Crepúsculo civil, náutico e astronômico: o que é cada um
O céu passa por estágios de claridade entre o pôr do sol e a noite fechada, cada um com uso próprio na navegação e na astronomia.
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A luz do dia diminui depressa durante um eclipse solar, período em que a observação direta do sol exige proteção.
Quando o dia escurece de repente no meio da tarde, sem nuvem no céu, a luz que sumiu é a do sol, e a causa mais provável é um eclipse solar. A lua passa exatamente na frente do sol e projeta a sombra dela sobre um trecho do planeta. Dentro dessa sombra, o disco do sol aparece mordido, encolhe a um anel ou desaparece por alguns minutos, e a luz do dia cai junto. O fenômeno depende do lugar: o mesmo eclipse é total numa faixa estreita, parcial num raio de milhares de quilômetros e invisível no resto da Terra. A regra de segurança não tem exceção: o sol nunca deve ser olhado diretamente durante um eclipse, nem com óculos escuros, nem por um instante.
Num eclipse solar total, o dia escurece rápido, fora da hora do relógio. Nos minutos anteriores à totalidade, a luz esfria e fica metálica, as sombras ganham bordas nítidas e a paisagem perde cor.
A temperatura pode cair vários graus em minutos, porque o que aquece o chão é o próprio sol que está sendo tapado. Pássaros se recolhem, grilos começam a cantar e o vento muda.
Quando o último filete de sol se apaga, no lugar do disco surge a coroa solar, a atmosfera externa do sol, um halo perolado visível só quando o brilho do disco some. Estrelas e planetas aparecem em pleno dia. A totalidade dura de um a pouco mais de sete minutos, conforme a geometria, e termina tão rápido quanto começou.
Fora da faixa total, o efeito é menor. Num eclipse parcial, a luz esmaece de leve, e muita gente não percebe sem olhar com filtro, porque o olho se ajusta. No chão, porém, as frestas entre as folhas das árvores funcionam como câmaras escuras e projetam dezenas de crescentes de sol, pequenas imagens do disco mordido. Essa observação é segura, porque o olhar fica voltado para baixo.
O eclipse solar leva a lua na explicação, mas o astro observado, e o que exige cuidado, é o sol. A lua entra como obstáculo, o corpo escuro que cruza na frente e recorta a luz.
No eclipse solar, a sombra é pequena e cai sobre o observador, e por isso o fenômeno só é visto de uma faixa estreita e dura pouco. O eclipse lunar é o caso oposto, em que a sombra da Terra escurece a lua à noite, um evento noturno, lento e sem risco para os olhos. Ele não tem relação com a luz do dia nem com o sol de cada cidade.
O quanto o dia escurece depende da parte do disco do sol que a lua consegue cobrir. Essa parte muda porque a distância da lua até a Terra varia ao longo da órbita, que é uma elipse. Mais perto, a lua parece maior no céu e cobre o sol inteiro. Mais longe, parece menor e deixa uma borda acesa. Essa geometria define o tipo de eclipse e o efeito na luz.
| Tipo | Quanto do sol some | O que a luz do dia faz |
|---|---|---|
| Total | 100%, por 1 a 7 min | Escurece como a noite; surge a coroa e aparecem estrelas |
| Anular | a maior parte, resta um anel | Cai como um dia muito carregado; nunca vira noite |
| Parcial | de uma mordida a quase tudo | Luz esmaece de leve; sem filtro passa despercebido |
| Híbrido | muda de anular para total | Varia ao longo da faixa, conforme a curvatura da Terra |
O eclipse anular costuma confundir quem observa. Como resta o anel de fogo em volta, sobra muita luz. O céu não escurece por completo, a coroa não aparece e o dia fica num tom meio crepuscular, sem causa aparente para quem não sabe do eclipse.
Com parte do disco acesa, o anular é tão perigoso para os olhos quanto o sol comum.

