Crepúsculo civil, náutico e astronômico: o que é cada um
O crepúsculo tem três fases pela altura do sol: civil (até 6 graus), náutico (12) e astronômico (18). Veja o que se vê em cada uma e por que dura mais no sul.
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Num eclipse solar, a lua tapa o sol e o dia escurece de repente. Veja o que acontece com a luz e por que nunca se pode olhar o sol direto.
Quando o dia escurece de repente no meio da tarde, sem uma nuvem no céu, o que sumiu foi a luz do sol, e o mais provável é um eclipse solar. A lua passa exatamente na frente do sol e projeta sua sombra sobre um trecho do planeta. Quem está dentro dessa sombra vê o disco do sol ser mordido, encolher a um anel ou desaparecer por alguns minutos, e a luz do dia cair junto. É um evento do sol visto do seu lugar: o mesmo eclipse é total numa faixa estreita, parcial num raio de milhares de quilômetros e invisível no resto da Terra. E vem com uma regra que não tem exceção: nunca olhe direto para o sol durante um eclipse, nem com óculos escuros, nem por um instante.
Num eclipse solar total, a experiência não é a de uma nuvem passando. É o dia indo embora depressa demais para a hora do relógio. Nos minutos que antecedem a totalidade, a luz esfria e fica metálica, as sombras ganham bordas afiadas e a paisagem perde cor, como se alguém baixasse o brilho do mundo. A temperatura pode cair vários graus em minutos, porque o que aquece o chão é justamente o sol que está sendo tapado. Pássaros se recolhem, grilos começam a cantar, o vento muda.
No instante em que o último filete de sol se apaga, o horizonte inteiro acende num anel alaranjado, um pôr do sol de 360 graus, porque a borda da sombra deixa passar a luz que vem de longe, de onde o sol ainda brilha. No lugar do disco surge a coroa solar, a atmosfera externa do próprio sol, um halo de pérola que só é visível quando o brilho ofuscante do disco some. Estrelas e planetas aparecem em pleno dia. Dura de um a pouco mais de sete minutos, conforme a geometria, e acaba tão rápido quanto começou.
Fora da faixa total, o efeito é mais discreto. Num eclipse parcial, a luz apenas esmaece de leve, e muita gente nem repara sem olhar com filtro, porque o olho se ajusta. Mas há um detalhe delator no chão: sob as árvores, cada frestinha entre as folhas vira uma câmara escura natural e projeta dezenas de crescentes de sol no piso, pequenas imagens do disco mordido. É o sol se multiplicando na calçada, e é seguro de ver, porque você olha para baixo, não para cima.
Vale desfazer a confusão logo. O eclipse solar leva o nome da lua na explicação, mas o astro que você observa, que dá o espetáculo e que exige cuidado, é o sol. A lua entra só como o obstáculo: ela é o corpo escuro que cruza na frente e recorta a luz. Tire a lua da história e sobra o essencial, um objeto passando diante do sol e a luz do dia falhando por causa disso.
Essa é a diferença que importa para quem observa daqui de baixo. No eclipse solar, a sombra é pequena e cai sobre você: por isso ele só é visto de uma faixa estreita e dura pouco. Existe também o eclipse lunar, o oposto exato, em que é a sombra da Terra que escurece a lua à noite, um evento noturno, lento e inofensivo de olhar. Mas esse não tem nada a ver com a luz do dia nem com o sol na sua cidade, então fica de fora daqui. O que interessa nesta página é o dia que escurece, e isso é sempre coisa do sol.
Nem todo eclipse solar apaga o dia. Depende de quanto do disco do sol a lua consegue cobrir, e isso muda porque a distância da lua até a Terra varia ao longo da órbita, que é uma elipse. Mais perto, a lua parece maior no céu e cobre o sol inteiro. Mais longe, parece menor e sobra uma borda acesa. É essa geometria que define o tipo e, com ele, o que acontece com a luz.
| Tipo | Quanto do sol some | O que a luz do dia faz |
|---|---|---|
| Total | 100%, por 1 a 7 min | Escurece como a noite; surge a coroa e aparecem estrelas |
| Anular | cerca de 90%, resta um anel | Cai como um dia muito carregado; nunca vira noite |
| Parcial | de uma mordida a quase tudo | Luz esmaece de leve; sem filtro passa despercebido |
| Híbrido | muda de anular para total | Varia ao longo da faixa, conforme a curvatura da Terra |
O anular merece um parágrafo à parte, porque engana. Como resta o famoso anel de fogo em volta, sobra luz de sobra: o céu não chega a escurecer de verdade, a coroa não aparece e o dia fica só num tom estranho, meio crepuscular, sem explicação óbvia para quem não sabe o que está acontecendo. E, por sobrar disco aceso, o anular é tão perigoso para os olhos quanto um sol comum. Não existe o "quase eclipse" seguro: enquanto houver qualquer pedaço do sol à mostra, a luz continua forte o bastante para queimar.

