Melhores praias para o pôr do sol no Brasil
As praias brasileiras onde o sol se põe sobre a água ou sobre um rio ficam em trechos específicos do país.
Ler artigo →Guias
Shabat e Ramadã usam o pôr do sol para marcar o início e o fim das práticas, o que cria dificuldades em latitudes altas.
Várias tradições religiosas medem o tempo sagrado pelo sol, e a meia-noite do relógio não marca a virada do dia. No judaísmo, o dia começa ao entardecer: o Shabat entra com o pôr do sol de sexta-feira e termina no sábado à noite, quando surgem as primeiras estrelas. No islã, durante o Ramadã, o jejum diário vai da alvorada até o instante em que o sol some, no momento da oração do maghrib. Nos dois casos, a virada é um evento astronômico, e o momento exato depende de quando termina o crepúsculo. Este texto descreve como essas tradições usam o pôr do sol e a luz que resta depois dele, sem entrar no mérito da fé.
Brasília, DF · hoje
A virada do dia à meia-noite é uma convenção civil recente. Em várias culturas antigas, o dia começava ao entardecer, quando a luz diminui. No judaísmo, essa contagem está ligada ao relato da criação, no livro de Gênesis, com a fórmula que se repete, "e foi a tarde e a manhã, um dia". A tarde vem antes da manhã, e por isso o dia judaico vai de um pôr do sol ao seguinte, e toda festa começa na véspera, ao anoitecer.
No islã, o calendário é lunar, e o dia também começa ao pôr do sol. Por essa razão, o início e o fim do Ramadã dependem da observação da lua nova, e as datas do mês mudam de ano para ano no calendário civil. Nas duas tradições, o sol e a lua funcionam como relógio litúrgico, e o horário do pôr do sol passa a ser uma questão prática da rotina religiosa.

O Shabat, o dia de descanso semanal judaico, começa no pôr do sol de sexta-feira e termina na noite de sábado. O acendimento das velas marca a entrada. Na maior parte das comunidades, elas são acesas 18 minutos antes do pôr do sol. Esse intervalo funciona como margem de segurança, para que o ato de acender não aconteça já dentro do Shabat. Algumas cidades adotam margens maiores por tradição própria, como os 40 minutos de Jerusalém.
A saída depende de quando a noite começa. A referência clássica é o tzeit hakochavim, o "surgir das estrelas", momento em que três estrelas pequenas ficam visíveis a olho nu. Em termos astronômicos, esse momento costuma ser associado ao sol a cerca de 8,5 graus abaixo do horizonte, dentro do crepúsculo, entre o fim do crepúsculo civil (6 graus) e o do náutico (12 graus). Nesse instante se faz a havdalá, a cerimônia que separa o Shabat do resto da semana. Opiniões mais rigorosas, como a de Rabbeinu Tam, levam o fim para cerca de 72 minutos depois do pôr do sol.
Numa sexta-feira de verão, esses momentos mudam de uma cidade brasileira para outra. Os horários de quatro cidades, calculados pelo motor astronômico do site, estão na tabela.
| Cidade | Acender velas | Pôr do sol (entra o Shabat) | Fim do crep. civil | Fim do crep. náutico |
|---|---|---|---|---|
| Recife, PE | 17h16 | 17h34 | 17h57 | 18h24 |
| Rio de Janeiro, RJ | 18h18 | 18h36 | 19h01 | 19h31 |
| São Paulo, SP | 18h33 | 18h51 | 19h16 | 19h47 |
| Porto Alegre, RS | 19h06 | 19h24 | 19h51 | 20h25 |
Entre Recife e Porto Alegre, o pôr do sol da mesma data difere quase duas horas, por causa da latitude e da posição de cada cidade dentro do fuso. No inverno, todos esses horários ficam mais cedo. Em São Paulo, o Shabat de verão entra perto das 18h50, e o de inverno, por volta das 17h30. Por isso as comunidades publicam tabelas locais atualizadas a cada semana.
