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Fotografia

Time-lapse do pôr do sol: como fazer

O time-lapse do pôr do sol, vídeo feito com centenas de fotos em sequência, exige cuidado com a queda de luz durante a captura.

Por Equipe RCG Websites 10 min de leitura

Um time-lapse de pôr do sol é uma sequência de fotos tiradas em intervalo fixo e montadas como vídeo. No pôr do sol, o intervalo usual é de uma foto a cada 3 a 5 segundos, durante 40 a 60 minutos, o que rende de 500 a 900 quadros, ou algo entre 20 e 35 segundos de vídeo a 25 quadros por segundo.

O equipamento básico é tripé, modo manual e arquivo RAW, e a gravação começa de 30 a 40 minutos antes do horário do pôr do sol e segue pela hora azul. A maior dificuldade é a luz, que cai muito ao longo da cena. O horário exato de cada cidade está no calendário de golden hour e na página do pôr do sol.

Brasília, DF · hoje

pôr em2 h 31 min
nascer 05:35
pôr 18:16
Luz dourada hoje
17:47
até o pôr do sol
de manhã, 05:35 às 06:04
Crepúsculo hoje
18:39
fim do civil
náutico 19:05, astronômico 19:32

Como um time-lapse funciona

O time-lapse junta centenas de fotos da mesma cena, espaçadas por um intervalo fixo, numa sequência de vídeo. O tempo fica comprimido, e quarenta minutos de sol descendo, nuvens em movimento e cores mudando cabem em vinte ou trinta segundos de tela. Movimentos lentos demais para o olho, como uma sombra que avança ou uma nuvem que se desfaz, ficam visíveis no vídeo acelerado.

A duração final é o número de quadros dividido pela taxa de reprodução do vídeo. Cinema roda a 24 ou 25 quadros por segundo, e 750 fotos viram 30 segundos de vídeo a 25 quadros por segundo. Um clipe de 20 segundos a 25 quadros precisa de 500 fotos. A escolha do número de fotos e do intervalo é a parte central do planejamento.

Intervalo e duração da captura

O projeto depende de dois números, o tempo entre uma foto e outra (o intervalo) e o tempo total de gravação (a duração da captura).

O intervalo depende da velocidade com que a cena muda. O pôr do sol muda depressa, sobretudo perto do horizonte, e pede intervalo curto, de 3 a 5 segundos. Com intervalo longo, de 15 ou 20 segundos, o sol dá saltos entre um quadro e outro e o vídeo fica truncado.

Intervalo curto demais, de 1 segundo, enche o cartão de milhares de fotos quase idênticas sem melhorar o resultado. Para o pôr do sol, a faixa recomendada é de 3 a 5 segundos.

Combinações de intervalo e duração para um time-lapse de pôr do sol (vídeo final a 25 quadros por segundo).
IntervaloTempo gravandoQuadrosVídeo finalUso
3 s40 min~800~32 snuvens rápidas, céu dramático
4 s45 min~675~27 spôr do sol equilibrado
5 s60 min~720~29 ssol lento até a hora azul
2 s30 min~900~36 smovimento muito rápido

O número de fotos é o tempo de gravação, em segundos, dividido pelo intervalo. Quarenta minutos são 2400 segundos, e com intervalo de 4 segundos o resultado é de 600 fotos; divididas por 25, elas rendem 24 segundos de vídeo. A simulação feita antes da saída evita descobrir no local que a sequência ficou curta demais.

Foto fatiada de uma mesma paisagem urbana do dia ao anoitecer, cada faixa vertical de um instante diferente, ilustrando o tempo comprimido
Centenas de fotos espaçadas por poucos segundos, ao longo de quase uma hora, se comprimem em meia dúzia de segundos de vídeo. Quanto mais rápido a cena muda, menor o intervalo entre os disparos

A queda de luz ao longo da cena

No time-lapse de pôr do sol, a cena escurece muito do primeiro ao último quadro. Da luz do dia até a noite estrelada, a cena perde entre 10 e 15 pontos de luz, e o sensor da câmera registra de 12 a 14 de uma vez. Com a exposição travada no começo, o fim fica preto.

Com tudo no automático, a câmera reajusta a exposição a cada foto e o vídeo pisca, porque cada quadro tem um brilho ligeiramente diferente do vizinho. Esse tremor de brilho se chama flicker.

A transição completa de dia para noite sem flicker é difícil a ponto de ter recebido o apelido de "santo graal" do time-lapse. Há três formas de lidar com a queda de luz, da mais simples à mais trabalhosa:

  • Só o pôr do sol, sem entrar na noite. Numa gravação de 30 ou 40 minutos que para na hora azul, a perda de luz é administrável. A velocidade fica em automático (modo prioridade de abertura, com ISO e abertura fixos), e a câmera acompanha a queda aos poucos. É o método mais simples e atende à maioria dos casos.
  • Ajuste manual em degraus pequenos. O fotógrafo acompanha o histograma e, quando a cena escurece, alonga a exposição um passo por vez, de um terço ou um quarto de ponto. Passos pequenos deixam a transição mais lisa já na câmera.
  • Deflicker na edição. Programas como o LRTimelapse igualam o brilho entre quadros vizinhos depois da captura e reduzem o tremor que restou. É o método usado nas sequências que vão até a noite fechada.