Parte do que se vê num eclipse está em volta do observador, no efeito da queda da luz, e não no disco do sol. Estes sinais se observam sem olhar para cima, que é a forma segura de acompanhar o fenômeno.
A lua dá uma volta na Terra a cada mês e passa uma vez por volta entre a Terra e o sol, mas o eclipse solar não é mensal. O caminho da lua no céu é inclinado cerca de 5 graus em relação ao caminho do sol. Na maioria das passagens, a lua cruza um pouco acima ou abaixo do sol, e a sombra dela não atinge a Terra.
O alinhamento só se completa quando a passagem acontece perto de um dos dois pontos em que os dois caminhos se cruzam. Isso abre duas temporadas de eclipse por ano, com poucas semanas cada. Os eclipses solares vêm agrupados, separados por meses sem nenhum, e muita gente passa a vida sem ver um eclipse total da própria cidade.
O sol nunca deve ser olhado diretamente durante um eclipse, em nenhuma fase parcial ou anular, nem por um segundo. Mesmo com 99% do disco coberto, o 1% restante é luz solar direta, intensa o bastante para queimar a retina.
A retina não tem receptores de dor, e o dano acontece sem sensação nenhuma na hora. A lesão, chamada retinopatia solar, pode ser permanente e às vezes só se manifesta horas depois, quando não há mais o que fazer.
Óculos de sol comuns, mesmo os mais escuros, não protegem. Chapa de raio-x, vidro de máscara de solda de baixo número, CD, negativo de filme e vidro esfumaçado também não. A única forma segura de olhar direto é com filtros solares certificados pela norma ISO 12312-2, os óculos de eclipse próprios, e ainda assim por períodos curtos.
A alternativa mais barata e sem risco de erro é a projeção, em que um furo numa cartolina projeta a imagem do sol mordido sobre outra folha, e o observador olha a projeção, nunca o céu. Binóculo e telescópio sem filtro solar específico são ainda mais perigosos, porque concentram a luz num ponto.
Com o sol quase todo tapado, o perigo continua. O índice UV também segue alto durante um eclipse parcial, porque a radiação ultravioleta acompanha a fração de sol visível, e não a impressão de penumbra. Pele e olhos ficam expostos como num dia comum de sol forte.
Olhar a olho nu só é seguro durante a totalidade de um eclipse total, nos poucos minutos em que o disco está 100% coberto. O filtro volta aos olhos no instante em que o primeiro raio reaparece.
Acompanhar um eclipse solar depende da posição do sol vista de cada ponto da Terra. O observador precisa saber duas coisas sobre o próprio lugar, se a faixa da sombra passa por ali e, se passa, para onde apontar o filtro.
O sol pode estar alto, no meio do céu, ou baixo perto do horizonte, conforme a hora local do eclipse, e isso decide se um prédio ou um morro vai atrapalhar. Os horários e a trajetória do sol de cada cidade dão essa referência de altura e direção para a hora marcada.
O próximo eclipse de grande alcance no Brasil é o eclipse solar anular de 26 de janeiro de 2028. A faixa do anel de fogo cruza o Norte do país, por cidades do Amazonas como Tabatinga, Tefé e Manaus. Nesses lugares, com filtro certificado, o sol aparece como um anel completo por alguns minutos.
No resto do Brasil, o mesmo evento aparece como eclipse parcial, com o sol mordido em maior ou menor grau conforme a distância até a faixa. O horário exato e a altura do sol mudam de cidade para cidade, e a circunstância local se confirma perto da data em fontes oficiais.
O eclipse e o fim de tarde escurecem o dia por motivos opostos. No entardecer, o sol desce até o horizonte e a luz vai embora devagar, de forma gradual e previsível, todos os dias, porque a Terra gira e tira o sol de vista. No eclipse, o sol está alto, em plena tarde, e é tapado de repente por um obstáculo que cruza na frente.
O eclipse é raro e o entardecer é diário. Um depende de um alinhamento que só se completa em poucas semanas por ano; o outro vem da rotação do planeta, que não falha.