Como planejar uma viagem para ver o pôr do sol
Checklist para acertar o pôr do sol na viagem: escolha lugar e data, confira o horário e a golden hour, olhe o clima e monte o roteiro. Com tabela por cidade.
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Os melhores lugares para ver o nascer do sol no Brasil, por região: praias a leste, rios da Amazônia e serras. Veja o porquê e o horário por cidade.
O melhor lugar para ver o nascer do sol é aquele em que o horizonte a leste está desobstruído: uma praia do litoral que dá de frente para o Atlântico, a margem de um rio largo, um mirante alto ou o alto de uma serra. No Nordeste, a Ponta do Seixas, em João Pessoa (PB), é o ponto mais a leste das Américas e o primeiro pedaço de terra do continente a receber o sol. Ao sul, praias como a Joaquina, em Florianópolis, apontam direto para o mar aberto. E na serra, o alto da Pedra do Sino e o mirante da Chapada dos Guimarães entregam o amanhecer visto de cima, com o vale coberto de neblina. O que segue é uma seleção por região, com o motivo geográfico de cada ponto e o horário do dia calculado para cada cidade.
O sol nasce sempre no lado leste do céu e se põe no lado oeste. A direção exata do nascente não é fixa: ela caminha ao longo do ano. Perto dos equinócios, em março e setembro, o sol surge quase no leste geográfico, no azimute 90°. No solstício de junho ele nasce deslocado para o nordeste, e no de dezembro, para o sudeste. Esse balanço vale uns 20° a 27° para cada lado, dependendo da latitude: quanto mais ao sul, maior a abertura do leque. Por isso, para ver o disco surgir sobre a água, você quer um ponto em que o mar, o rio ou o vale se abram para esse setor do horizonte.
No Brasil, a costa atlântica que vai do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul dá, em boa parte, de frente para leste. É ali que o nascer do sol aparece saindo do próprio oceano, sem nada na frente. Nas serras, a vantagem é outra: a altitude. Um cume alto enxerga dezenas de quilômetros, o sol aparece alguns minutos antes do que no vale, e o mar de nuvens que se forma na madrugada rende as fotos mais famosas do amanhecer brasileiro.

Antes de escolher o lugar, entenda uma coisa que pega quase todo mundo de surpresa: a que horas o sol nasce depende bastante de onde você está no país. Perto da linha do equador, o nascer do sol acontece quase no mesmo horário o ano inteiro. Bem ao sul, ele varia mais de uma hora e meia entre o verão e o inverno. A tabela abaixo mostra o horário do nascer do sol em 15 de janeiro (verão) e 15 de julho (inverno), calculado pelo motor astronômico do site.
| Cidade | Latitude | Nascer, 15 jan | Nascer, 15 jul |
|---|---|---|---|
| Jijoca de Jericoacoara, CE | 2,8° S | 05:43 | 05:48 |
| Fortaleza, CE | 3,7° S | 05:33 | 05:42 |
| Natal, RN | 5,8° S | 05:17 | 05:32 |
| João Pessoa, PB | 7,1° S | 05:13 | 05:32 |
| Salvador, BA | 13,0° S | 05:19 | 05:56 |
| Vitória, ES | 20,3° S | 05:13 | 06:16 |
| Arraial do Cabo, RJ | 23,0° S | 05:15 | 06:28 |
| Florianópolis, SC | 27,6° S | 05:32 | 07:03 |
| Torres, RS | 29,3° S | 05:33 | 07:11 |
Repare em Fortaleza: nove minutos de diferença entre janeiro e julho, e só. Já em Florianópolis a distância é de mais de uma hora e meia. Quem planeja um amanhecer no Sul no inverno pode dormir um pouco mais, porque o sol só aparece perto das 7h. No Nordeste, é madrugada o ano inteiro. Antes de sair, confira o valor da data exata na página de nascer e pôr do sol da sua cidade.
O litoral do Nordeste oriental é o lugar mais óbvio, e com razão. As praias dão de frente para o Atlântico, o mar costuma ser calmo no início da manhã e o clima é seco boa parte do ano. Comece pelo extremo do mapa.
A regra vale para quase toda a faixa oriental. Recife e a vizinha Olinda, do alto da cidade alta, Maceió, Aracaju e Salvador têm orlas com trechos voltados para o nascente; em Salvador, a orla do Atlântico, de Ondina à Boca do Rio, dá de frente para o sol, ao contrário da parte da baía. Descendo, Ilhéus e Porto Seguro seguem o mesmo padrão. Onde a costa vira para o norte, como em boa parte de Fortaleza e Aquiraz, o sol nasce em ângulo ao lado da praia em vez de saltar do meio do mar, mas ainda rende uma alvorada bonita.
Longe do Atlântico, a Amazônia troca o mar por rios que parecem mar. Um rio de vários quilômetros de largura entrega o mesmo horizonte baixo e livre que uma praia, só que com o sol subindo sobre a água doce. O truque é achar a margem certa, aquela que olha para leste, rio adentro.
Perto do equador a duração do dia quase não muda, então o nascer do sol acontece sempre entre 5h30 e 6h. É a maior diferença em relação ao Sul: não existe amanhecer tardio de inverno por lá.
No Sudeste o litoral é mais recortado, cheio de ilhas e costões. Isso muda o jogo: às vezes um morro tapa o horizonte leste, e o segredo é achar o mirante ou a ponta certa.
No Espírito Santo, a orla de Vitória e Vila Velha, com a Praia da Costa e o Convento da Penha ao fundo, dá de frente para o mar e é um clássico local de amanhecer, assim como Guarapari, mais ao sul.
O litoral catarinense e o gaúcho têm trechos que apontam direto para leste, e no verão o sol nasce cedo, por volta das 5h30. Chegar com a praia ainda vazia é parte do programa. No inverno, como mostra a tabela, o sol demora mais, o que facilita para quem não é madrugador.
Quem quer facilidade encontra hotéis com pé na areia em Balneário Camboriú e Itapema, embora a orla curvada de Camboriú tenha o morro tapando parte do nascente. Confira sempre o trecho da praia que abre para leste.
Longe do mar, o nascer do sol muda de personagem. No alto de uma chapada ou de uma serra, o horizonte se estende por dezenas de quilômetros, e o vale amanhece coberto de neblina. É outra experiência, e para muita gente a mais bonita. O sol aparece uns minutos antes do que na base, porque de cima você enxerga além da curvatura da Terra.
Em Minas, os mirantes de Tiradentes, na Serra de São José, e as ladeiras de Diamantina rendem amanheceres de cidade histórica com neblina. Na Serra Gaúcha, mesmo sem o mar, os mirantes de Canela e Gramado entregam o vale coberto de bruma, sobretudo no inverno. E na Chapada Diamantina, o alto do Morro do Pai Inácio, a 1.120 metros, com vista de 360 graus, funciona tanto para o nascer quanto para o pôr do sol.
Poucas coisas frustram tanto quanto acordar de madrugada e perder o nascer do sol por um detalhe evitável. Os deslizes mais frequentes:
Escolhido o lugar, três detalhes fazem a diferença entre um bom amanhecer e uma frustração:
Para planejar por data, use os calendários do sol, e se a viagem for para ver o fim do dia, veja também o guia de como planejar viagem para ver o pôr do sol. Quem quer levar a foto para casa pode combinar com o guia completo de fotografar a golden hour e com as dicas de como fotografar no celular. E se a ideia é caminhar até um mirante, o guia de planejar camping e trilha pela luz do dia ajuda a acertar os horários da caminhada.