Montagem e ajustes no local

A montagem segue quase sempre a mesma ordem. O fotógrafo chega cedo, monta o tripé em terreno firme e não toca mais na câmera até o fim.

Tripé travado
câmera imóvel
Qualquer movimento mínimo entre quadros estraga o vídeo. O tripé fica travado, longe de chão mole e de vento forte.
Foco e balanço fixos
manual, sem exceção
Foco no manual e balanço de branco travado em Kelvin. No automático, os dois oscilam e o vídeo pisca.
Intervalômetro
interno ou disparador
Quase toda câmera tem função de intervalo. Na câmera que não tem, um disparador com timer de baixo custo cumpre a função.
RAW e cartão grande
700 fotos ocupam espaço
O RAW dá margem para ajustar cor e luz na edição. A captura é longa e pede bateria sobressalente.

O disparo começa antes de o sol tocar o horizonte, com 30 a 40 minutos de folga, e segue depois que ele some, pela hora azul. A parte de mais cor da cena costuma estar nessa passagem do dourado para o azul, quando o céu fica vermelho e depois escurece. Um erro comum é encerrar a gravação cedo demais.

Planejar pelo horário do sol e do crepúsculo

O time-lapse de pôr do sol depende de chegar no horário. Quem chega com o sol já tocando o horizonte perde a descida da luz e o começo da sequência, e por isso o horário entra no planejamento.

Três horários importam. O horário do pôr do sol na cidade define quando montar o equipamento, a duração da golden hour define a fase de luz dourada, e o fim do crepúsculo marca até quando a gravação rende antes de a noite fechar.

Os três mudam com a cidade e a estação. A transição dura mais no inverno do Sul, quando o sol desce em ângulo raso, e é rápida o ano todo perto do equador.

O calendário de golden hour do site dá o horário exato para qualquer dia e cidade, e o crepúsculo mostra até que ponto o céu continua com luz. A previsão de nuvens também entra na conta, porque céu totalmente limpo dá um time-lapse de pouco movimento, e algumas nuvens em deslocamento dão variação à sequência. Os aplicativos de campo que mostram a direção do sol em realidade aumentada estão em aplicativos para planejar a foto.

Da captura ao vídeo pronto

Terminada a captura, restam centenas de fotos numeradas em sequência. Programas de edição, o LRTimelapse ou aplicativos de celular importam a pasta e geram o clipe na taxa escolhida. A taxa de reprodução muda muito o resultado. Com 24 ou 25 quadros por segundo, o movimento fica como o do cinema; 30 deixam o movimento mais fluido, e menos de 24 fazem a imagem saltar.

Antes de gerar o vídeo, as fotos são reveladas em lote. A primeira e a última recebem o tratamento, e o programa interpola as do meio para a cor e o brilho mudarem aos poucos. O flicker que sobrar sai com o deflicker.

A aceleração excessiva prejudica o resultado. Um pôr do sol num clipe de 25 a 30 segundos mostra cada fase da luz; comprimido em 8 segundos, perde a leitura das mudanças. Depois da primeira sessão completa, o processo fica mais simples e as sequências seguintes saem mais limpas.

Perguntas frequentes

Qual o melhor intervalo para um time-lapse de pôr do sol?
Entre 3 e 5 segundos entre uma foto e outra. O pôr do sol muda depressa, sobretudo perto do horizonte, então pede intervalo curto para o movimento ficar fluido. Intervalo longo demais, de 15 ou 20 segundos, faz o sol dar saltos entre os quadros; intervalo de 1 segundo enche o cartão de fotos quase idênticas sem melhorar o resultado.
Quantas fotos preciso para um time-lapse de pôr do sol?
Depende da duração do vídeo. A conta é: número de quadros dividido pela taxa de reprodução (24 ou 25 por segundo) dá a duração. Para 30 segundos de vídeo a 25 quadros, são 750 fotos. Uma gravação de 45 minutos com intervalo de 4 segundos soma cerca de 675 fotos, o que rende uns 27 segundos de vídeo.
Por que meu time-lapse de pôr do sol fica piscando?
É o flicker, causado pela exposição no automático total: a câmera reajusta o brilho a cada foto e cada quadro fica ligeiramente diferente do vizinho. Há três formas de evitar: deixar só a velocidade em automático suave (prioridade de abertura, com ISO e abertura fixos), ajustar manualmente em passos pequenos de um terço de ponto, ou aplicar deflicker na edição com programas como o LRTimelapse.
Quando devo começar a gravar o time-lapse?
De 30 a 40 minutos antes do horário do pôr do sol, para registrar a descida da luz, com a gravação seguindo depois que o sol some, pela hora azul. A parte de mais cor da cena costuma estar na passagem do dourado para o azul. Encerrar cedo demais, logo após o sol sumir, é o erro mais comum.
Por que dia para noite é chamado de santo graal do time-lapse?
Porque a cena perde entre 10 e 15 pontos de luz do dia à noite, mais do que o sensor registra de uma vez (12 a 14 pontos). Travar a exposição no começo deixa o fim preto; deixar tudo no automático faz o vídeo piscar. Fazer essa transição completa sem flicker é tão difícil que ganhou o apelido de santo graal. Para o pôr do sol comum, gravando só até a hora azul, o desafio é bem menor.