Óculos de sol comuns, mesmo os mais escuros, não protegem. Chapa de raio-x, vidro de máscara de solda de baixo número, CD, negativo de filme e vidro esfumaçado também não. A única forma segura de olhar direto é com filtros solares certificados pela norma ISO 12312-2, os óculos de eclipse próprios, e ainda assim por períodos curtos.

A alternativa mais barata e sem risco de erro é a projeção, em que um furo numa cartolina projeta a imagem do sol mordido sobre outra folha, e o observador olha a projeção, nunca o céu. Binóculo e telescópio sem filtro solar específico são ainda mais perigosos, porque concentram a luz num ponto.

Com o sol quase todo tapado, o perigo continua. O índice UV também segue alto durante um eclipse parcial, porque a radiação ultravioleta acompanha a fração de sol visível, e não a impressão de penumbra. Pele e olhos ficam expostos como num dia comum de sol forte.

Olhar a olho nu só é seguro durante a totalidade de um eclipse total, nos poucos minutos em que o disco está 100% coberto. O filtro volta aos olhos no instante em que o primeiro raio reaparece.

Onde o sol vai estar no céu durante o eclipse

Acompanhar um eclipse solar depende da posição do sol vista de cada ponto da Terra. O observador precisa saber duas coisas sobre o próprio lugar, se a faixa da sombra passa por ali e, se passa, para onde apontar o filtro.

O sol pode estar alto, no meio do céu, ou baixo perto do horizonte, conforme a hora local do eclipse, e isso decide se um prédio ou um morro vai atrapalhar. Os horários e a trajetória do sol de cada cidade dão essa referência de altura e direção para a hora marcada.

O próximo eclipse de grande alcance no Brasil é o eclipse solar anular de 26 de janeiro de 2028. A faixa do anel de fogo cruza o Norte do país, por cidades do Amazonas como Tabatinga, Tefé e Manaus. Nesses lugares, com filtro certificado, o sol aparece como um anel completo por alguns minutos.

No resto do Brasil, o mesmo evento aparece como eclipse parcial, com o sol mordido em maior ou menor grau conforme a distância até a faixa. O horário exato e a altura do sol mudam de cidade para cidade, e a circunstância local se confirma perto da data em fontes oficiais.

Diferença entre eclipse e entardecer

O eclipse e o fim de tarde escurecem o dia por motivos opostos. No entardecer, o sol desce até o horizonte e a luz vai embora devagar, de forma gradual e previsível, todos os dias, porque a Terra gira e tira o sol de vista. No eclipse, o sol está alto, em plena tarde, e é tapado de repente por um obstáculo que cruza na frente.

O eclipse é raro e o entardecer é diário. Um depende de um alinhamento que só se completa em poucas semanas por ano; o outro vem da rotação do planeta, que não falha.

Perguntas frequentes

O que acontece com a luz do dia num eclipse solar?
A luz cai de repente, fora de hora. Num eclipse total, a temperatura pode cair cerca de 3 graus, o horizonte em volta fica com cor de entardecer e surge a coroa solar, a atmosfera externa do sol. Num eclipse parcial, a luz apenas esmaece de leve, e sob as árvores o chão se enche de crescentes de sol projetados pelas frestas das folhas.
Posso olhar um eclipse solar a olho nu?
Nunca, em nenhuma fase parcial ou anular, nem por um segundo. Qualquer parte do sol que fique à mostra é luz solar direta e pode ferir os olhos. Óculos de sol comuns, por mais escuros, não protegem. Só é seguro com filtros certificados pela norma ISO 12312-2 ou por projeção indireta, com o olhar na imagem projetada numa superfície.
Por que o dia não escurece por um eclipse todo mês?
Porque o caminho da lua no céu é inclinado cerca de 5 graus em relação ao caminho do sol. Na maioria das passagens, a lua cruza um pouco acima ou abaixo do sol e a sombra dela erra a Terra. O alinhamento só fecha perto dos pontos em que os dois caminhos se cruzam, o que abre cerca de duas temporadas de eclipse por ano.
Qual a diferença entre eclipse solar total, anular e parcial?
É quanto do sol some. No total, a lua cobre 100% do disco por alguns minutos e o dia vira noite. No anular, ela está mais longe e parece menor, deixando um anel de fogo aceso, e o céu não escurece de todo. No parcial, cobre só uma parte e a luz quase não muda. O anular e o parcial seguem perigosos para os olhos, porque sobra sol à mostra.
Onde e quando será o próximo eclipse solar visível do Brasil?
O próximo é o eclipse solar anular de 26 de janeiro de 2028, com o anel de fogo cruzando o Norte, por cidades do Amazonas como Tabatinga, Tefé e Manaus. No resto do país ele aparece como eclipse parcial, com o sol mordido em maior ou menor grau. A observação exige filtro certificado, e o horário local se confirma perto da data.
Por que o índice UV continua alto durante um eclipse solar?
Porque a radiação ultravioleta acompanha a fração de sol visível, mesmo com a impressão de penumbra. Num eclipse parcial, a sensação de escuridão engana: pele e olhos seguem expostos como num dia comum de sol forte. Por isso a proteção continua valendo, e o céu só é seguro de olhar a olho nu durante a totalidade de um eclipse total, com o disco 100% coberto.