Durante o mês do Ramadã, os muçulmanos que jejuam se abstêm de comida e bebida do amanhecer ao pôr do sol. O jejum começa no fajr, o raiar do dia, quando a primeira luz da manhã aparece no horizonte leste, e é precedido pela refeição chamada suhoor, feita ainda no escuro. O jejum termina no iftar, no pôr do sol, no momento da oração do maghrib.
A orientação tradicional é apressar o iftar, com a quebra do jejum logo que o sol se põe. Com isso, o horário do pôr do sol vira uma informação central da rotina do mês. Na outra ponta do dia, o fajr exige precisão parecida, porque o suhoor precisa terminar antes de a luz da alvorada surgir, e muitos fiéis param alguns minutos antes do horário calculado, por precaução. As duas pontas do jejum seguem eventos do sol junto ao horizonte.
O crepúsculo, a faixa de luz entre o dia e a noite, é o ponto em que as duas tradições mais se aproximam da astronomia. O judaísmo tem o conceito de bein hashmashot, o "entre os sóis", um período ambíguo logo depois do pôr do sol, em que não se sabe ao certo se ainda é dia ou já é noite. Os estudiosos discutem há séculos onde ele começa e termina, e as opiniões vão de poucos minutos a mais de uma hora depois do pôr do sol. A incerteza tem base física, porque o crepúsculo é uma transição gradual, sem instante único.
No islã, o fajr e a oração da noite (isha) são definidos por ângulos do sol abaixo do horizonte, como as fases do crepúsculo na astronomia. O fajr costuma ser fixado com o sol entre 18 e 15 graus abaixo do horizonte, conforme a autoridade que faz o cálculo, o que corresponde ao início do crepúsculo astronômico ou náutico. Os limiares que os astrônomos chamam de crepúsculo civil, náutico e astronômico reaparecem nas tradições religiosas, com outros nomes e outro propósito. As três faixas estão descritas no artigo sobre crepúsculo civil, náutico e astronômico.
Marcar o dia pelo sol funciona bem nos trópicos, onde o crepúsculo é curto e o sol nasce e se põe com regularidade o ano todo. Em latitudes muito altas, a regra encontra limites físicos. Perto dos círculos polares, no verão, o sol pode passar dias sem se pôr, e o crepúsculo pode durar a noite inteira, sem a noite escura que define o fim do Shabat ou o início do fajr. Comunidades judaicas e muçulmanas do norte da Europa e do Canadá lidam com essa situação com soluções práticas, como seguir os horários de uma cidade de referência em latitude mais baixa, ou os de Meca.
No Brasil, mesmo no extremo sul, no Chuí, o sol nasce e se põe todos os dias, e o crepúsculo, mais longo que no Norte, sempre termina em noite fechada. O cálculo depende só do horário local do pôr do sol e das fases do crepúsculo. O contraste com o verão polar está no artigo o que é o sol da meia-noite.
Há outras tradições além do judaísmo e do islã. No cristianismo, a tradição das vésperas marca a oração do fim da tarde, e a missa da noite de sábado já vale como celebração do domingo, na mesma lógica do dia que começa ao entardecer. A fé bahá'í conta o dia de pôr do sol a pôr do sol, como o judaísmo, e o jejum anual, em março, também vai do amanhecer ao anoitecer. Muitas festas populares e religiosas, das fogueiras de São João às celebrações de solstício, se ligam ao momento em que o sol se põe ou nasce.
Durante milênios, antes de relógios e fusos, o pôr do sol foi a marca natural do fim de um dia e do começo de outro. As tradições que ainda o seguem mantêm essa forma antiga de contar o tempo, baseada na posição do sol.
Para quem segue essas práticas, o horário do pôr do sol e do crepúsculo da própria cidade é uma informação de rotina. Ele muda todo dia e varia muito com a latitude. O pôr do sol e as fases do crepúsculo de cada localidade estão no horário diário do sol, com São Paulo e Recife como exemplos, e a duração da luz que resta aparece na página de crepúsculo. Nas tradições que exigem horários precisos, a confirmação cabe à autoridade da própria comunidade, que aplica os critérios religiosos a esses dados astronômicos.