Boa parte do que há de mais bonito num eclipse não está no disco do sol, e sim no que a queda da luz faz em volta. Tudo isto se observa sem olhar para cima, o que é justamente o jeito seguro de acompanhar o fenômeno.
Se a lua dá uma volta na Terra a cada mês e passa entre nós e o sol uma vez por volta, por que não temos um eclipse solar mensal? Porque o caminho da lua no céu é inclinado cerca de 5 graus em relação ao caminho do sol. Na maioria das passagens, a lua cruza um pouco acima ou abaixo do sol, e a sombra dela erra a Terra, perdida no espaço.
O alinhamento só fecha quando essa passagem acontece perto de um dos dois pontos em que os dois caminhos se cruzam. Isso abre duas temporadas de eclipse por ano, com poucas semanas cada. Por isso os eclipses solares andam agrupados e separados por meses de nada. É um relógio com folga, e é o que torna cada eclipse total um evento que muita gente atravessa a vida sem ver do próprio quintal.
Este é o ponto mais importante da página. Nunca olhe diretamente para o sol durante um eclipse, em nenhuma fase parcial ou anular, nem por um segundo. Mesmo com 99% do disco coberto, o 1% que sobra é luz solar direta, intensa o bastante para queimar a retina. E o pior: a retina não tem receptores de dor, então o dano acontece sem que você sinta nada na hora. A lesão, chamada retinopatia solar, pode ser permanente e às vezes só se manifesta horas depois, quando não há mais o que fazer.
Óculos de sol comuns, mesmo os mais escuros, não protegem. Nem chapa de raio-x, vidro de máscara de solda de baixo número, CD, negativo de filme ou vidro esfumaçado. A única forma segura de olhar direto é com filtros solares certificados pela norma ISO 12312-2, os óculos de eclipse próprios, e ainda assim por períodos curtos. A alternativa mais barata e à prova de erro é a projeção: um furinho numa cartolina projeta a imagem do sol mordido sobre outra folha, e você olha a projeção, nunca o céu. Binóculo e telescópio sem filtro solar específico são ainda mais perigosos, porque concentram a luz num ponto.
Há um detalhe que engana: a sensação de que, com o sol quase todo tapado, o perigo passou. Não passou. E vale para além dos olhos: o índice UV continua alto durante um eclipse parcial, porque a radiação ultravioleta acompanha a fração de sol visível, não a impressão de penumbra. Pele e olhos seguem expostos como num dia comum de sol forte. Só durante a totalidade de um eclipse total, e apenas naqueles poucos minutos em que o disco está 100% coberto, é seguro olhar a olho nu, e é preciso voltar o filtro no instante em que o primeiro raio reaparece.
Um eclipse solar é, antes de tudo, uma questão de posição do sol vista do seu ponto na Terra. Para acompanhar, você precisa saber duas coisas do seu lugar: se a faixa da sombra passa por ali e, se passa, para onde olhar, ou melhor, para onde apontar o filtro. O sol pode estar alto, no meio do céu, ou baixo perto do horizonte, dependendo da hora local do eclipse, e isso decide se um prédio ou um morro vai atrapalhar. Conhecer os horários e a trajetória do sol da sua cidade dá essa referência de altura e direção para a hora marcada.
O próximo grande encontro do Brasil com a sombra é o eclipse solar anular de 26 de janeiro de 2028. A faixa do anel de fogo cruza o Norte do país, passando por cidades do Amazonas e de Roraima, como Manaus, Tefé, Tabatinga e Boa Vista. Nesses lugares, quem tiver filtro certificado verá o sol virar um anel perfeito por alguns minutos. No resto do Brasil, o mesmo evento aparece como eclipse parcial, com o sol mordido em maior ou menor grau conforme a distância até a faixa. Como o horário exato e a altura do sol mudam de cidade para cidade, confirme a circunstância local perto da data em fontes oficiais.
Vale desfazer uma confusão comum, porque as duas coisas escurecem o dia, mas por motivos opostos. O escurecimento de um eclipse não tem nada a ver com o do fim de tarde. No entardecer, o sol desce até o horizonte e a luz vai embora devagar, de forma gradual e previsível, todo santo dia, porque é a Terra girando e tirando o sol de vista. No eclipse, o sol está lá em cima, em plena tarde, e é tapado de repente por um obstáculo que cruza na frente, num escurecimento rápido e fora de hora.
Por isso o eclipse é raro e o entardecer é diário. Um depende de um alinhamento que só fecha em poucas semanas por ano; o outro é a rotação do planeta, que acontece sem falta. O que os dois têm em comum é o protagonista de sempre nesta página: a luz do sol sobre o seu lugar, ora indo embora devagar no horizonte, ora sumindo de repente no meio do dia.